Futebol brasileiro

Ancelotti acerta ao iniciar renovação da seleção brasileira com promessas do Brasileirão

Treinador inicia ciclo para Copa do Mundo de 2030 com dez jogadores do futebol brasileiro para amistosos contra Austrália e Índia

Carlo Ancelotti prometeu uma renovação na seleção brasileira após a eliminação diante da Noruega na Copa do Mundo. Depois de um primeiro ano turbulento à frente da pentacampeã mundial, o treinador terá quatro anos completos até o próximo Mundial de 2030, a ser disputado na Espanha, Portugal e Marrocos. E na primeira convocação deste novo ciclo, Ancelotti acerta ao abrir os olhos para o futebol brasileiro.

No último Mundial, Ancelotti não ignorou os clubes brasileiros. O Flamengo, por exemplo, foi a equipe com o maior número de representantes nos Estados Unidos, com quatro jogadores. Mas para os amistosos contra Austrália e Índia, o foco do treinador, junto à comissão, esteve nas promessas do futebol brasileiro. Ao todo, dez atletas que atuam no Brasileirão se juntarão à delegação neste mês.

Danilo Santos, Hugo Souza, Samuel Lino e Pedro já defenderam a seleção anteriormente — Pedro esteve em pré-listas de Ancelotti, mas ainda sem ter sido convocado pelo italiano. Outros nomes, estreantes com a Amarelinha, reforçam a ambição do treinador por reformulação após a Copa do Mundo — no que ele classificou como uma decepção, pela eliminação diante da Noruega.

Com um intervalo para avaliar possíveis novidades na Seleção, Ancelotti parece ter colocado o foco nas promessas do Brasileirão. Dentre os convocados do futebol brasileiro, estarão presentes também os goleiros Pedro Morisco (Coritiba) e Otávio (Cruzeiro), os defensores Arthur Dias (Athletico-PR) e Matheuzinho (Corinthians), e os meio-campistas Breno Bidon (Corinthians) e Gabriel Bontempo (Santos).

Zagueiro Arthur Dias foi convocado por Ancelotti
Zagueiro Arthur Dias foi convocado por Ancelotti (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Ancelotti reforçou que não há uma prioridade a jogadores que atuam no futebol brasileiro. Por outro lado, decidiu focar seus primeiros testes na próxima geração do futebol brasileiro — em um trabalho compartilhado com a seleção sub-17 e sub-20, junto à próxima geração olímpica. Neste “intervalo”, estão as promessas do Brasileirão, que já pedem passagem.

Convocação da seleção brasileira para amistosos contra Austrália e Índia

  • Goleiros: Hugo Souza (Corinthians), Pedro Morisco (Coritiba), Otávio (Cruzeiro)
  • Defensores: Arthur Dias (Athletico-PR), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (Arsenal), Jair (Forest), Marquinhos (PSG), Matheuzinho (Corinthians), Mauro Jr (PSV), Vitor Reis (City), Wesley (Roma)
  • Meias: Andrey Santos (United), Breno Bidon (Corinthians), Bruno Guimarães (Arsenal), Danilo Santos (Botafogo), Douglas Luiz (Juventus), Gabriel Bontempo (Santos)
  • Atacantes: Endrick (Real Madrid), Estêvão (Chelsea), João Pedro (Chelsea), Pedro (Flamengo), Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth), Samuel lino (Flamengo) e Vini Jr (Real Madrid)

Ancelotti dá oportunidade a jogadores que já se destacavam no Brasileirão

Além de Danilo Santos, que esteve na última Copa do Mundo, Hugo Souza, Pedro e Samuel Lino já estavam na mira do treinador, e poderiam até ter sido convocados para o Mundial. Os outros seis nomes, estreantes, chegam para iniciar a reformulação do treinador neste ciclo para 2030.

Breno Bidon, destaque do Corinthians na última temporada, é um dos acertos do treinador na lista. O mesmo vale para Gabriel Bontempo, que tem se destacado em um Santos que tem Neymar e Gabigol como principais estrelas da equipe comandada por Cuca. Em um setor de meio-campo cercado por dúvidas, ambos podem trazer novos estilos à Amarelinha e somam mais de 40 partidas por suas respectivas equipes.

Defensivamente, as apostas em Arthur Dias e Matheuzinho reforçam a necessidade defensiva em buscar novas opções — diante da idade avançada dos titulares da seleção brasileira. Marquinhos, capitão, permanece nesta primeira convocação do ciclo, acompanhado por Gabriel Magalhães e Douglas Santos, que terão todos mais de 32 anos no próximo Mundial.

Bidon, meio-campista do Corinthians
Bidon, meio-campista do Corinthians (Foto: IMAGO / Fotoarena)

— Está é uma lista equilibrada. Jogadores que estiveram na Copa que vão ser importantes para a próxima geração. Temos jovens que têm qualidade para representar o futuro da Seleção. Temos jogadores que agora estão bem no Brasileiro e outros com idade olímpica. Nesse momento precisamos priorizar o jovem que tem qualidade para estar na próxima Copa e Copa América — afirmou Ancelotti, após o anúncio da lista.

Ancelotti admitiu que não conhece todas as suas qualidades de alguns desses jogadores, mas apresentam “potencial para serem observados”, justificando assim os jovens na sua lista.

Na posição de goleiro, o trio Hugo Souza, Pedro Morisco e Otávio substitui Alisson, Ederson e Weverton. Ainda que não tenha fechado as portas para atletas mais experimentados, o treinador mostra que próxima geração será prioridade no trabalho.

— Primeiro, agradecer aos jogadores que já tomaram a decisão de não continuar na Seleção. Agradecer pelo compromisso. Aos outros, não há portas fechadas. Agora, prefiro focar meu trabalho sobre os jovens — afirmou o treinador.

Ancelotti repete estratégia adotada por Ramon Menezes no início da Seleção

Ancelotti tem a garantia de permanecer na seleção brasileira até a Copa do Mundo de 2030. Isto permite que o treinador possa fazer estudos em jogadores avaliados como promessas, algo que já havia sido feito por Ramon Menezes em 2023, quando o treinador das categorias de base da CBF assumiu de forma interina a Amarelinha.

Naquela ocasião, para amistoso contra Marrocos, o treinador levou sete jogadores que atuavam no futebol brasileiro, como Rony e Andrey Santos. Ainda que, em campo, o desempenho não tenha trazido resultados positivos para a Seleção, ajudou a formar a base dos próximos passos da seleção brasileira.

Ancelotti repete esta estratégia. Dos oito estreantes nesta seleção brasileira, seis atuam no futebol brasileiro — apenas Marcos Júnior e Jair, de PSV e Nottingham Forest, não estão no Brasileirão.

— Alguns jogadores do Brasil estão em condição física melhor porque o Campeonato Brasileiro está mais adiantado do que outras ligas, mas não estamos priorizando jogadores que atuam no Brasil. Os jogadores que chamei do Brasileirão estão bem e podem ajudar a Seleção — justificou Ancelotti.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduando pela Cásper Líbero, com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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