Brasil

Ex-dirigentes do Internacional são condenados à prisão

Vitorio Piffero, ex-presidente do Internacional, e Pedro Affatato, ex-vice-presidente de finanças, foram condenados à prisão por crimes na gestão de 2015/2016 do clube

Dois ex-dirigentes do Internacional foram condenados à prisão, na última segunda-feira (4), após julgamento na 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro. Acusado por estelionato e organização criminosa, o ex-presidente Vitorio Piffero pegou pena 10 anos e seis meses, em regime fechado, e pagamento de multa. Já Pedro Affatato, ex-vice-presidente de finanças, foi condenado a 19 anos e oito meses de regime semiaberto, além de multa. Ambos casos cabem recurso.

A informação foi divulgada inicialmente pelo repórter Fabricio Falkowski, do Correio do Povo. Além de Piffero e Affatato, Carlos Eduardo Marques, Ricardo Bohrer Simões e Adão Silmar de Fraga Feijó também foram condenados por participação em esquema que, conforme as investigações, desviou mais de R$ 13 milhões dos cofres do Internacional durante a gestão de 2015/2016. Paola Affatato Leitão dos Santos foi absolvida.

Investigações do próprio Internacional e do Ministério Público dão conta de que o clube, durante a gestão Piffero, gastou cerca de R$ 9,9 milhões em obras no Beira-Rio — construções não encontradas nas investigações. Também foram confirmados saques realizados que chegam a R$ 18 milhões na tesouraria em adiantamentos, sendo parte deles sem comprovação da despesa.

Essa sentença, que envolve a parte de obras, foi apenas a primeira de outras que ainda virão. Diversos núcleos da gestão Piffero, incluindo o futebol, passam por investigação. Os casos tramitam na Justiça e devem ter desfecho nos próximos meses.

As investigações começaram em agosto 2017, com auditoria realizada pela Ernst & Young, que apontou inconsistências importantes em obras realizadas no entorno do Beira-Rio durante a gestão Piffero. Em outubro daquele ano, os conselheiros do Inter aprovaram relatório de comissão especial que comprovava irregularidade nas contas. A partir daí, o Ministério Público deflagrou a Operação Rebote, que já passou por diversas fases desde então.

Desvios tiveram consequências no futebol do Internacional

No futebol, a principal irregularidade apontada pela quebra de sigilo bancário realizada pelo MP envolvia a contratação do lateral Paulo Cezar Magalhães. Piffero recebeu pelo menos R$ 180 mil do jogador, que atuou apenas nove vezes pelo clube.

Não por acaso, 2016 marcou o único rebaixamento da história do Internacional para a Série B do Campeonato Brasileiro. Já na gestão do ex-presidente Marcelo Medeiros, o clube retornou no ano seguinte e se mantém na elite do futebol nacional desde então.

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Condenações

  • Vitorio Piffero (ex-presidente do Internacional): 10 anos e seis meses de prisão em regime fechado, e 400 dias de multa com pagamento diário de um salário mínimo.
  • Pedro Affatato (ex-vice-presidente de finanças do Internacional): 19 anos e oito meses de prisão em regime semiaberto, e 700 dias de multa com pagamento diário de um salário mínimo.
  • Ricardo Bohrer Simões (engenheiro civil): oito anos e oito meses de prisão em regime fechado, e 300 dias de multa com pagamento diário de um salário mínimo.
  • Adão Silmar de Fraga Feijó (contador): oito anos e oito meses de prisão em regime fechado, e 300 dias de multa com pagamento diário de um salário mínimo.
  • Carlos Eduardo Marques (era ligado à vice-presidência de patrimônio do Internacional): seis anos e 10 meses de prisão em regime fechado, e 150 dias de multa com pagamento diário de um salário mínimo.
Foto de Nícolas Wagner

Nícolas WagnerSetorista

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.

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