A campanha do Brusque na Série C tem sido curiosa. A sua primeira participação na competição começou muito bem: cinco vitórias nas primeiras seis rodadas, apenas uma derrota em 12 jogos. E aí, o trem saiu dos trilhos. Foram dez jogos sem ganhar, cinco no Augusto Bauer, onde vinha sendo um mandante perfeito. O jejum de quase três meses sem uma vitória em casa foi quebrado, nesta segunda-feira, e dá para dizer que foi na hora certa. Ao vencer o Ituano, por 4 a 2, o clube catarinense disputará a segunda divisão do Campeonato Brasileiro pela primeira vez desde 1989.

Tudo bem que foram apenas cinco jogos em casa nesse período. E que quatro deles terminaram em empate. E que houve um surto de Covid-19 que afastou a maior parte do elenco. Acontece que essa derrota, na penúltima rodada da primeira fase, foi por 8 a 1 para o Volta Redonda. No jogo final, o Brusque conseguiu um ponto contra o Criciúma e ficou aliviado que o Tombense também não conseguiu vencer o Boa Esporte.

Conseguiu se classificar em quarto lugar no Grupo B. No quadrangular de quartas de final era ano novo, vida nova – embora tenha começado na prática ainda no fim de 2020. A dificuldade para ganhar jogos de futebol do Brusque, porém, continuou. Abriu a campanha com três empates. O jejum de dez jogos foi quebrado no segundo dia do ano, com vitória por 3 a 0 sobre o Volta Redonda. Derrotado pelos goianos no sábado, o Santa Cruz abriu a porta para o Brusque subir com apenas mais um triunfo. A primeira chance era nesta segunda-feira.

Airton abriu os trabalhos ao time da casa com uma batida de perna esquerda de fora da área que o goleiro Pegorari espalmou por cima do travessão e, aos cinco minutos, o placar estava aberto. Marco Antônio recebeu de Ianson dentro da área, entrou pela direita e bateu na saída de Pegorari para fazer 1 a 0. A defesa bateu cabeça e permitiu que o Ituano empatasse, logo na sequência, com Gabriel Taliari.

O ritmo frenético do jogo não dava espaço para respirar. Aos 12 minutos, Garcez cortou a defesa paulista com um passe rasteiro e deixou Thiago Alagoano, livre, cara a cara com Pegorari. O camisa 10 teve categoria para driblar o goleiro antes de chutar ao gol vazio para recolocar o Brusque em vantagem no placar. Com um potente chute de perna esquerda em cobrança ensaiada de falta, Fillipe Souto voltou a igualar o marcador, que assim continuou até o intervalo.

Tudo igual. Ainda bastava ao Brusque vencer os 45 minutos para conquistar o acesso sem precisar se preocupar com a rodada final. Em quatro minutos, a situação ficou muito mais fácil. Alagoano tocou ao bico esquerdo da grande área. Garcez recebeu, abriu à perna direita e, de média distância, acertou o canto de Pegorari com um chute rasteiro. Por via das dúvidas, Ianson mandou a sobra de uma cobrança de falta para o gol e garantiu a vitória por 4 a 2.

O momento do Brusque é especial. O acesso à segunda divisão foi conquistado em sua primeira participação na Terceirona, como campeão da Série D, no mesmo ano em que retornou à final do Campeonato Catarinense. A última vez que decidira o título estadual havia sido em 1992, quando conquistou seu único troféu do torneio. E continua fazendo história com o seu retorno à Série B.

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