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Grêmio fecha bom negócio com clube da Premier League, mas venda pode ser ruim para promessa

Tricolor encaminha acordo para vender promessa a equipe que briga pelo topo no Campeonato Inglês

O Grêmio está a detalhes de oficializar a venda de Alysson Edward ao Aston Villa por um valor total de transferência que pode chegar a 12,5 milhões de euros (R$ 79,7 milhões).

O acerto entre os clubes já está alinhado, restando apenas os trâmites legais e burocráticos para que a negociação seja concluída. No acordo, o Villa pagará 10 milhões de euros (R$ 63,8 milhões), com mais 2,5 milhões de euros (R$ 15,9 milhões) em bônus referentes a metas esportivas.

O Grêmio detém 80% dos direitos econômicos do atacante e negocia para que o garoto abra mão dos 10% a que tem direito para aumentar o seu percentual na tratativa.

A negociação é vista com bons olhos pela nova diretoria gremista, que acaba de tomar posse no clube, encabeçada pelo presidente Odorico Roman. Ao mesmo tempo, a transferência à Premier League pode não ser lá muito boa para Alysson neste momento de carreira.

Por que venda de Alysson é boa para o Grêmio…

Revelado nas categorias de base do Grêmio, Alysson estreou pelo clube ainda em 2024, mas só ganhou sequência, de fato, em 2025, sob o comando de Mano Menezes. O jovem atuou em 39 partidas na temporada, dos quais 25, como titular. Foram dois gols marcados e um total de três assistências.

É bem verdade que o Tricolor poderia segurar a venda do atacante, de olho em uma eventual valorização do atleta em 2026. Mas a decisão de vendê-lo de imediato para garantir um bom valor nos cofres é uma certo deixado pela gestão anterior, de Alberto Guerra, e sacramentado pela nova diretoria.

E não apenas porque o Grêmio encerra 2025 “em coma” em suas finanças, como afirmado pelo novo CEO Alex Leitão, ao tomar posse nesta quarta-feira (10).

O Tricolor, de fato, precisa desta receita para ganhar fôlego financeiro e restabelecer seu fluxo de caixa. A venda de Alysson ajuda o clube a cumprir a previsão do presidente anterior, Alberto Guerra, de R$ 241 milhões em receitas potenciais a médio prazo.

Mas além de tudo isso, o Grêmio garante uma boa venda de um jogador que não conseguiu se firmar como titular absoluto ao longo de 2025. E ainda com uma importante valorização. No meio do ano, o clube recusou propostas de 8 milhões de euros por Alysson. Ele sairá por 12.

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…Mas pode ser ruim para o garoto Alysson

Alysson, por sua vez, dá o salto esperado para todo o jogador promissor que mira a Europa. Mas a transferência direto para a liga mais exigente do mundo pode atrapalhar o desenvolvimento do atacante.

Apesar do destaque pelo Grêmio, Alysson teve um 2025 marcado pela irregularidade. Conseguiu ser decisivo na vitória por 3 a 2 sobre o Internacional, no Gre-Nal do Beira-Rio, mas também viveu a oscilação natural para um garoto de 19 anos em sua primeira temporada cheia no profissional.

E é justamente aí que reside a grande dúvida sobre a sua transferência direto para a Premier League: será que Alysson está pronto para enfrentar as exigências da liga mais competitiva do planeta?

Alysson Edward marcou o gol decisivo no Gre-nal do Beira-Rio
Alysson Edward marcou o gol decisivo no Gre-nal do Beira-Rio (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

O garoto tem um exemplo no próprio Grêmio de que chegar à Premier League sem escalas anteriores na Europa pode ser no mínimo complicado.

Em 2024, Gustavo Nunes deixou o clube para defender o Brentford. O atacante tinha números mais consistentes que Alysson. Foram sete gols e quatro assistências em 40 jogos pelo Tricolor. E mesmo assim, ele mal joga em solo inglês. Até agora, foram apenas três jogos — nenhum, nesta temporada.

Alysson chega a um clube de maior hierarquia. O Aston Villa, inclusive, é terceiro colocado e está na cola dos líderes Arsenal e Manchester City. Ou seja: a exigência será ainda maior, para um atacante que sequer conseguiu viver uma temporada inteira consistente no futebol brasileiro.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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