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Disputa no ataque da Seleção fica mais acirrada e Alex Sandro coloca um pé na Copa

Com Neymar e Paquetá consolidados e Raphinha muito bem, ataque da Seleção tem disputa de Vinícius Júnior e Richarlison no time titular e outros, como Gabriel Jesus, por um lugar no elenco

O amistoso do Brasil contra a Coreia do Sul, vencido com autoridade pela seleção brasileira por 5 a 1, deu algumas respostas que o técnico Tite parecia esperar. A principal delas é a lateral esquerda: Alex Sandro foi um dos grandes destaques da partida e, como já é um jogador que conta com a confiança do comandante, colocou o pé na Copa do Mundo. O ataque foi outro setor que ofereceu bons elementos para o técnico avaliar, com Richarlison começando como titular e as entradas de Vinícius Júnior, Gabriel Jesus e Matheus Cunha.

Alex Sandro garantido e disputa pela reserva

A briga pela lateral esquerda parecia a mais aberta no momento da convocação de Tite, com três jogadores chamados. Alex Sandro, que é o titular mais habitual do treinador, além de Guilherme Arana, do Atlético Mineiro, que fez um grande ano de 2021 e é uma renovação no setor, e Alex Sandro, do Manchester United, que teve um crescimento na temporada. A ordem de preferência de Tite parece exatamente essa.

Com a boa atuação de Alex Sandro, parece que ao menos uma das vagas para a Copa será dela. A questão passa a ser a segunda vaga e podemos ter algum indício no próximo jogo, se Tite resolver dar chance para Arana ou Telles. Renan Lodi, que não está nem convocado, parece muito distante neste momento.

Disputa no ataque: Richarlison x Vinícius Júnior e vagas entre os reservas

Richarlison, do Brasil (Lucas Figueiredo/CBF)

No ataque, a disputa está muito mais aberta. Richarlison aproveitou bem a chance, teve uma boa atuação e entendimento afinado com Paquetá e Neymar, especialmente. O jogador ainda fez algo que Tite valoriza muito, que é a movimentação para abrir espaços, além de voltar na marcação quando foi o caso, de modo a tentar dificultar para o adversário.

Só que o melhor jogador de ataque do Brasil na temporada europeia começou no banco: Vinícius Júnior. Ele esteve envolvido na final da Champions League, onde foi inclusive o protagonista com o gol do título, e essa é a razão mais provável de não ter começado o jogo. É evidente que o jogador do Real Madrid está na disputa para estar no time titular, provavelmente com Richarlison e, talvez, com Raphinha.

Tite já testou o time sem um camisa 9, com Neymar e Paquetá revezando na função. Vinícius Júnior atua normalmente pelo lado esquerdo, onde Paquetá e Neymar normalmente atuam. Neymar já mostrou no PSG que pode atuar como um atacante pelo meio, que cria jogadas. Hoje, ele tem características de um criador de jogadas pelo meio, um camisa 10, como é o número que ele usa desde 2014.

Essa é a principal disputa, mas não é a única. Tem jogador disputando vaga na Copa e alguns deles ganharam bons motivos para comemorar. Gabriel Jesus vinha pressionado porque seu nível de atuação pela seleção vinha sendo fraco. O bom fim de temporada pelo Manchester City parece ter recuperado a confiança do jogador, que entrou na partida contra a Coreia do Sul e conseguiu ir bem, ainda que fosse em um momento de muitas mudanças nos dois times. Conseguiu quebrar o jejum de gols e os bons minutos que teve em campo certamente contaram a seu favor.

Outro que atua ali no setor parece ter ficado também um pouco mais perto da Copa. Philippe Coutinho entrou no segundo tempo e marcou um belo gol. Ele parece ser o jogador de confiança do técnico, especialmente se precisar de um substituto para Paquetá, pela capacidade de se adaptar a diferentes posições, seja pela ponta, seja pelo meio, compondo o meio-campo.

Matheus Cunha entrou no jogo e foi bem também nos minutos que teve em campo. Ele está na disputa por uma vaga no elenco que vai à Copa e é um jogador que tem condições de fazer a função de camisa nove, com boa presença física e inteligência de jogo, tanto que ele por vezes era capaz de recuar e trabalhar a bola.

Antony não foi convocado por causa de lesão, mas é quem mais ameaça ainda a posição de Raphinha no timer titular, ainda que o jogador Leeds, por enquanto, pareça seguro no time titular. Sua capacidade de criação pelo lado do campo e finalização de longa distância é uma arma que outros jogadores não usam tanto e pode ser útil para a seleção. Antony é um jogador mais parecido com outros, com dribles curtos e jogadas de linha de fundo.

Alguns nomes que já passaram pela seleção, como Gabigol, parecem fora da briga. Gabigol não conseguiu ser o jogador que se esperava dele na Seleção, ainda que as chances não tenham sido tão contínuas ao longo do ciclo. Ele não conseguiu fazer o que jogadores como Raphinha e Antony, que entraram muito bem e criaram o espaço para que continuassem.  

Meio-campo: Fred garantido e disputas abertas para a reserva

Fred, da seleção brasileira (Lucas Figueiredo/CBF)

No meio-campo, Fred já parece garantido na Copa, mas consolidou ainda mais essa posição. Ele foi muito bem em mais um jogo, fazendo bem a função de marcação sem a bola, avançando a pressão do time para o campo de ataque e tentando recuperar a bola. Ele ainda aparece dentro da área, como foi no lance do primeiro gol.

Bruno Guimarães é quem mais ameaça a posição de Fred no time, ainda que o segundo esteja claramente à frente. Guimarães chegou bem ao Newcastle e já conseguiu se tornar fundamental, chegando bem ao ataque. Os dois parecem estar na Copa do Mundo.

Resta saber se outro jogador que foi muito bem na temporada europeia e não está nesta lista, Gérson, do Olympique de Marseille, ganhará novas chances em setembro. Ele tem potencial para estar entre os convocados e não precisa necessariamente no lugar de nenhum desses dois.

Fabinho, outro jogador do setor, parece garantido para atuar como um reserva de Casemiro. Eventualmente pode disputar a posição, ou mesmo tentar ganhar a vaga de Fred, embora seja mais difícil por característica e porque o técnico não é muito afeito a mudanças que não foram testadas, e essa não foi até aqui. Danilo, do Palmeiras, que foi convocado, não foi relacionado para o amistoso contra a Coreia do Sul e a expectativa é que ele entre contra o Japão para ser observado.

Nomes como Éverton Ribeiro, muito presente durante o ciclo, parece ter ficado para trás, o que faz sentido pensando em quem ele encontrou nesse meio do caminho. Já nomes como Claudinho, que foi bem na seleção olímpica em Tóquio, não ganhou chance e, a esta altura, parece difícil que aconteça. O meia Raphael Veiga, do Palmeiras, é um que espera por chance e que também ainda não aconteceu. Como só resta uma convocação antes da Copa, as chances estão reduzidas.

Disputa aberta e poucos jogos para definição

Gabriel Jesus, do Brasil (Lucas Figueiredo/CBF)

Do grupo de 26 jogadores que vai à Copa (aumentado dos 23 que nos acostumamos a ver desde 2002), temos muitos nomes garantidos ou perto disso. A disputa é pelas últimas vagas no elenco, já que só há mais uma convocação a ser feita.

Tite precisa usar o jogo contra o Japão como uma oportunidade de testar os jogadores. Danilo, do Palmeiras, provavelmente jogará alguns minutos, assim como Guilherme Arana e Alex Telles na lateral esquerda. Provavelmente também teremos Vinícius Júnior jogando mais minutos, talvez até começando a partida. O mesmo com Matheus Cunha, outro que ainda tenta ganhar o seu espaço. Outro nome que precisa de minutos para tentar ganhar seu espaço é Rodrygo, do Real Madrid, que ficou no banco na partida contra a Coreia do Sul e deve ao menos entrar ao longo do jogo contra o Japão.

O próximo jogo do Brasil será contra o Japão no Estádio Nacional de Tóquio, na segunda-feira, dia 6, às 7h20, com transmissão da Globo e Sportv.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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