Em um momento de questionar responsabilidades, a reportagem do Fantástico sobre o Ninho do Urubu é importante
O papel primordial do jornalismo é o questionamento. Ir atrás dos fatos, averiguar condições, instigar as respostas. E que se respeite o luto das famílias envolvidas na tragédia ocorrida no Ninho do Urubu, muitas interrogações pairam sobre o episódio. A resposta sobre o que levou dez jovens jogadores à morte é, mais do que outra forma de respeito aos que sentem a perda, também uma obrigação. E a resposta tem outras consequências, também para saber de quem foi a culpa no ocorrido, bem como para que desastres do tipo não voltem a acontecer. Enquanto as autoridades e o próprio clube fazem sua apuração, o jornalismo também traz o questionamento ao público.
Nesta segunda-feira, dirigentes do Flamengo se reunirão com autoridades no Ministério Público para apresentar documentos relativos ao Ninho do Urubu. Que o clube assuma sua responsabilidade e dê os primeiros apoios às famílias das vítimas, bem como aos sobreviventes, faz o mínimo. É necessário avaliar o ocorrido e punir os possíveis culpados, diante de uma situação sobre a qual se avalia a sucessão de erros. Por isso mesmo, é importante a reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo, em relação à tragédia. Ela se debruça sobre as informações obtidas até o momento, inclusive sobre os depoimentos dados à polícia, e indaga a postura dos responsáveis pelo Flamengo ao redor do dormitório onde estavam as vítimas.
É fundamental que discussões ligadas ao futebol, em si, sejam deixadas de lado neste episódio. Há um assunto bem mais importante, relativo às decisões de uma “empresa” e à maneira como a tragédia aconteceu. Serão mais algumas semanas até que os detalhes do caso sejam averiguados e as razões venham à tona. O Flamengo, responsável por cuidar dos garotos, também tem a responsabilidade de se abrir às respostas. O jornalismo oferece o questionamento.



