Futebol brasileiro

Tim Vickery sobre chegada de estrangeiros: ‘Problema é trazer mediocridade em vez de excelência’

Impactos da presença estrangeira no Brasileirão foi tema no Trivela FC; para Tim Vickery, qualidade deve ser prioridade, não a nacionalidade

Limitar ou não o número de jogadores estrangeiros é um dos debates mais quentes do futebol brasileiro na atualidade. Em 2024, atendendo a uma solicitação dos 20 clubes da Série A do Brasileirão, a CBF ampliou de sete para nove o número de gringos permitidos por equipe. Embora tenha sido aprovada por unanimidade pelos times e validada pela entidade na época, a medida tem gerado polêmica nesta temporada.

Durante o Trivela FC desta terça-feira (15), programa semanal do site no YouTube, Tim Vickery foi questionado se a presença maciça de atletas estrangeiros atrapalha ou favorece o desenvolvimento do futebol nacional. Para o jornalista inglês, as duas coias podem acontecer.

— Acho que é bem capaz de fazer as duas coisas (atrapalha o desenvolvimento do futebol brasileiro e fomenta). Trazer excelência é bom para todo mundo. Quando você traz Jhon Arias, é “aula” para todos no Fluminense, é “aula” para os jogadores das categorias de base do Fluminense até, de ver esse jogador de perto, de aprender, não somente no campo, mas fora de campo também — disse Tim, antes de destacar a parte ruim:

— O próprio Endrick falou que ele aprendeu muito com Gustavo Gómez no Palmeiras. Gómez foi um dos jogadores que ele procurou para escutar conselhos. Então, trazendo excelência é bom para todo mundo. O problema é quando você traz mediocridade, só porque é mais barato. Aí não é bom, porque você não está investindo no seu produto. Trazendo um jogador desse nível (baixo), em vez de abrir possibilidade de aprendizagem, você bloqueia possibilidades de jogar.

Até esta terça-feira (11), o Campeonato Brasileiro 2025 registra 139 jogadores estrangeiros entre os 20 clubes participantes. O total, ainda que elevado, está abaixo dos 164 atletas internacionais que atuaram em 2024, ano que detém o recorde nesse sentido. A tendência, entretanto, é que esse número suba com a reabertura da janela internacional e novas contratações previstas.

Richard Ríos do Palmeiras no Mundial (Foto: Imago)
Richard Ríos do Palmeiras no Mundial (Foto: Imago)

Para Tim, contratar estrangeiros só por contratar, é um equívoco

Na opinião de nomes como Zico, Dunga e Dorival Júnior, o número elevado de gringos vem supostamente atrapalhando o surgimento de novos talentos brasileiros. Há quem discorde disso, e acredite que quanto mais jogadores estrangeiros desembarcarem no Brasil, mais o nosso futebol ganha em competitividade.

Tim tem uma opinião equilibrada sobre o tema. O colunista da Trivela frisa que se for para contratar atletas internacionais, que seja com critério e foco na qualidade técnica. Segundo ele, o futebol brasileiro só tem a ganhar com a presença de jogadores que realmente elevem o nível do campeonato.

Todavia, quando a contratação de gringos se dá somente pelo baixo custo ou por questões de mercado, sem considerar o impacto técnico, isso pode acabar limitando o espaço de jovens talentos locais e empobrecendo o jogo.

— Acho que (o mercado) sempre tem que ficar aberto para trazer excelência. Mas se só trazem porque são “mão de obra barata”, acho um equívoco — frisou Tim.

O programa Trivela FC vai ao ar todas as terças-feiras, às 15h (horário de Brasília), com transmissão pelo YouTube. Sob o comando de Eduardo Deconto, a atração conta com a presença fixa do colunista Tim Vickery, que traz análises e histórias sobre os temas mais interessantes do mundo do futebol.

Caso perca algum programa, todas as edições estão disponíveis no canal da Trivela no YouTube. Se inscreva!

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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