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‘Estou aliviado’: Cuca fala pela 1ª vez sobre anulação da condenação por estupro

Novo treinador do Athletico Paranaense teve acusação prescrita pela Justiça da Suíça

Cuca, anunciado como novo técnico do Athletico Paranaense, falou sobre o sentimento de alívio que o tomou após o desfecho da acusação de violência sexual contra uma jovem na Suíça, em 1989, quando ainda jogava pelo Grêmio e foi indiciado juntamente a outros atletas do time gaúcho. Em dezembro de 2023, a Justiça do país europeu anulou a condenação após prescrição do caso. Após sua saída do Corinthians, o treinador contratou duas equipes de advogados para cuidar do caso e tentar promover um novo julgamento na Europa.

Em entrevista ao canal Rede Furacão, o treinador afirmou que, segundo sua defesa, a chance de absolvição era de quase 100%, o que lhe deu uma “injeção de confiança” para continuar trabalhando e ir até o fim para a resolução do caso. Por conta da prescrição, não foi possível marcar um novo julgamento. Para Cuca, o melhor que poderia ser feito era a anulação do processo.

“Segundo os meus advogados, a nossa chance de absolvição era próxima aos 100%. Ninguém tem 100%, mas era próximo. Nos dava uma confiança grande. Infelizmente pela prescrição não pôde e o que de melhor ocorreu foi a anulação. De uma forma, a gente fica muito aliviado”, disse Cuca.

Cuca foi inocentado?

Para entender melhor os motivos que levaram a anulação do processo de Cuca é necessário entender duas coisas. Em 1989, o treinador, ainda jogador do Grêmio, seria representado por Peter Stauffer, que abandonou o caso um ano antes da audiência principal, deixando o ex-atleta sem um representante legal. Outro ponto é que Alex Stival (nome real do comandante) não tinha um registro legal de domicílio em seu nome, portanto, a Justiça não conseguiu comunicar oficialmente sobre a decisão.

Foram estes motivos que levaram a juíza Bettina Bochsler a entender que houve falhas no processo e optou pela anulação do julgamento e da decisão. É necessário pontuar que a prescrição do processo não beneficiou os outros jogadores envolvidos, como o zagueiro Henrique, campeão da Copa do Brasil pelo Corinthians em 1995 e Paulista em 95 e 97 e Eduardo Hamester que não reabriram o caso na Suíça e seguem como condenados. Fernando Castoldi foi considerado cúmplice e recebeu uma pena mais branda do que seu ex-companheiros.

A vítima abusada, Sandra Pfaiffli, já morreu, mas foi procurada pelo mesmo tribunal que julgou, condenou e depois anulou o caso. A Justiça chegou a encontrar um herdeiro da vítima, que optou por não reabrir o caso.

Turbulência em passagem pelo Corinthians fez Cuca revisar o processo

Cuca pediu o desligamento do Corinthians no dia 26 de abril de 2023, momentos depois do time Alvinegro bater o Remo pelo placar de 2 a 0 e avançar para as quartas de final da Copa do Brasil. Por conta da intensa pressão da torcida e da própria imprensa por conta da repercussão da acusação de estupro vinculada ao treinador, o comandante se viu obrigado a tirar um tempo para rever o processo e buscar a resolução do caso antes de voltar ao mercado de trabalho.

Para o profissional de 60 anos, o assunto “estava acabado”, mas diante da repercussão que a sua acusação tomou quando aceitou o desafio de treinar o Corinthians, decidiu dar “dois passos para trás” e resolver sua questão diante da Justiça, ainda que tardiamente, segundo palavras do próprio treinador.

“Aquilo foi uma coisa que marcou muito a mim e à minha família toda. Pus na cabeça que eu tinha que resolver essa situação, ainda que tardiamente. Eu deveria ter feito isso antes. As coisas estavam paradas e na cabeça da gente era uma coisa que já tinha acabado. Eu, como homem, devia ter feito isso ante. Ido atrás e resolvido”, afirmou o treinador.

Cuca também afirmou que sempre tratou de dizer a verdade em seus depoimentos e ainda pontuou o fato da vítima não ter reconhecido o treinador como um de seus abusadores por três vezes. Segundo o técnico, o DNA encontrado na moça foi dado como inconclusivo e o comandante afirma não ser dele. Ainda segundo suas palavras, todos os seus relatos sobre o caso são frutos do seu sentimento mais sincero.

“Sempre falei a verdade. Tem dizeres que a moça reconheceu. Por três vezes não reconheceu e está nos autos. DNA inconclusivo e não é meu. Eles mesmos entenderam que era inconclusivo. São coisas que não encaixo as palavras certas para poder falar, não decoro texto e nada. Falo as coisas do meu coração, do meu sentimento”, complementou.

Treinador projeta trabalho no Athletico em ano do centenário

No próximo dia 26 de março, o Athletico Paranaense completará 100 anos. Ciente de sua responsabilidade à frente deste projeto, Cuca entende que precisará buscar construir o melhor ambiente possível no Rubro Negro para conseguir extrair o máximo dos seus jogadores e conquistar títulos em um ano tão importante para o clube. Durante a entrevista, o treinador afirmou que times que conseguem formar uma “família” no vestiário, tem vantagens sobre os adversários e alcançam seus objetivos.

O primeiro grande desafio de Cuca à frente do Athletico Paranaense acontece neste domingo (10), diante do Londrina, em casa, pelo jogo de volta da semifinal do estadual. O jogo será disputado na Ligga Arena, em Curitiba e a bola começa a rolar a partir das 18h30 (horário de Brasília). Como perdeu o jogo de ida pelo placar de 1 a 0, o Furacão precisa de uma vitória por um ou mais gols de diferença no tempo normal para avançar. Caso vença por um gol, a vaga na decisão será decidida nos pênaltis.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Esse é Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia e da Trivela. Jornalista especializado em Marketing digital é também narrador do Portal Futebol Interior e da RP2Marketing.
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