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Na despedida do Atlético-MG, Rodrigo Caetano fala emocionado da identificação dele e da família com o clube

Rodrigo Caetano aponta o Atlético como o clube em que mais se identificou na carreira e se emociona ao falar da família e o Galo

O Atlético-MG começou o ano com um grande baque que foi perder o diretor de futebol Rodrigo Caetano para a CBF. Na sua despedida do clube, o agora diretor de seleções masculinas falou emocionado sobre a relação dele e da família com o Galo, destacando que foi o clube que mais se identificou.

Não é de hoje que Rodrigo Caetano fala sobre sua relação com o Atlético. Ele sempre destacou, inclusive dias antes da oficialização de sua saída, que aprendeu a gostar e torcer para o clube. Logo na abertura do seu “até logo” ao clube, ele voltou a falar da identificação que teve.

Vocês podem ter certeza que é um clube que marcou muito a minha trajetória, minha e da minha família, que eu vou levar para sempre no meu coração. Me trataram muito de forma diferente – Rodrigo Caetano

Rodrigo destacou que a decisão de deixar o Atlético e aceitar o cargo na Seleção Brasileira foi muito difícil e pessoal, pois recebeu esse convite, ou melhor, convocação, justamente quando estava no clube onde mais se identificou. O diretor não deixou de exaltar também os funcionários do Galo:

– Foram muitos fatores (para a identificação). Claro que as conquistas. Isso aproxima demais, fideliza o torcedor. Mas a forma como eu fui acarinhado. O Galo tem, dentre muitos patrimônios, a sua torcida, a Arena e a Cidade do Galo. Ele tem um patrimônio, que são os seus funcionários. Muitas vezes, trabalham de forma invisível, mas com afinco e uma dedicação que vi em poucos — afirmou.

A família de Caetano e o Atlético

Mais do que uma identificação pessoal com o Atlético, o clube também consegue afetar a família dele. Em todos os jogos praticamente era possível encontrar os filhos do diretor na Arena MRV trajados de Galo da cabeça aos pés, e mostrando que cresceram nesse período do pai no Alvinegro realmente criando laços com o clube.

A Trivela então questionou o agora diretor de seleções sobre essa relação não só dele, mas da família com o Atlético, se ele conversou com os filhos sobre o fato de agora terem que estar longe do time que eles acompanharam de pertinho e criaram sentimentos nos últimos anos. Visivelmente emocionado, Caetano respondeu:

– Pra mim ainda está sendo difícil. Minha família já está no Rio por conta dos pequenos terem escola, mas eles foram bem (bem!) chateados. Eu, como pai, tenho que dizer ‘tenha calma, é por um período’. Marcou muito, pois aqui em BH, qual era o lazer, alegria e união da minha família? Era ir nos jogos do Galo. Foi assim esse tempo todo — disse o diretor, que afirmou que agora os filhos terão que se adaptar a uma nova vida com a esperança de um “até breve”.

A minha relação com o Galo vai ser eterna. Não tem nem como (não ser). Está sendo muito difícil. Laços emocionais com o clube, funcionários e os atletas, então é muito difícil essa despedida – Rodrigo Caetano.

Dever cumprido, mas …

O cargo de diretor de futebol é fatalmente um dos mais difíceis do futebol. A missão de contratar jogadores para montar um time e eles terem que justificar em campo o investimento é sempre difícil. Nunca existiu um diretor que nunca errou, mas como Rodrigo Caetano falou, ele trabalha com “o objetivo de acertar muito mais do que erra”, pois ele sabe que uma hora vai errar. Todos erram.

Diante desse cenário, fazendo um balanço da passagem de Rodrigo pelo Atlético, dá para dizer que ele conseguiu concluir esse objetivo. Erros podem ser apontados, como a contratação de Fábio Gomes, a saída de Savarino, a venda por um valor baixo de Savinho ou até a demissão de Turco (que toda a diretoria já apontou como erro). Inclusive, não ter dado continuidade a trabalhos de treinadores é o que ele vê como um dos pontos mais negativos.

– Erros passam por escolhas equivocadas e com certeza nao ter dado continuidade de uma ano para o outro com os mesmos treinadores. O reinício é sempre doloroso, mas são coisas inerentes ao futebol — destacou Caetano.

Mas, os acertos são maiores e causaram mais impacto. As contratações de Hulk, Nacho Fernández e Paulinho falam por si só. Os títulos conquistados, incluindo um Campeonato Brasileiro que não chegava há 50 anos, a volta do Galo ao posto de um time competitivo e respeitado no Brasil, são alguns desses acertos que, além de mais em quantidade, também são mais pesados do que os erros. Por isso, ele sai sentindo que cumpriu seu dever.

– Saio com o dever cumprido de ter consolidado alguns processos, principalmente no departamento de futebol. De termos hoje uma excelente estrutura física, um processo consolidado no processo de contratação, prospecção e realocação de atletas.

Contratamos pessoas. Gera-se uma expectativa e, por um motivo, lesão ou falta de adaptação, o atleta não consegue entregar. Isso faz parte. Mas acho que acertamos mais do que erramos – Caetano

Faltou algo no Atlético de Caetano

Apesar do dever cumprido, Rodrigo Caetano não pôde deixar de falar que ainda faltou algo: a conquista da Copa Libertadores. O Atlético ficou perto em 2021, quando caiu nas semifinais, segundo o diretor, com “sinais de crueldade”. Mesmo com essa lamentação, ele destacou que é bom “comemorar o que escreveu” na história, pois, às vezes, se chegassem na final daquela edição, talvez não tivessem ganhado a Copa do Brasil daquele ano.

O Atlético sem Rodrigo Caetano … e com Victor

Quem terá a difícil missão de substituir Rodrigo Caetano no Atlético é um dos maiores ídolos da história do clube, o ex-goleiro – santo para o atleticano -, Victor Bagy. Ele era braço direito de Caetano, atuando como gerente, e vai para a sua primeira experiência na função de diretor.

No período em que estava no Atlético, ficou claro que Rodrigo Caetano foi essencial em várias negociações, como nas contratações de Paulinho e Gustavo Scarpa. A experiência, o contato e a lábia do diretor fez diferença  para que o clube pudesse contar com alguns jogadores. Agora, Victor, novato na área, será o responsável por isso.

– É claro que ao longo dos anos você pega um jeito que a gente chama de poder de convencimento. A negociação em si, temos um processo apresentado ao agente. No final, quem decide mesmo é o atleta, e ele precisa estar convencido de que aqui é o melhor lugar. Não vencemos todas, mas muitas, pelo poder de convencimento. Ele (Victor) vai resolver esse método próprio — destacou o diretor, que afirmou que Victor sempre estava junto.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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