Brasil

Estêvão toma rota oposta à de Endrick no Palmeiras e levanta discussão

Jogador do Palmeiras usa pouco marketing e tem comportamento mais espontâneo em campo

O Palmeiras tinha acabado de fazer o segundo gol, e o Corinthians estava nocauteado em pé, na segunda-feira (1º), no Allianz Parque.

Estêvão então recebeu na linha de fundo, pela direita do ataque, levou para a bandeirinha de escanteio, passou o pé por cima da bola, pedalou e levantou a torcida.

Rodrigo Garro, que afastou o lance, não gostou do sorriso do palmeirense e colocou o dedo no seu rosto. Estêvão o encarou. Mas, ato contínuo, Raphael Veiga veio e deu uma ombrada no argentino pelas costas.

O meia palmeirense acabaria expulso direto, mas o estádio o ovacionou por ter defendido Estêvão, em um clima festivo que perdurou até o fim do 2 a 0.

Raiz

A comparação é inevitável. Afinal, não é todo dia que o mesmo clube forma os dois jogadores de futebol mais promissores do mundo em intervalo de menos de dois anos.

Mas enquanto Endrick parecia calcular cada gesto e quase pedia desculpas aos adversários ao anotar gols, Estêvão mostra uma outra verve.

Há três rodadas, ao marcar o quarto da goleada (4 a 0), pediu silêncio à torcida do Atlético-MG, em plena Arena MRV, por exemplo. Estêvão vem se mostrando aquilo que as redes sociais convencionaram chamar de “jogador-raiz”.

Embora não tenha visto Edmundo, Romário, Túlio e outros, e seja jovem o suficiente para não ter vivenciado nem mesmo o início de Neymar no Brasil, ou a Era Valdivia, no Palmeiras, seu comportamento parece apontar mais para esse lado: da provocação que mexe com a torcida.

Pouco marketing

A atitude mais, digamos, espontânea, se reflete em outros aspectos de sua carreira. Por não ter esse tipo de cuidado, Estêvão lucra pouco com sua imagem.

Jogador mais jovem a assinar com a Nike, aos 11 anos, Estêvão parou por aí em termos de contratos de publicidade ou licenciamento. A multinacional norte-americana é a única empresa que associou sua marca ao futuro jogador do Chelsea.

Já Endrick tinha quase uma mão cheia de parceiros antes mesmo de iniciar seu primeiro ano como jogador profissional no Palmeiras.

Aparecer na mídia por razões alheias ao campo também não parece muito a de Estêvão. O jogador, que não tem assessoria de imprensa, nem mesmo concedeu uma entrevista individual ainda. Mesmo assim, mostra desenvoltura ao microfone.

Na zona mista, após o Derby, falou com tranquilidade sobre o lance com Garro:

— Ali é um clima de jogo, não foi provocativo, é o meu futebol. Algo normal que eu sempre faço, nada provocativo. Acabou pela cabeça quente no momento — disse.

— A personalidade eu sempre tive, desde a base. Isso é muito importante, minha família trabalhou muito a minha cabeça para isso e hoje estar jogando um Derby como titular estou muito feliz.

Discussão

Após a confusão no clássico, alguns analistas criticaram o jogador. Na ESPN, Paulo Calçade chamou a jogada de “lance desnecessário”.

No UOL, Arnaldo Ribeiro, chamou a jogada, pejorativamente, de “Neymarização” do futebol. Mauro Cezar Pereira falou que é muito fácil provocar o adversário quando se está ganhando.  Na TV Gazeta, Tiago Salazar chegou a chamar o atleta de inconsequente.

Mas houve quem defendesse o jogador. No mesmo programa do UOL, Danilo Lavieri ponderou que o deboche e a questão mental fazem parte do futebol.

Na Gazeta, o tetracampeão mundial Paulo Sérgio tratou o lance como normal. Opinião semelhante à do pentacampeão Denilson, na Band.

Pois se a crítica está dividida, na torcida do Palmeiras, há quase uma unanimidade em favor do Cria da Academia.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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