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Juan Carlos Osorio é novo técnico técnico do Athletico-PR: conheça estilo de jogo, carreira e conquistas

'Profe' Juan Carlos Osorio treinou o São Paulo em 2015 e fez sucesso treinando no Atlético Nacional da Colômbia

Conhecido como El Lorde, pela sua classe e elegância à beira do campo e também como El Recreacionista por adotar um estilo de jogo nada ortodoxo em suas equipes, o colombiano Juan Carlos Osorio, aquele mesmo que treinou o São Paulo durante cinco meses em 2015 e ganhou mais notoriedade no Atlético Nacional, é o novo treinador do Athletico Paranaense. O Furacão esperava por uma resposta do espanhol Domenéc Torrent, mas mudou de planos e anunciou o colombiano de 62 anos, que estava no Zamalek do Egito.

Juan Carlos Osorio deve chegar ao Brasil nesta sexta-feira (5) para assinar o contrato, que vai valer até o final de 2024 e iniciar sua jornada no Furacão, que tem estreia marcada no Campeonato Paranaense para o dia 17 de janeiro, fora de casa, contra o Andraus. O comandante retorna ao Brasil após cinco anos, já que em 2015 treinou o São Paulo durante 28 jogos, entre maio e outubro. Na ocasião, o treinador acabou saindo do Morumbi, pois recebeu o convite para treinar a seleção do México, que havia demitido Miguel Herrera e foi treinada durante dois meses por Tuca Ferretti de forma interina.

Outra passagem de destaque de Osorio e que talvez tenha o impulsionado a vir para o Brasil pela primeira vez em 2015 foi no Atlético Nacional. À frente do time colombiano, o treinador conquistou seis títulos e chegou a eliminar o São Paulo na Copa Sul-Americana de 2014 na fase semifinal. Nascido na cidade de Santa Rosa de Cabal, o treinador chega à Curitiba com altas expectativas devido ao estilo ofensivo e de intensa movimentação que aplica em suas equipes.

O que esperar de Osorio no Furacão?

A alcunha de El Recreacionista não foi dada a Osorio à toa, o treinador possui um vasto arsenal de métodos de preparação e treinamentos. Além disso, é comum vê-lo à beira do campo com um caderninho e duas canetas para notar aquilo que enxerga em campo e entende que seja positivo ou que precisa de uma certa correção durante a partida. O estilo de jogo de Osorio vai ao encontro do que o Athletico Paranaense vem buscando nos últimos anos, já que o colombiano gosta de ter a posse de bola e jogar de forma ofensiva.

Portanto, a tendência é que o treinador faça o time assumir esta postura em campo, seja dentro ou fora de casa. Sua formação favorita é o 4-3-3, o que não impede que Osorio trabalhe outros tipos de formação, pois tem por costume rodar bastante o elenco e mudar a forma de jogar conforme o adversário. Em seu livro, “O Caderno de Osorio, meu modelo de gerenciamento”, o treinador relata sobre a importância de todos os seus jogadores participarem da temporada para se sentir parte integrante de um projeto futebolístico.

Busco dar participação a todos os integrantes do plantel. No futebol, e em qualquer atividade da vida, o ser humano para sentir-se parte de algo tem que participar, neste caso jogar, para dar sua contribuição.

Por fim, outro ponto a ser observado pelo torcedor do Athletico é o posicionamento do time nas bolas paradas defensivas, já que tem por costume armar seu time com sete jogadores dentro da área, ao contrário do padrão de nove ou até dez atletas posicionados para esta fase do jogo. Isso tem por objetivo gerar superioridade numérica para que no momento da recuperação de bola e da transição ofensiva, a equipe consiga contra-atacar em bloco e possa causar perigo ao adversário.

Histórico de lesões comprometeu a carreira como jogador profissional

Juan Carlos Osorio era meio-campista de origem, talvez por isso um dos pontos em que mais trabalha em seus times seja o carinho com a posse de bola e o fino trato nas conexões em campo para traduzir o domínio em chances de gols. Na década de 1980, se destacou atuando pelo Deportivo Pereira e chegou a vestir as cores da seleção da Colômbia sub-20, na época treinada por José Guevara Salazar, que além de treinador, era matemático, físico, filantropo e importante nome na formação de jovens atletas no país.

Entretanto, a carreira de Osorio como profissional durou apenas cinco anos. Lesões recorrentes o impediram de seguir em frente como atleta e o obrigou a se aposentar de forma precoce. Porém, a paixão pela gestão de pessoas e pelo esporte o fez continuar estudando, se preparando para se manter dentro do cenário futebolístico, atuando como treinador. Em 1990 foi para os Estados Unidos, onde se formou em Ciências do Exercício Físico e Rendimento Humano.

Na Terra do Tio Sam, teve sua primeira experiência atuando em uma comissão técnica como assistente no Staten Island Vipers. Pouco tempo depois, Juan Carlos Osorio foi para a Inglaterra e por indicação de Kevin Keegan conseguiu o cargo de auxiliar técnico do Manchester City. Durante quatro anos nos Citizens, entre 2001 e 2005, o colombiano manteve seu foco nos estudos e conseguiu se licenciar para treinar de forma profissional, além de ter concluído uma pós-graduação em Ciência do Esporte pela Universidade de Liverpool.

Preparo de Juan Carlos Osorio o levou ao sucesso na Colômbia

Retornando para a Colômbia em 2007, era o momento de Osorio colocar em prática tudo o que havia aprendido na Inglaterra e nos Estados Unidos. Em seu primeiro ano como treinador profissional, foi responsável por levar o Millonarios ao 5º lugar do Clausura do Campeonato Colombiano e se classificou para a Copa Sul-Americana daquele ano. Acabou saindo do time em julho para assumir o desafio de substituir Denis Hamlett no Chicago Fire da MLS.

Após 18 jogos, Osorio trocou Chicago por Nova Iorque e assumiu o New York Red Bulls, treinado na época por Bruce Arena, mas que não vinha de bons resultados. Por lá, o colombiano soube finalmente o que era conquistar um título e faturou o caneco da Conferência Leste em 2008. Após quase dois anos, o treinador saiu dos Estados Unidos e seguiu sua carreira no Once Caldas, novamente na Colômbia, onde treinou por 100 partidas, tendo conquistado 48 vitórias, 24 empates e 28 vitórias.

Depois de uma passagem breve pelo Puebla do México, que durou 11 jogos com somente duas vitórias, dois empates e sete derrotas, Osorio retornou pela 3ª vez ao seu país de origem e dessa vez para construir um legado vitorioso no Atlético Nacional. esta foi sem dúvida a passagem mais vitoriosa do treinador no esporte e que lhe rendeu seis títulos, sendo a Copa da Colômbia em 2012 e 2013 a Superliga da Colômbia em 2012, o Apertura e o Finalización do Campeonato Colombiano de 2013, além do Apertura de 2014.

Além disso, foi finalista da Copa Sul-Americana de 2014, perdendo a decisão para o River Plate de Gallardo. Curiosamente, nas semifinais daquela competição, Osorio eliminou o São Paulo, em pleno Morumbi o que fez com que a diretoria são-paulina olhasse com apreço ao trabalho do treinador na Colômbia. Sendo assim, após 287 jogos com o time colombiano, sendo 148 vitórias, 76 empates e 63 derrotas, com aproveitamento de 60,39%, Juan Carlos Osorio veio para o Brasil para treinar o Tricolor Paulista em 2015.

A passagem do treinador pelo São Paulo durou apenas 29 partidas e há quem diga que poderia ter sido bem maior não fosse pelo convite da seleção do México. Adepto a novos desafios, Osorio não pensou duas vezes antes de aceitar treinar os mexicanos e saiu do Brasil pela 1ª vez com um recorde de 13 vitórias, sete empates e nove derrotas. Na época, o Tricolor, comandado por Carlos Miguel Aidar, passava por uma crise política, o que teria deixado o colombiano frustrado e motivado a sair do Morumbi na primeira oportunidade que teve.

Destaque na seleção do México e retorno ao Brasil

A passagem de Osorio à frente do selecionado mexicano durou 52 jogos. Neste período conquistou 33 vitórias, nove empates e sofreu dez derrotas. O seu estilo de jogo agradou a muitos, mas também gerou questionamentos em outros, principalmente por conta dos resultados que não vieram durante a sua passagem. Em 2016, foi eliminado da Copa América Centenário nas quartas de final após goleada de 7 x 0 sofrida para o Chile, mas nem mesmo a vergonha de ter sofrido tal placar derrubou o treinador.

Outra decepção dos mexicanos com Osorio foi a Copa Ouro de 2017, na qual o México sequer chegou até a final. Mesmo assim, o treinador colombiano conseguiu se assegurar no cargo até a Copa do Mundo da Rússia em 2018, na qual talvez tenha conseguido mostrar o real valor de seu trabalho.

Conseguiu a classificação para as oitavas de final do Mundial, no Grupo F, o mesmo da Alemanha e foi responsável por despachar a até então atual campeã da competição ainda na primeira fase. Na estreia, vitória sobre os germânicos por 1 x 0, depois mais um triunfo e classificação diante da Coreia do Sul por 2 x 1 e derrota para a Suécia por 3 x 0 na rodada final da chave.

Nas oitavas, acabou derrotado pelo Brasil por 2 x 0 e deu adeus ao torneio. Foi o último ato de Osorio no México, que depois passou pela seleção do Paraguai, voltou ao Atlético Nacional, passou também pelo América de Cáli até treinar o Zamalek, seu último clube antes de aceitar o desafio de retornar ao Brasil para treinar o Athletico Paranaense.

 

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Existe um ditado que diz que o bom filho a casa retorna não é? Pois bem, sou Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia, de volta ao site após quatro anos, e agora redator do Trivela, um dos maiores portais de futebol do Brasil. Sou jornalista, especializado em Marketing digital e narrador do Portal Futebol Interior e também da RP2Marketing.
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