Durval ganhou uma foto na parede. E a seleção?
Houve um tempo em que fui mais radical. Considerava uma atitude pequeno burguesa o fato de se colocar, no vidro do carro, um adesivo explicitando ao mundo em qual faculdade o filho do motorista estudava. Ou o próprio dono do carro. Considerava aquilo um ato de exibição em um país em que a educação era privilégio de poucos.
Hoje, não penso mais assim. É bom ter orgulho de suas conquistas, por que não? Nem me incomoda ir a um médico que coalha a parede de diplomas e de cursos de especialização. Até que dá uma certa confiança a mais.
Se fosse jogador de futebol, colocaria meus “diplomas” na parede. Aquelas fotos posadas de times campeões forrariam meu quarto. Flâmulas, autógrafos, a camisa que troquei com Maradona. Ou Messi. Pelé, não, porque eu sou mais novo do que ele. Gritaria ao mundo que tive êxito, que fui famoso no mais brasileiro de todos os esportes.
Severino dos Ramos Durval da Silva, capixaba que fez sucesso imenso no Sport, deveria fazer isso. Contratar um fotógrafo especial para o jogo contra a Argentina. Contratar uma empresa especializada em clipping e amealhar todos os recortes de jornal em que foi citado.
Chegar à seleção brasileira aos 32 anos é para poucos. Tem de rememorar, tem contar aos filhos. E, se fosse eu, pediria ao filho para contar aos amigos. Tem de contar aos netos. Se fosse eu, até exageraria um pouco. Diria que estava muito bem, que o Santos estava dominando o Brasileiro e que não fui para a Copa por pouco.
É a maior glória para um homem valente e honesto, como Durval. Como Leonardo Silva. É o maior diploma de suas vidas.
Mas, o que ganha a seleção com isso? O que Mano acrescenta ao time que precisa formar para 2014. Não estou discutindo a justiça das convocações. Talvez não haja outros nomes melhores do que os deles nas atuais condições. Mas as atuais condições é que são um problema.
Qual o valor do tal superclássico das américas, se você não pode convocar quem atua fora do país. Se você não pode convocar quem é do Grêmio ou do São Paulo por causa da Sul-Americana? Qual o sentido de um jogo em que as opções de convocação são tão restritas que você chega ao Durval e ao Leonardo Silva?
De que adiantam esses jogos? Um colega aqui do trabalho, nosso artista Luciano, teve uma ideia que eu considero espetacular. Por sua simplicidade e efetividade. As Eliminatórias da América do Sul envolvem nove times. A cada rodada, um deles folga. Por que o Brasil não enfrenta esse time? É data fifa, seria fácil resolver. E a seleção teria feito 18 bons jogos no período de dois anos. Um ótimo treinamento.
Mas a CBF prefere o midiatismo e o imediatismo de um jogo desses contra a Argentina. No ano passado, o centroavante deles era um tal de Gigliotti.
Agueeeenta coração!
PS – A ACEESP – Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo – está premiando os melhores do ano. A votação é aberta ao público. Peço seu voto para a revista espn e para o meu blog. Abaixo, o link:
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