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Felipão quer ser entendido no Atlético-MG, mas não faz questão de se explicar e não percebe que responde ao torcedor

Felipão segue não sabendo (ou querendo) se explicar, achando ainda que responde aos jornalistas, quando na verdade (não) fala com o torcedor

O Atlético-MG foi derrota pelo América-MG por 2 a 1, mas mesmo assim saiu com a classificação para a final do Campeonato Mineiro. O Galo teve mais uma péssima atuação, tendo apenas os 15 minutos iniciais do segundo tempo (quando marcou) de alívio. Na coletiva pós-jogo, Felipão pediu para ser entendido, mas, mais uma vez, não quis (ou não soube) explicar suas decisões e ainda brigou para deixar claro que saiu satisfeito mesmo achando o desempenho razoável.

O Atlético fez um dos piores primeiros tempos da temporada (e olha que são muitos na concorrência). Felipão optou por um time mais conservador, com a saída do garoto Alisson e a entrada do volante Alan Franco. No segundo tempo, colocou o tão pedido Rubens, abriu Scarpa onde se sai melhor, na direita e voltou a aproximar Paulinho e Hulk. Resultado disso foi o gol de empate.

Logo na primeira pergunta da coletiva, ao ser questionado porque não utiliza os jogadores citados nas posições em questão, além da avaliação do time estar muito abaixo pelos olhos da torcida e da imprensa, Felipão se contradisse ao pedir para ser entendido e, ao mesmo tempo, afirmar que não precisava dar explicação.

A análise que o torcedor faz não é a mesma que nós fazemos. Mas temos que entender o torcedor. Espero que vocês entendam também o técnico. Técnico não tem o que explicar. Os dias das semanas são trabalhados e colocamos o que vemos de melhor nas posições – Felipão

Scolari fez questão de deixar claro que a mudança no time, quando tirou um atacante e colocou um volante, foi pensando em jogar com o regulamento debaixo do braço, já que podia perder por até um gol que ainda se classificava para a final (como aconteceu). Ou seja, o time multimilionário do Atlético, que é, no papel, muito acima do América, rebaixado em 2023 para a Série B, optou por jogar “com medo” ao invés de tentar impor o seu jogo.

Apesar de afirmar que não tinha que dar explicações, Felipão tentou explicar porque o time não desempenhou bem, principalmente no primeiro tempo, com a mudança para um 11 inicial mais conservador, com dois volantes: “Não deu certo, pois entramos sem competir e eles fizeram o gol nos primeiros minutos. Competimos depois dos 15 minutos iniciais e aí as coisas ficaram equilibradas”.

Felipão discute por estar satisfeito com o desempenho razoável do Atlético-MG

Ao ser questionado sobre o desempenho do time do Atlético, Felipão foi curto ao afirmar que “é razoável”. Entende-se, então, que o treinador não está satisfeito com o que o time dele apresenta. Mas não para Scolari. Ele, ao contrário do que todos esperam, até entrou em discussão com um repórter para afirmar estar satisfeito, mesmo com o desempenho não estando bom.

– Já que não tem agradou — disse o repórter – Como? Não me agradou? Eu disse que o jogo foi razoável, mas não que não me agradou – interrompeu Felipão.

Para finalizar o “debate”, Felipão ainda destacou que, independente do time estar bem ou não, ele está na final do Mineiro: “E vou te dizer: O Galo está na final. O que preciso falar mais? É final. Preciso mostrar ou fazer algo diferente? É a 18ª final do Atlético. Mal, da tua parte, ou razoável, da minha, o Galo está na final”. Ou seja, para o treinador, pouco importa o desempenho do time se o Atlético, no fim das contas, chegou a final do fraco Campeonato Mineiro em que ele entrou como fraco-favorito e chega na final de forma “culposa”, quase que sem intenção.

Talvez o treinador passe a se preocupar com o péssimo desempenho do time dele se perder a final para o Cruzeiro, ou se cair rápido na Libertadores, pois não joga bem. Olhar só para o resultado (que, lembrando, foi uma derrota), é muito fácil na hora de analisar. Se ganhou está bom e perder está ruim, realmente não precisa mais de coletiva de imprensa, analistas de desempenho, programas de TV ou mesmo da opinião dos torcedores.

Respostas são para a torcida, não (só) para a imprensa

Quando Felipão opta por debater com jornalista, ou simplesmente não quer explicar o que pensou e o que fez, por que jogador X não é titular, ou por que Y não joga, ele demonstra mais uma vez que não sabe para quem é a coletiva. É claro que quem está ali na frente dele perguntando são os jornalistas, que depois vão trabalhar baseados no que ele disse, mas, por trás de quem pergunta, está o questionamento de milhões de torcedores. Se Scolari não explica ao repórter o que ele questionou, ele está deixando a torcida do Galo na mão. Mas, aparentemente, ter uma relação em que ele escuta e também responde saudavelmente ao torcedor, não é algo que o treinador se esforça para manter no clube.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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