Brasil

Como trabalha a empresa que peita os bilionários e quer entregar SAFs a torcedores brasileiros

Trivela traz detalhes do projeto de "SAF ao povo” e as possibilidades desse modelo de negócio ser implementado no país

A f2o Sports Corporation tem feito uma promessa ousada no mercado do futebol: entregar o poder de decisão à torcida. Na era da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), um grupo de amigos, que se conheceu na Universidade de Stanford (EUA) jogando bola, acredita que pode conduzir essa empresa disruptiva a peitar bilionários a fim de colocar os torcedores – inclusive os brasileiros – no poder. 

Pensando nisso, a Trivela traz os detalhes do projeto de “SAF ao povo” e as possibilidades desse modelo de negócio ser implementado no país.

f2o quer mudar o mercado do futebol

Em novembro deste ano, a f2o iniciou sua primeira campanha de crowdfunding, com a ideia de comprar um clube espanhol – ainda misterioso. O grupo organiza a arrecadação dos valores (superior a  através de sua subsidiária Fan to Owner LLC, que permitirá aos torcedores participarem da propriedade do clube.

– Nesta primeira fase, a f2o Sports irá angariar capital para poder adquirir o primeiro clube. Deverá ser um clube da 2ª ou da 3ª divisão da Espanha. É importante ressaltar que o time a ser adquirido é um meio para chegar a um fim maior: mudar a indústria do esporte como a conhecemos até agora – afirmou Wolfgang Muller, cofundador e CEO da empresa.

Na descrição do crowdfunding, a startup lista benefícios específicos para os compradores das ações, com base nos valores investidos. Para cada unidade comprada, o “proprietário” receberá a possibilidade de ter um voto, por meio de uma plataforma digital. 

Isso significa que quanto mais unidades o torcedor comprar, mais influência terá no processo de tomada de decisão estruturada – aquisições, compra e venda de jogadores, além de mudanças no estatuto e etc. Um formato muito democrático (e também capitalista, é claro rs).

– Assim, a equipe a ser adquirida se tornará uma plataforma para implementar o modelo de negócio da f2o, assim como a forma de administrar as equipes esportivas. É por isso que acreditamos que a aquisição da equipe surge depois de contarmos ao mundo a nossa visão – acrescentou. 

É possível implementar esse modelo de negócio no Brasil?

A ideia é, de fato, muito interessante e pode significar a esperança aos torcedores que não possuem milhões no banco. No entanto, a possibilidade do projeto se tornar uma realidade no futebol brasileiro ainda é muito distante. Pelo menos é o que afirma o especialista Amir Somoggi, fundador da empresa de marketing e comunicação Sports Value.

– O mercado europeu está bem à frente do nosso, por isso é bem mais fácil implementar essa administração. O problema do mercado brasileiro não é a falta de dinheiro, o cerne da coisa está no que é feito com o dinheiro. São muitas camadas no futebol brasileiro… Tem estadual, política, arbitragem, STJD (Supremo Tribunal da Justiça Desportiva) – ponderou o analista. 

Por outro lado, Somoggi relembrou que, recentemente, a Fintech Bloxs, startup de tecnologia e regulação, criou em 2018 uma plataforma de crowdfunding com foco em projetos de alta qualidade, antes restritos a investidores. Ou seja, algo bem semelhante ao que pretende fazer a f2o. A diferença é que o crowdfunding nesse caso não se aplica apenas ao futebol, mas a qualquer grande projeto. 

– É importante entender como esse setor funciona, quais as relações de mercado dentro desse ambiente. Não existe uma receita de bolo para isso. Por isso, acredito que, apesar de ser uma ideia teoricamente boa, estamos longe de ver isso no Brasil.

A SAF é produto da péssima administração do futebol brasileiro

O primeiro clube a se lançar na tendência e anunciar a conversão em SAF foi o Cruzeiro, no dia 18 de dezembro de 2021. E, desde que Ronaldo Nazário adquiriu a propriedade do time  mineiro, por algo em torno de R$ 400 milhões, para garantir 90% do controle sobre a entidade, as coisas começaram a mudar no mercado brasileiro. Outros bilionários começaram a apostar nesse cenário e, cada vez mais, os times se tornam alvo deles.

Leia mais: Atlético-MG encara a realidade com a SAF e traça metas mais conservadoras para 2024

Isso porque o pulo do gato é a saúde financeira dos times. Por exemplo, a aquisição do Cruzeiro só foi possível por conta da administração ruim que a equipe tinha anteriormente, e o contrato de compra de Ronaldo está vinculado à possibilidade real de saneamento das finanças do clube.

Amir Sommogi crê que o futuro do futebol brasileiro tende cada vez mais para o lado dos clubes-empresa, mas descarta a possibilidade de “poder ao povo”. 

– Essa é a nossa realidade hoje, principalmente por conta das más gestões que afundam em dívidas os clubes. Porém, a tendência é que cada vez mais bilionários e fundos de investimento comprem os clubes e não o contrário – concluiu. 

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