Brasil

Subestimado? Entenda por que Romero foi para o banco do Corinthians

Com bons números em 2024, Romero divide opiniões e ocupa o banco de reservas desde a chegada de António Oliveira ao Corinthians

Ángel Romero balançou as redes sete vezes em 14 jogos em 2024, uma média de 0,5 gol por partida. Empatado na artilharia da temporada com Yuri Alberto, o camisa 11 foi para o banco depois da chegada do técnico António Oliveira. E essa situação dividiu a Fiel. Enquanto há quem discorde da opção do treinador português, que opta por ter Wesley, Pedro Raul e Yuri entre os titulares do ataque, uma parcela concorda que o paraguaio é de fato um jogador de segundo tempo.

A Trivela conversou com especialistas e levantou números relevantes para tentar explicar a predileção de Romero, que está prestes a se tornar o maior artilheiro estrangeiro da história do clube.

Modelo de jogo

António Oliveira tem apostado num esquema mais ofensivo, com três atacantes. Aliás, o treinador já deixou claro que esse é o modelo que mais o agrada. E essa estratégia não abre muito espaço para Romero. Afinal, as jogadas pelas laterais tornam a bola aérea muito mais explorada. Por conta da altura, Pedro Raul — que tem 1,93 m — é o favorito na posição central de ataque, enquanto Yuri Alberto tem se mostrado um atleta mais completo para a ponta pela velocidade e agilidade.

— Acho que o Antônio Oliveira, como ele gosta de jogar com centroavante, esse homem de referência, um 9 (de origem), nessa disputa Yuri Alberto e Romero, que também são dois jogadores que fazem essa função, o Yuri tem essa polivalência de jogar pelo lado. Entendo que o Yuri Alberto é mais completo do que o Romero. Então assim, se ele gosta e o Pedro Raul tem sido esse cara, que está jogando mais adiante e tal, e o Yuri Alberto jogando mais pelo lado. Nessa disputa com o Romero, as qualidades e a polivalência no caso do Yuri Alberto, elas acabam se sobressaindo em relação ao Romero — disse o apresentador e repórter André Hernan, em conversa com a Trivela.

— Na minha opinião, acho até que o Antônio Oliveira acerta em ter o Yuri Alberto e não o Romero. Acho que o Romero hoje, mesmo sendo um cara identificado com o Corinthians, um cara que é artilheiro do time e tudo mais, tem identificação com o torcedor, é um bom décimo segundo jogador para o time.

Romero é subestimado?

Romero é xodó da Fiel (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

Desde o fim do ano passado, Romero assumiu um papel importante no Corinthians. A saída da Róger Guedes deixou o ataque do Timão carente, e foi com o paraguaio que a comissão técnica encontrou uma saída para preencher a lacuna.

Em 2024, mais uma vez ele teve papel decisivo e está prestes a se tornar o maior goleador estrangeiro da história do clube, com 53 gols — Paolo Guerrero tem 54.

— No caso do Romero, especificamente, eu acho que ele é um jogador subestimado, para dizer o mínimo, para usar uma palavra republicana. Desde a saída do Roger Guedes, entre as semifinais da Copa do Brasil, ele é o jogador mais decisivo no momento crucial da história do Corinthians. Ele foi (decisivo) no ano passado com o Luxemburgo, no ano passado com o Mano, e no começou deste ano também com o Mano. E até com o Antônio Oliveira, ele foi muito importante. Abrir mão de um jogador que está funcionando em favor de um esquema tático que já se mostrou inflexível ou que não encaixa nas peças que o Corinthians tem à disposição, não me parece uma escolha inteligente — afirmou a comentarista Marília Ruiz.

4-3-3 pode ser revisto no futuro?

António havia testado a formação com Pedro Raul e Yuri Alberto mais adiantados, sendo Yuri o homem mais deslocado para a ponta direita, na estreia diante da Portuguesa. Entretanto, naquela ocasião, Pedro Raul sentiu uma lesão ainda no primeiro tempo e deixou o gramado da Neo Química Arena.

Já contra o São Bernardo, no último ato da equipe antes da inter temporada, o treinador português pôde realmente contar com a dupla de ataque Yuri Alberto e Pedro Raul. Os dois resolveram a partida, balançaram as redes e comandaram a vitória por 2 a 0 que colocou o time na terceira fase da Copa do Brasil.

Contudo, já no segundo desafio, a estreia pela Copa Sul-Americana, na terça-feira (2) passada, a dupla não funcionou. A forte marcação do Racing-URU, principalmente em Rodrigo Garro, dificultou muito a chegada da bola no ataque alvinegro. O Timão saiu com o empate amargo do Estádio Centenário, em Montevidéu.

— Entendo que a escalação de Pedro Raul, com o Yuri Alberto e o Wesley pela esquerda só se encaixa nessa, entre aspas, teimosia ou convicção, depende do seu gosto, do técnico, que insiste num 4-3-3. Mas acho que, em breve, ele vai ter que escolher entre a convicção ou a predileção e o elenco do Corinthians. Desde que ele chegou, apesar de não concordar, entendi os argumentos. Ele tentou repetir mais ou menos o que o Mano Menezes fazia em escalação, tentando algumas adaptações, depois desse (período de) treino ficou claro que é isso que ele prefere. Mas o Corinthians não tem pontas, não tem esses jogadores — disse Marília.

— Sou muito entusiasta da ideia de jogar com dois atacantes, mas esse elenco do Corinthians, que tem um único jogador criativo, que fica sendo o Garro, um único jogador com ideias diferentes, que é facilmente marcável, é um time previsível, com jogadores muito espaçados — acrescentou.

Nesta terça-feira (9), o Corinthians volta a campo contra o Nacional-URU (onde assistir), pela segunda rodada da Copa Sul-Americana, na Neo Química Arena, às 19h (horário de Brasília).

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
Botão Voltar ao topo