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Godín chega ao Atlético Mineiro para tentar repetir sucesso de outros veteranos no Brasil

Com um currículo invejável, Godín chega de um mau momento na Itália, mas tem qualidade para ser um reforço do Atlético Mineiro na temporada 2022

O zagueiro Diego Godín foi anunciado nesta quarta-feira pelo Atlético Mineiro como novo reforço do clube, que chega logo depois da saída de Junior Alonso, vendido ao Krasnodar, da Rússia. Aos 35 anos, perto de fazer 36 anos, o zagueiro uruguaio vem em baixa da sua passagem pela Itália, mas tem qualidade para chegar ao Brasil e ir bem, especialmente se olharmos exemplos recentes, como o seu ex-companheiro de zaga Miranda, que está no São Paulo.

Godín foi companheiro de Miranda no Atlético de Madrid que foi campeão espanhol em 2013/14. Depois de deixar o Nacional, em 2007, a primeira parada do zagueiro uruguaio na Espanha foi o Villarreal. De lá foi para o Atlético de Madrid em 2010. Foram nove anos jogando pelos Colchoneros e se consolidando como um dos melhores zagueiros do mundo. Sinônimo de liderança, boa leitura de espaço e força no jogo aéreo defensivo e ofensivo.

Pelo Atlético de Madrid, Godín fez 389 jogos, com 27 gols marcados. Conquistou a Copa da Espanha em 2012/13, além de La Liga de 2013/14 e da Supercopa da Espanha também em 2013/14. Venceu duas vezes a Liga Europa (2011/12 e 2017/18) e três vezes a Supercopa da Uefa (2010/11, 2012/13, 2018/19). Deixou o clube homenageado e muito celebrado pelo seu papel na história dos rojiblancos.

A passagem de Diego Godín pela Itália não foi das melhores. O zagueiro chegou muito badalado à Internazionale, em 2019, mas ficou apenas uma temporada no clube de Milão. Foram 36 jogos pelo clube, com dois gols. As atuações não convenceram o clube a mantê-lo e acabou liberado sem custos para o Cagliari, clube que ele escolheu especialmente pela sua família.

Mais uma vez, não teve uma boa temporada. Foram 40 jogos, com um gol marcado. Acabou afastado e treinava sozinho no Uruguai para deixar o clube nesta janela de transferências. O Galo pintou como uma opção de mercado interessante e uma chance de voltar à América do Sul. As temporadas sem brilho na Itália podem causar alguma desconfiança, mas há motivos para acreditar que o zagueiro pode ter sucesso no futebol brasileiro. A começar pelo exemplo do ex-companheiro de zaga.

Miranda voltou ao Brasil no início de 2021, aos 36 anos, vindo de um ano praticamente sem jogar no Jiangsu, da China – que fechou as portas depois de conquistar o título em 2020. Havia desconfianças em relação ao jogador, especialmente na parte física, considerando a idade e o tempo de inatividade. Apesar disso, Miranda, entrou bem e se tornou um jogador importante do São Paulo, com boas atuações individuais.

Hulk, que veio da China para o Atlético, chegou com alguma desconfiança, mas brilhou e se tornou o melhor jogador do país em 2021, sendo o craque do Campeonato Brasileiro e chegou a ser pedido por muitos até na seleção brasileira. É outro exemplo de jogador que voltou, já veterano, e brilhou. Teve também Filipe Luís e Rafinha, que voltaram muito bem ao Flamengo em 2019.

O futebol brasileiro tem um ritmo mais lento que a maioria das ligas europeias mais badaladas. Godín tem como característica um jogo mais posicionado. Não é um jogador de caça ao adversário, como Junior Alonso, que prima pelo aspecto físico. Godín precisará de um companheiro de zaga que tenha características diferentes, ou de um time que não exija que ele faça o combate buscando o adversário, porque a recomposição será um problema.

Um parâmetro interessante pode ser a seleção uruguaia. Pelo Uruguai, Godín não joga desprotegido e consegue ter boas atuações ao lado de outro ex-companheiro de clube, José Giménez, que segue no Atlético de Madrid. Ainda que os charrúas vivam uma fase difícil, individualmente Godín tem correspondido. As Eliminatórias Sul-Americanas são um paralelo mais próximo do futebol brasileiro.

Como o Atlético Mineiro ainda nem técnico oficialmente tem (embora tudo indique que será Antonio “Turco” Mohamed), ainda é difícil pensar como ele será encaixado no time. Qualidade ele tem e precisará ser aproveitado de acordo com as características atuais, e não com aquelas que tinha como jogador do Atlético de Madrid, no seu auge.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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