Brasil

Sem direção: demissão de Osorio é só mais uma prova que o Athletico-PR não tem convicção

10º técnico em quatro anos: enquanto gestão do Athletico brilha nas finanças, erra e muito nas escolhas de técnicos

Há exatos dois meses, em 3 de janeiro, o Athletico Paranaense confirmava a chegada do técnico colombiano Juan Carlos Osorio. Neste domingo (3), ele já não é mais o comandante do Furacão. A decisão foi anunciada nas redes sociais, sem muitos detalhes dos motivos por trás, após a única derrota do clube na temporada: 1 a 0 para o Londrina, fora de casa, no último sábado (2). Além desse resultado, o treinador de 62 anos se despede com sete vitórias e quatro empates, o que dá 69% de aproveitamento, com 17 gols marcados e seis sofridos. Em 60 dias, a direção athleticana confirmou que não teve convicção em sua ideia anterior para temporada de 2024. Mais uma prova do quanto o clube parece não ter um projeto esportivo, visto as seguintes trocas de comandantes nos últimos anos.

Desde o início de 2020, o Athletico teve, entre efetivos e interinos, 10 técnicos. Foram eles Dorival Júnior, Eduardo Barros, Paulo Autuori, Antonio Oliveira, Alberto Valentim, Fábio Carille, Luiz Felipe Scolari, Paulo Turra e Wesley Carvalho, antes do profe Osorio.

A ironia é que novamente Wesley Carvalho será o treinador provisório da equipe nesse momento, ao lado de Juca Antonello, enquanto o clube busca um substituto para Osorio. Ele assumiu em junho do ano passado após a saída de Paulo Turra (que era bancado por Felipão até o experiente profissional largar o cargo de diretor no CAP e assumir o Atlético Mineiro) e foi “ficando”, por assim dizer.

Publicamente, Wesley era o interino, mas ficou até o fim da temporada no comando do Athletico Paranaense, que caiu na Copa do Brasil, Libertadores e terminou o Campeonato Brasileiro em oitavo, com vaga apenas para próxima Sul-Americana. Mais do que os resultados (terminou com 47% de aproveitamento), o time desempenhava mal e nunca empolgou, motivo para muitas críticas da torcida, que verá, novamente, Wesley como técnico.

Tudo isso comprova o quanto a direção do CAP não sabe o que quer para o cargo de técnico. A questão não é nem que Osorio fazia um grande trabalho, mas é acreditar que em apenas 60 dias um profissional consiga implementar suas ideias de forma plena – em resultado, conseguiu ter constância, mesmo sabendo que o nível do Campeonato Paranaense é muito abaixo. Conhecido por ser um técnico que roda muito o time, estava claro que o colombiano estava tentando entender o elenco e ver o que de melhor poderia tirar dali. Nos dois meses e 12 jogos sob comando do clube, Juan Carlos Osorio utilizou 32 atletas diferentes.

Um levantamento do GE apontou que nunca na história do Brasileirão de pontos corridos, ou seja, desde 2003, o Athletico iniciou e terminou a temporada com um mesmo treinador.

Se na escolha do técnico a gestão é ruim, no restante, toma ótimas decisões

O mais irônico é que a gestão do presidente Mario Celso Petraglia parece não ter direção para técnico, mas em quase todos os outros quesitos é muito profissional. Hoje, a dívida do clube é baixíssima, a direção negociou com o poder público o pagamento da Ligga Arena – na qual o valor pago pelo naming right é próximo dos estádios dos gigantes Palmeiras e Corinthians – e busca uma SAF para potencializar os investimentos. O time que era uma força regional ganhou os holofotes com a conquista de taças nacionais e internacionais neste século.

A gestão esportiva, deficitária na escolha dos treinadores, brilha em contratações por valores baixos. Vitor Roque ser contratado por R$ 24 milhões e vendido ao Barcelona por valores que podem bater os R$ 400 milhões a partir do cumprimento de metas é um “case de sucesso”.

Inclusive, o técnico que assumir o CAP neste momento encontrará um elenco interessante após outra boa janela de transferências do clube do Paraná. O grupo de jogadores se reforçou com estrangeiros que eram alvo de gigantes do Brasil, casos do zagueiro Mateo Gamarra, do lateral Léo Godoy e do atacante Gonzalo Mastriani. Também foram contratados o meia Romeo Benítez, o volante Felipinho e os homens de frente Petterson e Lucas Di Yorio. Antes disso, o novo CEO Alexandre Leitão tinha assumido, substituindo Alexandre Mattos, que foi para o Vasco.

Demissão acontece pouco depois de Tiago Nunes fica livre no mercado

Nas redes sociais, a mobilização da torcida para substituto de Osorio é o retorno de um velho (e vencedor) conhecido. Campeão do Campeonato Paranaense (ainda como treinador dos aspirantes, em 2018), Copa Sul-Americana e Copa do Brasil, Tiago Nunes está livre no mercado e, em teoria, tem o caminho aberto para retornar ao CAP.

Desde a saída de Nunes, o Athletico não teve um técnico tão longevo (ficou do meio de 2018 até novembro de 2019). Enquanto isso, o técnico de 44 anos nunca mais emplacou um trabalho tão bom quanto fez no Rubro-Negro. Seria o cenário perfeito para o retorno, a “redenção” de ambos os lados.

Vale citar que antes de fechar com Osorio, o clube conversou com Cuca e Domènec Torrent, ex-Flamengo, além de sondar Fernando Gago e Gabriel Milito.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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