Brasil

Palmeiras x John Textor: o que sabemos sobre a briga judicial formada

O dirigente norte-americano do Botafogo já é alvo de pedido de liminar por parte do Palmeiras

O Palmeiras aguarda. Há dois dias, o clube alviverde entrou com um pedido de liminar no STJD para impedir John Textor, dono da SAF do Botafogo, de fazer menção pública ao clube.

O pedido, encaminhado para análise de José Perdiz, presidente do órgão, foi motivado pelas reiteradas acusações, sem provas, de favorecimento ao Palmeiras nos Campeonatos Brasileiros de 2022 e 2023, vencidos pelo Verdão. O clube pede que Textor seja multado em R$ 100 mil a cada menção ou sugestão ao Palmeiras por parte do dirigente.

A liminar é apenas uma parte das atitudes que o Palmeiras pretende mover contra o dirigente na esfera judicial. O clube tem uma estratégia montada para atacar o norte-americano.

Ofensiva

Há três semanas, o clube divulgou um comunicado informando que tomaria medidas legais cabíveis contra o empresário. No clube, o sentimento em relação a Textor é um misto de incredulidade e chacota — tom que fica evidente nos comunicados que o Palmeiras divulga em suas redes sociais.

A alcunha de “caricato” e declarações que o colocam como um “mau perdedor” inconformado, que terceiriza culpas, são uma boa amostra da avaliação da cúpula verde sobre o dirigente.

Textor acusou jogadores do São Paulo, em jogo do ano passado, e Fortaleza, em partida de 2022, de terem apresentado comportamento anormal ao enfrentarem o Palmeiras. Os dois clubes também se manifestaram sobre a questão, rechaçando qualquer acusação.

A que Textor já responde

Ainda neste mês, Textor deve ser chamado para depôr no processo em que é réu por acusar a CBF de corrupção, após a virada heroica do Palmeiras por 4 a 3 sobre o Botafogo, no Brasileiro de 2023.

Na ocasião, ele disse que o campeonato havia virado uma piada e que Ednaldo rodrigues, presidente da CBF, deveria pedir renúncia de seu cargo.

Diz que não está acusando, mas acusa

Após a decepcionante estreia do Botafogo (1 a 3) na Copa Libertadores, derrotado pelo Junior, em pleno Nilton Santos, na noite de quarta-feira (3), o dirigente se defendeu, na zona mista.

— Eu não fiz acusação alguma contra o Palmeiras, eu não fiz acusação alguma contra o São Paulo. O que fiz foi entregar evidências de manipulação de resultado com envolvimento de jogadores. Eu não sei quem fez esses jogadores se envolverem nisso, não sei se foi alguém em particular. Não é meu trabalho. Estou tentando administrar um clube, mas quando isso aconteceu ano passado, e devastou um campeonato, e quando eu descobri o que aconteceu no ano anterior e teve impacto naquele campeonato, contra times totalmente diferentes, e comunidades totalmente diferentes no Brasil, que não tem nada a ver com o Botafogo. Eu vou, sim, fazer algo a respeito — afirmou Textor.

Mas, mesmo aparentando querer diminuir o tom contra Palmeiras e São Paulo, Textor reforçou que o Verdão teria sido o principal beneficiado desse suposto esquema de manipulação de resultados.

— O único vilão é quem está pagando essas pessoas para fazerem isso. Agora, não é um clube específico. Eu posso dizer que, matematicamente, sim, favoreceu significativamente o Palmeiras. Baseado no que vi, mas eu tenho uma visão limitada, eu não tenho poder de investigação. Pode acontecer que eu tenha visto uma forte concentração que afetou o campeonato do ano passado. Pode ir para o outro lado. Pode-se descobrir uma razão diferente para isso. A tecnologia dizer o que aconteceu, mas não o motivo. Me deixem entregar isso aos investigadores, respeitar a Justiça. Nós não sabemos tudo — disse Textor.

— Leila, abaixe suas armas. Você não sabe quais evidências eu entreguei. Julio, São Paulo… Cara, você é meu amigo. Eu não pude falar com você sobre isso devido à natureza das provas que eu tenho — completou Textor, em outro momento, citando os presidentes de Palmeiras e São Paulo.

Mais cedo, Textor prestou depoimento. O dono do Botafogo ficou cerca de três horas conversando com policiais civis e, inclusive, perdeu o começo do jogo contra o Junior Barranquila. Textor classificou o encontro como “maravilhoso”.

— Eu fui à delegacia, entreguei provas e dei meu depoimento. Eu tenho muito mais provas do que um relatório da “Good Game!”. Falei com investigadores independentes e razoáveis que não pareceram estar torcendo para clube algum. É muita informação, são meses de coleta de dados. É o início de um processo muito saudável — disse Textor.

— Nossas evidências são numerosas, universais, abrangentes. É muito mais do que apenas os relatórios que estão sendo falados. Não coloco minha reputação em risco por besteira. Esse papo do tribunal esportivo… Eles precisam levar a sério. Eles sabem muito bem que tento entregar as provas. Eles não têm interesse. Então fomos ao promotor. Tive um encontro maravilhoso com a polícia hoje. É muito para entender — completou o empresário em outro momento.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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