Brasil

Corinthians e Vai de Bet: presidente do Conselho nega pedido de reunião sobre contrato

Romeu Tuma Jr. ressalta, em despacho, que ficou sabendo sobre o requerimento através da imprensa

Nesta segunda-feira (6), Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians, negou o requerimento do grupo de oposição, liderado por Andrés Sanchez, ex-presidente do Timão, para convocar uma reunião extraordinária a fim de esclarecer a presença de um intermediário no contrato com a Vai de Bet.

Segundo o documento, ao qual a Trivela teve acesso, Tuma ressalta que não acha razoável confrontar a palavra do presidente Augusto Melo, especialmente quando o mesmo recebe conselheiros que o procuram para conversas informais.

— A melhor forma, talvez, fosse servir-se das Comissões do Conselho Deliberativo ou até com prévio aviso de que a conversa seria formal, neste caso, também seria prudente oficializar e agendar a reunião e/ou encontro através da mesa do Conselho Deliberativo — afirma Tuma em um trecho.

— Não podemos e nem devemos desestimular esses encontros e reuniões informais que servem para melhorar relacionamentos, buscar opiniões e trocar experiências que somem em benefício da Instituição e, até mesmo para que eventuais divergências ou notícias desencontradas se transformem em convergências benéficas ao Corinthians, independentemente de correntes ideológicas da política interna — completa o presidente do CD.

Ainda de acordo com o despacho, Tuma tomou conhecimento do requerimento através da imprensa. Ele esteve em viagem com a família na semana passada e, por isso, só emitiu a resposta, nesta segunda-feira.

— Nesse sentido, para que não seja o Conselho Deliberativo atualizado por notícias da mídia nem versões de conversas, nem sempre precisas e muitas vezes sem o necessário e devido “outro lado”, transformo o Requerimento de Convocação, por não conter amparo estatutário, em Requerimento de Informações, em homenagem ao contraditório, a celeridade, a transparência e a grande maioria dos Conselheiros que a tudo acompanham esperando esclarecimentos.

Oposição precisaria de 50 assinaturas

Apesar de negar a convocação de uma reunião extraordinária, o documento expedido pelo presidente do Conselho ressalta que, para qualquer protocolo ser atendido, os requerentes precisam somar 50 assinaturas no documento. O número está previsto no próprio Estatuto do Corinthians.

No pedido em questão, além de Andrés, assinam: André Negão, que concorreu à presidência contra Augusto Melo; Jorge Kalil, ex-vice-presidente do Timão; e Antônio Rachid, ex-secretário-geral.

— Nesse sentido após protocolo e ampla divulgação midiática, não há possibilidade de se “desprotocolar” para completar as mais 47 assinaturas faltantes para se atender o dispositivo legal, que ainda estaria vinculado a decisão deste signatário e a espera de data oportuna visto que a próxima reunião do Conselho já está pré-agendada inclusive com pauta anunciada na reunião da última semana — pondera Tuma.

Conselheiros tiveram reunião com Augusto Melo

No início do mês de abril, o presidente Augusto Melo teve uma reunião com o grupo opositor para tratar de três pautas: a) o contrato de publicidade com a Vai de Bet; b) contrato de transmissão e acordo com a Brax; c) outros fatos inerentes ao clube social.

Nesta conversa, realizada no Parque São Jorge, estavam Armando Mendonça, vice-presidente, Marcelo Mariano dos Santos, diretor administrativo, Vinícius Cascone, secretário-geral, e Marcelo Eduardo Rodrigues Sales, conhecido como Ninja, atual chefe de gabinete.

Dentre os tópicos conversados, a versão contada por Augusto Melo sobre a negociação com a casa de apostas, relatada na carta, chamou a atenção dos conselheiros. Segundo o presidente, foi a própria Vai de Bet quem procurou o clube. Inclusive, as negociações foram conduzidas por Marcelo Mariano, diretor administrativo. No entanto, o contrato, assinado em janeiro, conta com um intermediário chamado Alex André, dono da empresa Rede Social Media Design LTDA.

De acordo com o contrato com a casa de apostas brasileira, ao qual a Trivela também teve acesso, Alex receberá cerca de 7% de toda a transação, número estabelecido pelo próprio clube por intermediar o patrocínio de R$ 360 milhões.

A reportagem questionou a Vai de Bet sobre o papel do empresário nas negociações. A assessoria de imprensa afirmou que o intermediário participou das trativas, e que o percentual de 7% é de praxe em captação de patrocínio pelos clubes.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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