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Em meio à transição, o décimo título do Corinthians na Copinha veio em boa hora

Em quase 50 anos de competição, 10 títulos. Nas últimas 23 edições, oito taças, além de três vices. O domínio do Corinthians na Copa São Paulo é irrefutável. Nenhum outro clube entende melhor a Copinha do que os alvinegros. A hegemonia simboliza um trabalho bem feito nas categorias de base, claro. Mas também indica a gana dos corintianos pelo troféu – para alguns torcedores mais supersticiosos, serve até mesmo de “talismã”, abrindo o ano com o pé direito. E a “boa sorte” conquistada pelos garotos deu certo algumas vezes, como em 1995, 1999, 2005, 2012 e 2015. Desta vez, porém, mais do que as energias positivas, o que o time de Parque São Jorge precisa são boas opções para um elenco em renovação.

Historicamente, a Copa SP ofereceu aos profissionais do Corinthians alguns de seus melhores pratas da casa. Talvez o melhor símbolo desta transição tenha sido Edu Gaspar. O meio-campista marcou o gol do título sobre o Vasco, em 1999, graças a um chutaço de fora da área. Menos de um ano depois, ele estava em campo no Maracanã, entrando no segundo tempo da decisão do Mundial de Clubes e convertendo o quarto pênalti na conquista corintiana. Assim como ele, também despontaram de equipes campeãs jogadores como Zé Elias, Silvinho, Jô, Bobô, Marquinhos, entre outros.

Tite, por mais que tenha feito um excelente trabalho em suas duas últimas passagens pelo Parque São Jorge, não foi exatamente o treinador que aproveitou melhor as categorias de base. Nos últimos tempos, porém, mais do que uma alternativa, a promoção dos garotos se transformou também em necessidade. Não à toa, a presença dos campeões da Copinha de 2015 é mais significativa do que em 2012 ou 2009. Guilherme Arana, Léo Príncipe, Pedro Henrique e Marciel se firmaram no elenco principal, alguns deles já com Tite. Maycon retornou de empréstimo da Ponte Preta e também pode ser uma opção a Fábio Carille.

Na Copa SP 2017, por fim, os méritos do Corinthians na conquista são evidentes. Referendadíssimo por seu trabalho nas categorias de base, Osmar Loss montou uma equipe ofensiva, que conseguiu bater adversários qualificados ao longo do caminho. Os alvinegros encontraram dificuldades na decisão contra o Batatais, muito bem organizado taticamente, mas buscaram a vitória nos minutos finais, após criarem diversas ocasiões ao longo do jogo no Pacaembu. E, depois da comemoração, as expectativas ficam sobre a maneira como alguns dos destaques dos juniores poderão ser utilizados no elenco profissional.

O craque da Copinha foi o meia Pedrinho. A força física pode não ser a principal virtude do garoto, mas sua qualidade técnica sobrou. O duelo com jogadores mais robustos no time de cima pode ser um entrave, embora o talento pese bastante a seu favor. No meio-campo, Guilherme Mantuan demonstrou um equilíbrio imenso. Capitão do time, teve papel importante com e sem a bola. Já no comando do ataque, o centroavante Carlinhos não se cansou de marcar gols. Alto, demonstrou bom poder de fogo e cresceu nos momentos decisivos – justo ele, que correu o risco de amputar a perna por ser vítima de uma bala perdida quando tinha quatro anos. O zagueiro Del’Amore, o lateral Guilherme Romão, o meia Fabrício Oya e o atacante Marquinhos foram outros que se saíram bem no torneio.

Além disso, vale destacar também a força que a torcida do Corinthians ofereceu aos juniores, como costuma fazer na Copa São Paulo. Na decisão, puderam lotar novamente o Pacaembu e comemorar como nos velhos tempos. Agora, resta ver como será a paciência do clube na transição de suas promessas, desde a utilização nos profissionais à possibilidade de empréstimos. A ausência na Libertadores, de certa forma, diminui a pressão e facilita o processo de renovação do elenco. Isso pode ajudar os garotos – que, vale ressaltar, também não precisam ser aproveitados necessariamente agora, completando o seu ciclo de amadurecimento na base. A Copinha, no fim das contas, demonstra qualidade. No entanto, mais importante do que triunfar na base é deixar de ser promessa para se confirmar como realidade.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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