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Goleado por 7 a 2 pela Ponte, Figueirense tem só a torcida para se apoiar na Série C

A situação do Figueirense na Série B pareceu ruim já no começo do segundo turno. A campanha terrível fez com que técnicos caíssem, reforços chegassem, a dívida aumentasse e o time afundasse. A despedia da Série B foi um retrato da campanha da equipe: um 7 a 2 sofridos diante da Ponte Preta, no estádio Orlando Scarpelli. Apesar do caos, da falta de perspectivas, da decepção, é a torcida do Furacão que parece capaz de salvar a equipe, como, aliás, já tinha acontecido em 2019.

A rodada passada já tinha sido dramática e dolorosa para os catarinenses. Diante do Juventude, em plena Caxias do Sul, o time saiu vencendo já no final do jogo, mas tomou a virada nos acréscimos. Um prenúncio que nada parecia mesmo funcionar para a equipe dirigida nesta reta final por Jorginho Cantiflas. O treinador, aliás, afirmou que permanecerá no comando da equipe para a próxima temporada, que começa com o Campeonato Catarinense.

Logo depois da confirmação do rebaixamento, na rodada passada, os torcedores do Figueirense trataram de se mobilizar para abraçar o time. Em uma grave crise financeira e de gestão, o Figueira já tinha escapado do descenso na temporada passada por um fio. A troca no comando de quem dirigia o clube teve um custo alto e não ter caído pode ser considerado um milagre. Repetir o feito, com os problemas ainda presentes, parecia ser demais, ainda mais com a crise ampliada pela pandemia da COVID-19, que afetou todos, até os maiores clubes do mundo.

No futebol, o único bem imutável são os torcedores. Eles têm algo imensurável, algo que não pode ser comprado pelos outros clubes, que ofereçam mais alegrias no mercado da bola: a paixão. Quem torce por um time não muda quando o time está mal. Sofre com a dor das quedas, dos problemas, mas está ali, coração batendo apertado. Os torcedores do Figueirense sabem dos problemas administrativos, de gestão, de salários, financeiros. Por isso, muitos dos torcedores do Figueirense estão agindo onde podem: com uma campanha de sócios para que o clube, ao menos, tenha o seu maior patrimônio consigo nesta nova temporada que deve ser dura.

A meta é chegar a 10 mil sócios. É uma tentativa de gerar um pouco mais de receitas para o clube, que vai sofrer uma queda significativa de receitas com a perda dos direitos de TV da segunda divisão. Na Série C, os valores são menores, obviamente, e o impacto tende a se espalhar pela redução de patrocínios também. O número de sócios é o único ponto que depende da torcida.

O Figueirense precisará de uma reformulação para se adequar a uma nova realidade financeira, provavelmente com uma mexida grande no seu elenco. O time deve ser mais modesto, mas isso não impede que seja capaz de competir. Só que para tanto, precisará trabalhar muito melhor do que foi em toda a temporada que se encerra agora para o clube. Essa é justamente a parte mais preocupante para os torcedores.

O Figueirense agora terá a disputa da Série C pela frente e precisará melhorar muito para que a passagem pela terceira divisão seja curta. Os sinais dados nas duas últimas temporadas foram de um time em frangalhos e um clube caindo aos pedaços financeiramente. E sem melhorar significativamente, sofrerá na Série C. Gigantes como Paysandu e Santa Cruz esperam pelo time na terceirona e prometem disputa acirrada.

Figueirense foi um dos beneficiados na Copa João Havelange de 2000

Será a primeira vez que o Figueirense disputa a Série C desde 1999. Ficou em sexto naquela edição, o que faria com que não tivesse direito à disputa da Série B em 2000. Mas eis que veio a Copa João Havelange, e o time foi convidado para o Módulo Amarelo, com os times da Série B e convidados das divisões inferiores, o que incluiu o Furacão.

O time fez uma grande campanha, terminou em segundo na primeira fase e, assim, conquistou uma das vagas para a Série B em 2001. Algo que, assim como muitos movimentos naquela edição, foram questionáveis. Em 2002, o Figueira conseguiu o acesso à primeira divisão. Como já escrevemos em 2014, se o Fluminense tem que pagar a Série C, ele não é o único.

Por isso, a torcida do Avaí fez faixas com o personagem Senhor Barriga, da série mexicana Chaves, cobrando o Figueirense com “Pague a Série C”, como uma reparação histórica de uma dívida não paga. Outros clubes foram beneficiados na manobra de 2000, como o Bahia e o Fluminense, que saltaram divisões naquela disputa.

O Flu tinha subido da Série C para a Série B e o Bahia tinha ficado em terceiro, mas não subiu para a Série A, que só tinha duas vagas. Em 2001 estavam na Série A. Aliás, ambos estavam entre os oito classificados para o mata-mata naquela temporada, o Flu em terceiro e o Bahia em oitavo. O título ficaria com o Atlético Paranaense. O São Caetano, que tinha sido quinto na Série B em 1999, também foi para a primeira divisão em uma manobra. Em 2001, estava na primeira divisão e foi novamente finalista.

 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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