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Em poucos minutos, Guerrero já começou a justificar seu valor ao Flamengo

O peso do negócio é inquestionável. Por mais que o valor do salário não seja unânime entre os rubro-negros, todos concordam sobre as enormes qualidades de Paolo Guerrero. E o atacante precisou de apenas 90 minutos para mostrar que é mesmo um investimento valioso ao clube. Ou até menos tempo. Em dez minutos, já tinha marcado o seu primeiro gol, e em 65 dava a assistência que garantiu a vitória por 2 a 1. O time desacreditado das últimas rodadas conseguiu vencer o Internacional dentro do Beira-Rio. Muito graças ao novo reforço, que, além de se impor individualmente, já demonstrou que pode fazer o time subir a um novo patamar. Os objetivos ainda continuam modestos, diante da proximidade da zona de rebaixamento. Mas as expectativas dos flamenguistas sobre Guerrero são enormes.

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Durante a semana, até se discutiu a possibilidade de Cristovão Borges escalar o peruano logo no time titular. Mais questão de entrosamento do que dúvidas sobre as condições do atacante. Guerrero terminou a Copa América como artilheiro e eleito para a seleção do torneio, encabeçando o Peru rumo ao terceiro lugar. A forma, já estava claro, seguia a melhor possível. E o treinador não precisou pensar muito para tomar a sua decisão, em uma equipe que demonstrou recentemente que ele não tinha muito a perder. No fim das contas, uma escolha que se mostrou bastante acertada.

O Flamengo entrou em campo com um meio-campo mais resguardado pelo trio formado por Cáceres, Jonas e Canteros. O que dava mais liberdade a Guerrero, Emerson Sheik e Éverton à frente. E o gol demorou pouco para sair. Canteros ajeitou a bola (em impedimento) para Guerrero estufar as redes dentro da área. O Inter até tinha mais domínio da posse, embora fosse pouquíssimo agressivo e estivesse desorganizado na defesa. O que abriu as brechas para o Flamengo, bem mais incisivo e eficiente em seus ataques. No segundo tempo, Guerrero fez grande trabalho de pivô e ajeitou para Éverton ampliar. E, com os rubro-negros assustando bem mais, os colorados só conseguiram descontar nos acréscimos, com Ernando.

O Inter, diga-se, fez outra exibição muito abaixo do que já apresentou na Libertadores de 2015 – o que explica a queda vertiginosa do time de Diego Aguirre e, a curto prazo, preocupa para os duelos com o Tigres no torneio continental. Mas não é isso que diminui a grande estreia de Guerrero. Se o que os flamenguistas esperavam era um reforço com grande poder de decisão, o centroavante mostrou a que veio. E, mais do que isso, deu uma injeção de ânimo na equipe. Depois de um bom início de jogo, o Flamengo tinha feito uma atuação sofrível na virada que tomou do Figueirense no último domingo. Além disso, não vinha apresentando padrão, a maior crítica sobre o início de trabalho de Cristovão. A vitória sobre os colorados, além de tudo, indica aquilo que parece ser um caminho.

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Ao longo de seu último ano no Corinthians, Guerrero atuou ao lado de um time bastante dependente de seu faro de gol. Ainda que o time tenha melhorado no aspecto coletivo com Tite, durante a primeira fase da Libertadores (especialmente quando o peruano não esteve em campo), os números traduzem bem como o artilheiro pôde fazer a diferença, mesmo com o fardo sobre as suas costas. Algo no qual o Flamengo deve apostar, ao menos neste início. Até se encaixar como equipe, explorando o grande potencial de seu camisa 9.

O Flamengo não possui elenco para ser rebaixado no Brasileirão, por mais que algumas de suas carências sejam bastante evidentes. No entanto, os péssimos resultados vieram mais pela falta de consistência tática, pelo excesso de erros e também pela ausência de alguém que chamasse mais a responsabilidade para decidir. Com Guerrero, ao menos uma destas questões parece resolvida. E os rubro-negros terão mais calma para se encontrar na competição – desde já, fora da zona de rebaixamento, podendo botar ordem na casa sem tanta pressão. O duelo contra o Corinthians no próximo domingo, dentro do Maracanã (onde o desperdício de pontos tem sido excessivo) é o próximo passo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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