Presidente do Inter ignora o Flamengo ao bancar permanência de Roger Machado
Para Alessandro Barcelos, diferença entre os clubes contamina avaliação sobre o trabalho do atual treinador do Colorado que, ainda assim, está na berlinda
Mesmo com duas eliminações em um intervalo de três semanas (Copa do Brasil e Libertadores), o técnico Roger Machado foi mantido no comando técnico do Internacional.
O treinador foi um dos principais alvos da torcida colorada após a derrota do clube gaúcho por 2 a 0 para o Flamengo, em pleno estádio do Beira-Rio, nesta quarta-feira (20), pelas oitavas de final da Libertadores.
Ainda assim, o presidente Alessandro Barcelos considerou a diferença financeira dos clubes ao bancar a permanência de Roger.
O investimento flamenguista na última janela de transferências foi 10 vezes maior em comparação ao do Inter. Os cariocas gastaram R$ 277 milhões, ante a R$ 27 milhões dos gaúchos.
– Acho importante a gente destacar os jogos contra o Flamengo de uma forma, e consideramos, para efeito de necessidade de melhoria, outros jogos – destacou Barcelos na zona mista após o revés em Porto Alegre.
Para o mandatário do Internacional, a amostragem na eliminação para o Fluminense na Copa do Brasil foi mais equilibrada.
– Foram dois adversários distintos. Por isso o recorte dos enfrentamentos contra o Flamengo tem uma relação de superioridade técnica e capacidade de investimento, plantel que, infelizmente, não tivemos força. Outra são os enfrentamentos contra o Fluminense. Aí sim, são equipes mais equilibradas, de perfis semelhantes e houve uma incapacidade nossa de termos a classificação – disse Alessandro.
Conexão com o elenco também respalda continuidade de Roger Machado
Outro motivo que levou à direção colorada a manter Roger Machado no comando do clube é a relação de trabalho entre a comissão técnica e o grupo de jogadores.
Para Alessandro Barcelos, o trabalho do treinador ainda pode render frutos ao Inter.
– Tem de onde tirar. Tem grupo para tirar e comissão técnica que está trabalhando. O Internacional já trocou de treinadores em outros momentos. E quando a gente entende que não tem mais relação de trabalho entre grupo e jogadores e comissão técnica, é o momento de fazer a mudança. Hoje a gente não enxerga isso. A gente entrega um trabalho que ainda pode render frutos.
O presidente do Internacional se apega ao passado recente para ter dias melhores.
No ano passado, Roger Machado assumiu o Colorado no decorrer da temporada, após eliminações do clube gaúcho na Copa do Brasil e na Sul-Americana. E o resultado foi uma arrancada que levou o time à classificação à Libertadores.

Barcelos admite que o Inter não teve perna para sustentar três competições ao mesmo tempo, mas tem expectativas de que agora, somente com o Brasileirão, a equipe gaúcha possa retomar a boa fase e novamente ser promovida à principal competição entre clubes da América do Sul.
– Esse mesmo departamento de futebol, com esses mesmos número de jogadores, enche a mão de resultados bons em outros momentos. E vamos voltar a esses momentos – disse Barcelos, em um primeiro momento.
– O trabalho que é feito por esta comissão técnica e esse grupo, inclusive com a chegada de alguns jogadores, mostrou que foi positivo. Tivemos uma sequência de vitórias importantíssimas no segundo semestre do ano passado, que nos levou à Libertadores. Ganhamos o Campeonato Gaúcho após sete anos sem vencer. E nós iniciamos uma Libertadores num grupo da morte que terminamos em primeiro lugar. Mas fomos para dois mata-matas em que os nossos adversários foram superiores – concluiu o presidente.
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Mesmo poupado, Roger Machado será cobrado por direção do Inter
A manutenção de Roger Machado não significa que o treinador passará ileso às cobranças da direção colorada, principalmente para que haja evolução no desempenho agora que o clube tem apenas uma competição pela frente.
– Futebol é cobrado, é correto, que tenhamos profissionalização. As decisões são tomadas em comum acordo, não são institucionais, diferentemente do que chegaram a dizer que o presidente ou o vice de futebol decide quem vai jogar. Não, são decisões tomadas com a comissão técnica, departamento de futebol, profissionais contratados, e eles são responsáveis e cobrados por isso. E vamos continuar cobrando para acertar o rumo e temos um segundo turno do campeonato pela frente para o segundo turno fazer um grande Campeonato Brasileiro e trazer o torcedor de volta.
Além de Roger Machado, também estão pressionados André Mazzuco (diretor executivo de futebol) e Andrés D’Alessandro (diretor esportivo).



