Por que o Cruzeiro está sendo processado por Milton Nascimento?
Clube se defende de alegação e diz que conteúdo em questão é até uma forma de homenagear o músico
O Cruzeiro está sendo processado por causa do uso da música “Clube da Esquina nº 2”, de Milton Nascimento, em um vídeo compartilhado por Gabigol nas redes sociais.
A gravadora Sony Music e os artistas Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges (do grupo Clube da Esquina) movem processo por “uso indevido” da canção, de acordo com o colunista Anselmo Gois, do jornal “O Globo”. Os pedidos de indenização seriam por danos materiais e morais. Neste último, o valor solicitado pode chegar a R$ 150 mil.
O conteúdo em questão foi publicado pelo atleta no dia 1º de janeiro como forma de anunciar a chegada na equipe celeste. O clube compartilhou as postagens e, no Instagram, ficou como “colaborador”.
Cruzeiro se defende em acusação de ‘uso indevido’

À Trivela, o Cruzeiro afirmou não ter conhecimento de nenhuma citação relacionada a processo, mas declarou que recebeu a notificação extrajudicial há cerca de seis meses. A alegação é de que o clube violou direitos autorais por ter compartilhado a postagem com o atleta, em uma espécie de coautoria.
O time mineiro se pronunciou por meio de nota oficial.
— Não houve qualquer violação autoral por parte do clube, que apenas compartilhou, em formato “collab”, o vídeo postado pelo atleta, que continha fundo musical extraído da galeria musical do Instagram, disponibilizada pela plataforma digital a todos os usuários, com a referência clara aos criadores musicais ao longo de toda a sua exibição — dizia o texto.
A instituição se defendeu ao afirmar que a publicação tinha “apenas cunho editorial, até como uma forma de homenagem ao artista que, em inúmeras ocasiões, declarou ser torcedor do clube”. Além disso, destacou não haver “qualquer edição adicional que justifique violação autoral ou qualquer intuito de exploração da obra musical”.
No domingo (3), a equipe de Milton Nascimento relatou se tratar de uma “ação legítima”. Os artistas alegaram que a música foi usada de forma “claramente promocional” sem autorização ou qualquer conversa prévia, o que configuraria a violação por direitos autorais.
O comunicado afirmou ainda que foram feitas tentativas de resolver a situação de maneira amigável, mas as intervenções teriam sido ignoradas. Além disso, relatou que Milton Nascimento foi alvo de ataques racistas e ofensivos após a notícia do processo.
— Música é trabalho, é sustento, é propriedade intelectual. Assim como um jogador de futebol é remunerado por seu ofício, compositores e artistas também têm o direito de decidir quando, como e por quem podem ser usadas — escreveu a equipe do cantor.
A chegada de Gabigol ao Cruzeiro movimentou bastante as redes sociais. O atacante preparou o anúncio antes da virada do ano, por meio de uma livestream em seu canal do YouTube. Havia uma contagem regressiva que durou 10 dias.
Os conteúdos foram muito compartilhados e, de maneira geral, a transferência teve impacto instantâneo na presença digital do clube na Internet, como mostrou análise da Trivela.



