O Corinthians pode virar SAF? Clube define postura sobre projeto que visa entrada na Bolsa
Augusto Melo, nominalmente, deixa claro que é contrário a negociações que envolvam a troca do clube pelo pagamento das dívidas
Nesta segunda-feira (15), a OTB Sports, empresa de agenciamento de atletas, publicou uma nota afirmando que possui um mandato para negociar a compra do Corinthians. O comunicado confirma a informação trazida pelo jornalista Juca Kfouri em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo, no último sábado (13).
Em contraponto, o Timão também emitiu um informativo negando qualquer contato com a OTB para tratar sobre o assunto.
Na nota publicada pela equipe do Parque São Jorge, Augusto Melo, nominalmente, deixa claro que é contrário a negociações que envolvam a troca do clube pelo pagamento das dívidas.
Pelo menos na gestão de Melo, o Corinthians não pretende virar SAF (Sociedade Anônima do Futebol). O presidente corintiano tem sido enfático nos bastidores do clube alvinegro que não quer ser taxado como o mandatário que vendeu o Timão.
Quem está interessado em comprar o Corinthians?
A OTB Sports tem como sócios Bruno Paiva, filho do ex-jogador e ex-treinador Mário Sérgio Pontes de Paiva, e Marcelo Goldfarb, filho de Bernardo Goldfarb, fundador das lojas Marisa.
Assim como o pai, pessoa ativa politicamente no Corinthians entre as décadas de 60 e 80, Marcelo Goldfarb é declaradamente corintiano e quer participar ativamente dos bastidores do clube de coração.
A ideia, no entanto, é que uma vez comprado pelo grupo, o Timão tenha capital aberto na Bolsa de Valores, permitindo que outros torcedores possam adquirir ações.
A possibilidade de transformação do clube alvinegro em SAF é discutido desde o ano passado nos bastidores corintianos, mas teria aquecido em 2024, com o aumento do endividamento da instituição. Segundo Juca Kfouri, o empresário Igor Zveibrucker teria sido delegado pelo presidente Augusto Melo para tratar sobre o assunto com a OTB, o que teria motivado a empresa escrever o seguinte trecho em seu comunicado.
— A OTB esclarece ainda que não conversará com nenhum personagem sem vínculo estatutário com o Sport Club Corinthians Paulista. A menos que este esteja formalmente mandatado pelo atual presidente. Esclarecimento este que normalmente não se faz necessário, mas que neste contexto específico de caos e desordem, se faz obrigatório.
Em contraponto, o Corinthians afirma que “não autorizou qualquer terceiro a representar a instituição em qualquer tratativa envolvendo a questão”.
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O Corinthians pode se transformar em SAF?
Atualmente, o Estatuto Social do Corinthians não prevê que o clube se torne SAF. Existem algumas discussões para que aconteça uma reforma neste regimento interno, mas nenhuma delas aborda uma possível facilitação para o Timão poder ser comprado.
O principal ponto de debate é a ampliação no quadro de torcedores aptos a votar nas eleições presidenciais. Atualmente, apenas associados do clube social com, no mínimo, cinco anos de título ativo têm direito ao voto. A ideia é que essa margem também possa completar sócios-torcedores.
Algumas sugestões já foram enviadas à Comissão de Reforma Estatutária e a expectativa do Conselho Deliberativo é que sejam votadas pelo órgão até agosto deste ano.
Ainda assim, até mesmo as pessoas que são interessadas na alteração do Estatuto corintiano não possuem grande empolgação em criar mecanismos para facilitar a mudança da instituição para SAF.
A Gaviões da Fiel, principal torcida uniformizada do Corinthians, por exemplo, já se manifestou favoravelmente às alterações estatutárias no clube alvinegro para contemplar um número maior de sócios aptos a votar, mas sempre deixou claro que é contrária que o futebol corintiano seja administrado por uma empresa.
Qual é o tamanho da dívida do Corinthians?
As discussões sobre a transformação do futebol do Corinthians em SAF acontecem em meio ao alto endividamento do clube alvinegro.
De acordo com o último balanço do Timão, referente ao primeiro trimestre de 2024, a dívida da instituição é de R$ 2,1 bilhão, sendo R$ 1,4 bilhão referente ao clube e R$ 717 milhões por conta do financiamento da Neo Química Arena junto a Caixa Econômica Federal.
Assim, ainda que o interesse da OTB Sports seja em abrir capital do Corinthians na Bolsa de Valores, a ideia é que inicialmente o valor investido para a compra do futebol corintiano seja para controlar o débito da equipe.
A ideia é semelhante ao que o departamento financeiro corintiano debatia no fim do ano passado para ajudar no pagamento da Neo Química Arena.Existia um estudo conduzido pelo ex-diretor financeiro Wesley Melo para que o estádio corintiano passasse a ter capital aberto e os torcedores pudessem ajudar na quitação do local através da compra de títulos. O projeto, no entanto, não teve prosseguimento por conta das mudanças políticas do clube alvinegro.



