Intensa e efetiva, pressão pós-perda é grande arma do Internacional de Coudet
Conceito muito prezado pelo técnico Eduardo Coudet, a pressão pós-perda do Internacional saltou aos olhos na vitória sobre o Brasil de Pelotas
O Internacional teve um primeiro tempo de luxo na vitória por 3 a 1 sobre o Brasil de Pelotas, na última quarta-feira (14), no Beira-Rio, pela oitava rodada do Campeonato Gaúcho. Em apenas 36 minutos, o Colorado abriu 3 a 0 no marcador. E muito disso passou por um conceito muito prezado pelo técnico Eduardo Coudet: a pressão após a perda da posse de bola, que foi muito bem executada.
Diante de um adversário que já veio recuado, o Inter praticamente não deixou o Brasil passar do meio de campo durante grande parte do jogo. Toda vez que o Xavante retomava a bola, alguém de vermelho já pressionava para roubar. Foi assim, por exemplo, que o Colorado construiu seu segundo gol. Bustos apertou Jefinho, se atirou para evitar o lançamento, e a bola sobrou para Alan Patrick cruzar e Enner Valencia balançar as redes.
🎩🤝🐐
Cruzamento teleguiado do melhor 🔟 da América, para o Gigante ficar 𝙚𝙣𝙣𝙚𝙧𝙜𝙞𝙯𝙖𝙙𝙤! pic.twitter.com/ubWfCFrjRR
— Sport Club Internacional (@SCInternacional) February 15, 2024
Com essa intensa e efetiva pressão pós-perda, o Inter teve amplo domínio da posse de bola ao longo do jogo: 77{62c8655f4c639e3fda489f5d8fe68d7c075824c49f0ccb35bdb79e0b9bb418db} a 23{62c8655f4c639e3fda489f5d8fe68d7c075824c49f0ccb35bdb79e0b9bb418db}. Quando não conseguia retomá-la, matava a jogada para evitar o contra-ataque do Brasil. Tanto é que, mesmo tendo muito mais posse, o Colorado cometeu mais faltas do que o Xavante: 18 a 13.
O argumento sobre a limitação técnica do Brasil, que disputará a Série D do Campeonato Brasileiro, cai por terra quando se lembra que o Inter conseguiu trazer transtorno aos adversários atuando dessa forma no segundo semestre do ano passado, tanto na Libertadores quanto no Brasileirão. No início dos jogos, principalmente no Beira-Rio, o Colorado sufocava e, em geral, conseguia abrir o placar. A dificuldade era sustentá-lo no segundo tempo.
‘Esse fator vai ser fundamental’, diz Lucho González, auxiliar de Coudet
Após a partida contra o Brasil, o auxiliar técnico do Inter, Lucho Gonzáles, explicou como o modelo de jogo está bem assimilado pelos atletas. Apesar da direção colorada ter buscado cinco reforços, o time titular diante do Xavante contou com 10 jogadores remanescentes da temporada passada — Alario foi a exceção.
— Sobretudo há uma forma e uma maneira de jogar que está bem estabelecida. Independentemente dos nomes, é uma proposta que os jogadores gostam, que nós gostamos, que tem um pós-perda agressivo quando a gente não tem a bola. De jogar no campo rival, de muitas finalizações, de muitos cruzamentos — destacou Lucho, que comandou o Inter na ausência de Coudet, que estava suspenso.
Sobre a pressão após a perda da posse de bola, o auxiliar técnico do Inter ressaltou que de nada adianta ela funcionar se o time não for efetivo no último terço de campo. Mas reconheceu que é uma arma importante da equipe de Coudet.
— Se não fizer gol, a roubada de bola não serve para nada, mas logicamente que a gente tem essa ideia de um pós-perda agressivo para tentar a recuperar a bola em campo rival e voltar, novamente, a atacar. A gente sabe que muitos times aqui vêm fechados, e que em algum momento é difícil ter essa paciência, essa circulação de bola que a gente sempre pede. Acho que estamos por um bom caminho, e esse fator vai ser fundamental para ter sucesso na temporada — avaliou.
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‘Gegenpressing’ se popularizou com Klopp
O ‘pós-perda’, também chamado de ‘perde-pressiona’ ou ‘rec-5’, é um conceito que se popularizou no futebol mundial nos últimos anos. O principal expoente dessa postura agressiva em transição defensiva é Jürgen Klopp, que a imprimiu de maneira marcante tanto no Borussia Dortmund quanto no Liverpool. Na Alemanha, a nomenclatura dada é ‘gegenpressing’, que em tradução literal seria algo como ‘contra-pressão’.
Outros treinadores de ponta do futebol mundial, como Pep Guardiola, também trabalham esse conceito à exaustão. No Brasil, Tite o aplicou, com êxito, em seus anos de Seleção Brasileira. Coudet, por sua vez, se destacou por isso já em sua primeira passagem pelo Inter, em 2020, e busca imprimir essa intensidade para roubar a bola logo depois de perdê-la em todos os times que comanda.
Internacional no Campeonato Gaúcho 2024
- 1º lugar com 19 pontos
- 8 jogos, com 6 vitórias, 1 empate e 1 derrota
- 13 gols feitos e 3 gols sofridos
- 79{62c8655f4c639e3fda489f5d8fe68d7c075824c49f0ccb35bdb79e0b9bb418db} de aproveitamento



