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Volta do Coritiba à Série A é, acima de tudo, o triunfo do amor de uma torcida por seu clube

Depois de amargar dois anos na Série B, o Coritiba está de volta à elite do Campeonato Brasileiro. A vaga foi conquistada na última rodada da Segundona, disputada neste sábado (30). Fora de casa, o Coxa bateu o Vitória por 2 a 1, com gols do atacante Wanderley, que saiu do banco para ser o herói do acesso.

Se dentro de campo o protagonismo vai ao jogador que fez neste sábado apenas o seu quarto jogo na Série B, fora dele e em toda a campanha de retorno à Série A é impossível não destacar a torcida coxa-branca como grande personagem do acesso, em uma grande demonstração do quão forte pode ser o vínculo entre a massa e a instituição que ela segue.

Mesmo frustrados pela temporada anterior, em que o time acabara em 10º, e com as campanhas no estadual em 2018 e 2019, vendo o Athletico Paranaense ser campeão com sua equipe de aspirantes, os torcedores abraçaram o clube na caminhada até a elite no movimento #RumoAoAltoDaGlória, e o Couto Pereira teve a maior média de público da Série B 2019.

O número de 22.429 pagantes por jogo foi o maior não só da competição, como também da história do Coritiba em edições de campeonatos brasileiros, pela primeira ou pela segunda divisão.

A marca é boa por si só, mas se torna impressionante ao olharmos os públicos do clube nas temporadas anteriores. No primeiro ano da volta à Série B, em 2018, apenas 4.580 pessoas em média estiveram no Couto Pereira. Antes, mesmo estando na Série A entre 2011 e 2017, a maior média alcançada havia sido em 2011, temporada em que o clube retornava à primeira divisão, com 17.863 pessoas.

Média de público do Coxa em edições do Campeonato Brasileiro, Séries A e B, nos últimos dez anos:

Série B 2019 – 22.429 pessoas
Série B 2018 – 4.850 pessoas
Série A 2017 – 14.345 pessoas
Série A 2016 – 9.729 pessoas
Série A 2015 – 14.056 pessoas
Série A 2014 – 12.329 pessoas
Série A 2013 – 14.651 pessoas
Série A 2012 – 12.579 pessoas
Série A 2011 – 17.863 pessoas
Série B 2010 – 16.251 pessoas

Em 2019, a trajetória no Couto Pereira começou com público de 31 mil pessoas, na estreia com vitória sobre a Ponte Preta. Quis a vida que, infelizmente, aquelas dezenas de torcedores comemorassem o início vitorioso na competição em meio à comoção pela morte do ídolo Dirceu Krüger, que falecera cinco dias antes.

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A despedida do Alto da Glória, na 37ª rodada, foi também marcante, mas por motivos apenas positivos. A vitória por 1 a 0 sobre o campeão Bragantino foi vista presencialmente por 39.619 pessoas e impulsionou a equipe para a rodada final, na Bahia.

Comemoração no vestiário após o acesso (Divulgação)

Tal apoio maciço fica ainda maior quando levamos em conta que a torcida coxa-branca abraçou seu time apesar de seus sentimentos em relação à diretoria. Se em diversos casos a forma encontrada pelos torcedores de desafiar dirigentes e decisões do clube é fazê-los sentir no bolso, aqui o público entendeu que, se o acesso fosse acontecer, viria apenas com o seu empurrão. As críticas à hierarquia não cessaram, mas aconteceram paralelamente ao apoio à equipe.

Nas seis oportunidades em que levou mais de 30 mil pessoas ao Couto Pereira nesta Série B, o Coritiba conseguiu quatro vitórias, um empate e sofreu apenas uma derrota. Números que atestam pela influência do torcedor coxa-branca na conquista confirmada neste sábado.

Os dirigentes que não pensem, no entanto, que o acesso é a linha de chegada. Calejada pelas más administrações dos últimos anos, a torcida deverá exercer cobrança grande para que o clube se mantenha na elite. O ótimo momento vivido pelo rival Athletico Paranaense nos últimos anos naturalmente gera essa expectativa. Mas, mais do que isso, o lastro vencedor do campeão brasileiro de 1985 e maior campeão paranaense exige este patamar.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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