Herói do Cruzeiro detalha treinos de Fernando Diniz e garante: ‘Dá certo’
Treinador trabalha para implementar seu estilo de jogo na Raposa, que terá dez dias para trabalhar antes do próximo jogo
Há duas semanas no Cruzeiro, o treinador Fernando Diniz trabalha para colocar “sua digital” no futebol da equipe celeste. Após três jogos onde a Raposa se mostrou instável, ainda em adaptação ao estilo autoral do novo comandante, a expectativa é que a pausa para a Data Fifa seja o período ideal para que os atletas assimilem as ideias do técnico.
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Depois de ganharem alguns dias de folga, os jogadores do Cruzeiro se reapresentaram nesta segunda-feira (7) para iniciar trabalhos que prometem ser intensos nos próximos dias.
Fernando Diniz é conhecido por exigir bastante de seus comandados nas atividades, o que é importante para que haja um bom desempenho em campo. O treinador sempre deixou claro que solidariedade, dedicação, coragem, são princípios fundamentais do seu jogo.
É comum que ex-comandados de Diniz comentem sobre sua forma de trabalho, confirmando o caráter intenso, o que mostra os jogadores do Cruzeiro terão muito o que fazer pela frente.
Em entrevista ao Charla Podcast, o ex-volante Hudson, um dos heróis do Cruzeiro na conquista da Copa do Brasil de 2017 — ele marcou o gol que levou a disputa da semifinal, contra o Grêmio, para os pênaltis, e que resultou na classificação azul para a grande final — contou sobre sua experiência sobre o comando de Diniz. Eles trabalharam juntos no São Paulo.
— O Diniz é um cara que eu admiro, apesar de que joguei pouco com ele. Mas admiro. (Joguei com ele) no São Paulo. Quando ele assume, eu tenho pouca minutagem, mas isso não interfere na minha visão de profissional, que eu acho que ele é. É um cara que tem um psicológico muito forte. Vocês devem imaginar, até porque ele é psicólogo. E aí, quando ele acredita muito no jogador, meu irmão, na preleção, ele diz: ‘Meu irmão, você joga pra c…, vai pra cima dos caras, acredita em você’ — contou Hudson.
Segundo o ex-jogador, Diniz tem “o poder de aumentar a autoestima do cara”.
— Normalmente, dá certo — afirmou.

Como são os treinos de Fernando Diniz?
Na entrevista, Hudson revelou alguns detalhes dos treinamentos promovidos por Fernando Diniz e no que o técnico mais se destaca dos outros.
— Eu lembro do primeiro treino dele. Tem um goleiro dentro da área, com a bola, num tiro de meta. E aí ele põe um jogador na lateral, uma fila na lateral, uma fila no meio, na ponta e uma outra. Aí todos os caras têm que vir, o goleiro toca, o cara devolve e muda de fila. Ficou fazendo isso por meia hora. Tinha que jogar com o goleiro. Todo mundo tinha que jogar com o goleiro dentro desse quadrado.
E aí, depois, uma hora e meia só de saída de bola. Ele treinava muito. Ninguém pode falar nada sobre o Diniz, porque o cara trabalha pra caramba. O pessoal diz isso, que ele é o que mais treina — revelou Hudson.
O campeão da Copa do Brasil de 2017 com o Cruzeiro contou, ainda, que quando algum jogador perde a bola na tradicional saída curta dos times de Fernando Diniz, o treinador costuma cobrar os outros jogadores, que não deram boas opções de passe.
— Ele não corrige o portador da bola, ele corrige o suporte. O portador da bola tem que ter duas, três opções de passe. Então, se o portador da bola errar, você não se apresentou, você não mexeu, você não apareceu, você não deu linha de passe — explicou.
‘Se errar, eu seguro a bronca’
Hudson afirmou, também, que Diniz procura passar confiança para seus jogadores a todo o tempo. Segundo ele, o treinador faz todos pensarem que podem trabalhar dentro de seu modelo de jogo. E que o comandante blinda o elenco nos momentos ruins.
— Ele tira esse peso de se errar e tomar um gol. Diz: ‘Erra fazendo o certo. Erra fazendo o que eu pedi que eu seguro a bronca’ — revelou Hudson.
— Ele tinha tanta convicção nessa saída de bola, que muitas das vezes o time titular (nos treinamentos) tinha nove, dez jogadores, e o reserva 12, 13. E mesmo assim (a jogada) saia. Mesmo assim chegava lá no ataque. Era impressionante. É a repetição, a crença. Até a hora que dá errado, né? E quando dá errado é f…— finalizou o ex-jogador do Cruzeiro.



