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John Textor, dono do Botafogo, pode receber punição histórica; confira quem ele acusou de manipulação

Relator do STJD afirmou que Textor apresentou provas imprestáveis e atacou a honra dos acusados de manipulação no futebol

A situação de John Textor, dono da SAF do Botafogo, pode ficar complicada no futebol brasileiro.

Nesta sexta-feira (5), o STJD publicou o relatório da conclusão do inquérito relacionado as acusações, por parte do empresário americano, de manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro. E o relator recomendou uma punição histórica a John Textor.

O auditor Mauro Marcelo de Lima e Silva, que assina o relatório, recomendou uma série de punições a John Textor pelas acusações, que, somadas, ficaram em 2.340 dias de suspensão e multa de R$ 2 milhões. Esta seria a maior pena já dada a um dirigente da elite do futebol brasileiro pelo STJD.

De acordo com o relator, as provas apresentadas por John Textor são “imprestáveis”. Mauro Marcelo considerou que a atitude do dono do Botafogo seria um ilícito desportivo contra a honra dos acusados de manipulação de resultados.

O inquérito do STJD foi aberto por pedido da Procuradoria do STJD, do Palmeiras, São Paulo, Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo e da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol após as acusações de Textor através de um texto publicado no seu site em março.

O que diz o relatório do STJD sobre John Textor?

Devido aos muitos pedidos de abertura de inquérito contra John Textor e após um pedido do próprio americano para a instauração de uma investigação, o Auditor Relator juntou todos os inquéritos em um só, apresentando o relatório nesta sexta-feira.

Com algumas ironias, o relatório questiona as provas apresentadas por John Textor de manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro de 2023.

O suposto método para detectar manipulação de resultados parece ter saído direto de um filme de ficção científica. Segundo o MATCHFIX® da “Good Game”, esse método seria a verdadeira bola de cristal moderna — diz um trecho do relatório.

O relator, por exemplo, também questiona o uso de dados como distância percorrida, velocidade e tempos de reação para detectar anomalias no futebol. O relator aponta que isso acaba por “ignorar as complexidades de um jogo”.

De acordo com o relatório, “difusão dessas acusações infundadas gerou uma crise de desconfiança no campeonato, exigindo medidas legais para responsabilizá-lo e restaurar a integridade e a credibilidade do futebol brasileiro“.

https://x.com/trivela/status/1808567004640784559

Quem são os jogadores que John Textor acusou de manipulação?

De acordo com o relatório do STJD, a Good Game, empresa contratado por John Textor, apontou “categoricamente” que duas partidas do Campeonato Brasileiro foram manipuladas: Palmeiras 5 a 0 São Paulo, no dia 25 de outubro, e Bahia 1 a 2 Grêmio, no dia 1º de julho.

Outras sete partidas, não citadas no relatório do STJD, apareceram como “suspeitas“.

Além disso, Textor também afirmou que o Palmeiras foi beneficiando com a expulsão de jogadores adversários em cinco partidas:

  • Goiás 0 x 5 Palmeiras
  • Palmeiras 1 x 0 Goiás
  • Palmeiras 1 x 0 Fluminense
  • Palmeiras 1 x 0 Bahia
  • Botafogo 3 x 4 Palmeiras

Na partida Palmeiras 5 a 0 São Paulo, John Textor acusou, sem provas, cinco jogadores de possível manipulação.

  • Diego Costa
  • Rafinha
  • Gabriel Neves
  • Lucas Beraldo
  • Caio Paulista

Já na partida Palmeiras 4 a 0 Fortaleza, pelo Campeonato Brasileiro de 2022, foram quatro jogadores do time cearense acusados por Textor.

  • Juninho Capixaba
  • Tinga
  • Marcelo Benevenuto
  • Fernando Miguel

Sete árbitros também foram citados nas acusações de John Textor e tiveram seus nomes revelados no relatório do STJD.

  • Raphael Claus (duas vezes);
  • Ramon Abatti Abel;
  • Rodrigo José Pereira de Lima (três vezes);
  • Rafael Rodrigo Klein;
  • Rafael Traci;
  • Wagner do Nascimento Magalhães;
  • Sávio Pereria Sampaio;
As principais declarações de John Textor na CPI de Manipulação de Resultados
John Textor compareceu ao Senado para depôr na CPI (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

Por que uma punição histórica?

Na conclusão do relatório, Mauro Marcelo diz que John Textor “praticou diversas infrações“. O relator ainda diz que o “arcabouço probatório é robusto” e demonstra até infrações criminais graves e devastadoras. ]

Por isso, Mauro Marcelo solicitou o encaminhamento do relatória para o Procurador Geral de Justiça do Rio de Janeiro.

No âmbito esportivo, por ter feito as acusações diversas vezes e ter acusado árbitros, jogadores, clubes e entidades, John Textor foi denunciado mais de uma vez nos artigos 221, 243-A e 243-F. As penas somadas totalizaram a multa de R$ 2 milhões e o pedido de suspensão por 2.340 dias.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.
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