Brasil

Ídolo do Internacional, D’Alessandro admite rusga com a atual direção e elogia rival

Em entrevista, ex-jogador explicou os motivos pelos quais não vai mais aos jogos no Beira-Rio

Um dos maiores ídolos da história do Internacional, D’Alessandro não frequenta mais o Estádio Beira-Rio. E o motivo não é profissional, mesmo que o ex-jogador tenha iniciado sua carreira fora das quatro linhas como coordenador técnico do Cruzeiro, em 2023. Em entrevista à Rádio Grenal, nesta quinta-feira (16), o argentino escancarou sua rusga com a atual direção colorada.

— Hoje não tenho um cantinho [no Beira-Rio]. Obviamente vocês sabem que eu tinha um camarote, uma parceria com a BRIO, aí eu fui para o Cruzeiro, e hoje não tenho um cantinho. Não estou indo no Beira-Rio por questões que vocês devem imaginar, por ter tido eleições e um monte de coisas que se somaram e que fizeram com que hoje eu esteja um pouco distante do clube. Isso gera, obviamente, uma tristeza em mim. Um pouco decepcionado com as pessoas que trabalham no clube também — afirmou D’Alessandro.

Internacional tem dívida com D’Alessandro, que apoiou candidato de oposição na última eleição

Em julho do ano passado, quando retornou ao Beira-Rio pelo Cruzeiro, o ex-meia do Internacional revelou que a direção colorada lhe devia cinco parcelas de acordo realizado em 2021. Ele cogitava até mesmo entrar na Justiça contra o clube para cobrar o valor de cerca de R$ 3 milhões que tinha para receber.

Após deixar o Cruzeiro, D’Alessandro apoiou Roberto Melo, candidato de oposição, na eleição para a presidência do Internacional, no final do ano passado. Em caso de vitória, o ídolo colorado, inclusive, faria parte do departamento de futebol, assim como Abel Braga. No entanto, Alessandro Barcellos foi reeleito.

D’Alessandro diz que direção do Internacional deveria se inspirar no Grêmio

Motivado por essas questões políticas, ou não, D’Alessandro criticou a maneira como a atual diretoria do Internacional tem tratado seus ídolos na entrevista desta quinta-feira (16). E disse até que deveriam se espelhar no Grêmio, maior rival.

— O Grêmio tem um camarote com os ídolos. Convida os caras, eles vão lá e assistem ao jogo. Até pagam passagem para quem mora fora. Acho que o Inter tem que fazer isso. Tem que resgastar a história do clube. A história do clube é a torcida e os jogadores. A gente passa, né? Mas o que fica para nós quando a gente encerra nossa carreira é o reconhecimento, o respeito. É o mínimo. A gente precisa de carinho. Quando fica distante disso, parece que tu não fez nada — desabafou o ex-jogador, que conquistou Libertadores, Copa Sul-Americana, Recopa Sul-Americana e sete campeonatos gaúchos pelo Inter.

‘Sinto que o contato não é sincero’, acrescenta D’Alessandro

Por fim, D’Alessandro garantiu que seu desabafo não é para pedir algo especial do clube. Mas não escondeu a mágoa pela forma como é tratado pela direção que está no comando do Colorado.

— Não estou pedindo nada para o clube, para ninguém, até porque meus filhos vão nos jogos, sozinhos, com os amigos. A gente paga, somos sócios todos aqui em casa. Se não estou indo é porque não me sinto à vontade. Assisto aos jogos do Inter, acompanho o clube. Não quero me liguem, porque a gente tem contato, e sinto que esse contato não é sincero — lamentou.

Engajado em causas sociais desde os tempos de jogador, D’Alessandro tem ajudado as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Ele também organiza o retorno do Lance de Craque, jogo beneficente anual que acontecia em dezembro, ao final da temporada, em Porto Alegre, e teve sua última edição em 2019. Resta saber se, diante do atrito do ex-jogador com a direção do Inter, o evento será no Beira-Rio.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho e formado em Jornalismo pela PUC-RS, já passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. É, também, coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
Botão Voltar ao topo