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Felipão salvou o Cruzeiro da Série C, mas deixa o clube depois de promessas não cumpridas

A segunda passagem de Luiz Felipe Scolari pelo Cruzeiro terminou. Nesta segunda-feira, foi anunciado que técnico e clube entraram em acordo para não haver pagamento de multa de nenhum lado, embora o contrato fosse até o fim de 2022 e com uma multa de cerca de R$ 10 milhões. O treinador foi quem decidiu sair, depois de cumprir o objetivo estabelecido na sua contratação na Série B, de salvar o clube do rebaixamento para a Série C. Ele assumiu a equipe em 19º e deixa o deixa em 12º. A situação financeira grave do clube, que tem salários atrasados, deixou o treinador insatisfeito com o andamento das coisas e ele decidiu sair da Toca da Raposa.

É verdade que quando Felipão chegou, em outubro, a situação já era caótica e o técnico sabia disso. Só que tudo se mostrou ainda pior. Apesar das mudanças no elenco ao longo da temporada, o time celeste continuava sem conseguir pagar os salários. Com isso, a situação do time ficou difícil. A recuperação que o técnico gaúcho conseguiu, tirando o clube da zona do rebaixamento, fez com que o embalo permitisse ao time sonhar com G4 e o acesso. Isso logo se diluiu em más atuações, irregularidade e resultados ruins.

Sem mais chance de subir, o afastamento de qualquer chance de rebaixamento só veio na rodada anterior a deste fim de semana, a 36ª. A vitória diante do Operário-PR deixou o time aliviado, sem correr mais riscos de voltar à Série C. A missão de Felipão estava cumprida, mas não que o técnico estivesse satisfeito. Nas últimas semanas, o que vimos foram reclamações constantes do técnico, especialmente por causa dos salários atrasados, mas também com críticas ao elenco. Como falamos por aqui, a permanência na Série B deixa o clube diante de um abismo ainda mais profundo.

Sob o comando do técnico, foram 21 jogos, nove vitórias, oito empates e quatro derrotas. Um aproveitamento de 55% dos pontos. Suficiente para salvar o time de algo vergonhoso, mas insuficiente para ir além disso e tentar o acesso. O problema é que para além de não conseguir subir já nesta temporada, Felipão viu um clube que não teria condições melhores para uma nova tentativa na Série B que começa em maio. Este é um ponto crucial.

Quando foi contratado, Felipão precisou ser convencido. Em um primeiro momento, recusou. O Cruzeiro levou muitas negativas de Lisca, do América Mineiro, Umberto Louzer, da Chapecoense, e Marcelo Chamusca, então no Cuiabá (depois foi para o Fortaleza, mas acabou demitido). Para convencer Felipão, o Cruzeiro aumentou a proposta financeira e prometeu montar um time forte para a próxima temporada. Felipão aceitou, mesmo com a equipe em 19º, com 12 pontos em 15 jogos. A situação era terrível.

As perspectivas do Cruzeiro para 2021 não são melhores do que foi em 2020. Na verdade, é pior: o segundo ano na Série B terá um impacto financeiro grande, especialmente na receita de direitos de transmissão, mas não só. Deve ter receitas reduzidas em outras áreas, o que dificultará mais ainda a montagem do time. Não só o clube não deve ter condições de fazer grandes contratações, como ainda deve ter que enxugar ainda mais a folha salarial.

O próprio Felipão deixou isso claro após o empate por 0 a 0 com o Náutico, neste domingo, no Estádio Independência. “Eu vejo que o Cruzeiro precisa de ajudas externas no aspecto financeiro para que se possa corrigir certas dificuldades. Sem isso, provavelmente o Cruzeiro terá muito mais dificuldades do que teve neste ano (em 2020, na verdade). Eu acho, também, que o Cruzeiro, através da sua direção e das pessoas que aqui trabalham, deve ter um planejamento final, de como conseguir o acesso à Série A”, declarou o treinador, antes mesmo de anunciar o futuro nesta segunda-feira, como citado pelo Superesportes.

“Não podemos ter situação de perda de seis pontos novamente, não podemos ter uma situação de salário de dificuldades, como estamos vivendo. Ou todos se unem em prol de um ideal ou o Cruzeiro vai ter dificuldades de novo. É isso que eu posso fazer. É isso que eu posso ajudar. É isso que vou dizer a todo mundo. Se não tivermos pessoas envolvidas, com condições de ajudar o Cruzeiro no aspecto total financeiro, o Cruzeiro vai passar mais dificuldades ainda”, continuou o treinador gaúcho.

A ideia de uma “ajuda financeira externa” não é algo inventado por Felipão. Quando foi contratado, ele ouviu justamente essa promessa quando foi contratado em outubro. A diretoria do clube vendeu a ideia que parceiros iriam ajudar financeiramente para o clube ter condições de manter o fluxo de caixa e se fortalecer. Um dos principais nomes entre os parceiros é de Pedro Lourenço, do Supermercados BH, mas que tem indicado que não pretende fazer tantos investimentos para salvar o clube. Assim, a diretoria precisará trabalhar para reduzir custos em 2021 e ter uma operação financeira que não tenha tantos prejuízos.

Quem será o técnico do Cruzeiro em 2021?

Felipão não continua nem na última rodada, diante do Paraná. Quem irá dirigir o time é o auxiliar permanente, Célio Lúcio. A diretoria já trabalhava com a possibilidade da saída do técnico gaúcho, que deixava claro publicamente que estava insatisfeito. Sabendo que não poderia prometer mais nada, ainda mais por tudo que deixou de cumprir, levou a um acordo amigável. Mas quem vem para o seu lugar?

A opção que é mais falada no momento, segundo o GE, é um nome mais dentro da realidade de um time de Série B: Felipe Conceição, atualmente no Guarani, e que passou rapidamente, e sem sucesso, pelo Botafogo e pelo Red Bull Bragantino. O principal trabalho que o clube celeste olha, porém, é o que o treinador fez pelo América Mineiro, em 2019. Ele levou o Coelho a brigar pelo acesso até a última rodada e ficou em quinto lugar, um ponto atrás do Atlético Goianiense.

Ainda segundo o GE, Lisca também é um nome avaliado. Ele comandou o acesso do América Mineiro à Série A e a diretoria deve manter o treinador, a não ser que ele não queria permanecer.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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