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Corinthians não tomava cinco gols duas vezes no ano desde 1961

Nos últimos anos, a partir da era Tite, o Corinthians se caracterizou como um time de defesa sólida e de poucos gols sofridos. Em alguns dos jogos deste ano, manteve isso, mas também teve seus momentos de relapso. A goleada sofrida para o Fluminense por 5 a 2 neste domingo foi o segundo jogo em que o time foi vazado tantas vezes no ano. No Paulistão, o Santos também fez cinco no time de Mano Menezes. Apesar da lembrança recente do Corinthians forte na defesa desde 2010, o que aconteceu neste ano foi um recorde de mais de 50 anos quebrado. A última vez que o Corinthians levou cinco gols em dois jogos no mesmo ano foi no longínquo ano de 1961.

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Naquele ano, o time do Corinthians ganhou uma alcunha curiosa: “Faz-me rir”. Inspirados pela música de Edith Veiga, lançada em 1961 e sucesso durante aquela década, os rivais referiam-se ao clube do Parque São Jorge pelo nome da canção. Isso por causa, principalmente, do péssimo início no Paulistão, com sete derrotas e apenas duas vitórias em 11 jogos.

A primeira das goleadas de cinco gols em 1961 veio em um amistoso contra o Boca Juniors, na Bombonera, em 11 de junho. Treinados por Vicente Feola, técnico campeão do mundo pelo Brasil três anos antes, os xeneizes aplicaram impiedosos 5 a 0 no time comandado por Alfredo Ramos, que tinha no gol Gilmar dos Santos Neves, goleiro titular da Seleção de 1958. Grillo, Paulo Valentim, Almir (duas vezes) e Nardiello fizeram os tentos, sendo que quatro deles aconteceram já nos 37 minutos iniciais de jogo.

O segundo jogo de cinco gols sofridos daquele ano veio no Campeonato Paulista, no clássico contra o Santos de 16 de agosto: 5 a 1. Já com Martim Francisco como técnico, o Corinthians viu Pepe dar show, marcando três gols, enquanto Pelé e Coutinho fizeram os outros dois. Quando a partida ainda estava 2 a 0, Joaquinzinho fez de pênalti para o clube do Parque São Jorge, mas isso não deteve os santistas.

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O ano de 2014 do Corinthians não foi tão caótico a ponto de poder ser chamado de “Faz-me rir”, mas a equipe ficou devendo. Em alguns momentos teve até pontos altos, sobretudo contra equipes da parte de cima da tabela. Venceu o líder Cruzeiro duas vezes, bateu o Inter também em ambos os turnos, sem falar o bom desempenho em clássicos em sua nova arena: ganhou os três. Ainda assim, vacilou contra os times mais fracos do campeonato, como na derrota no primeiro jogo na Arena Corinthians, para o Figueirense, além de tropeços contra Botafogo, Criciúma e Bahia, entre outros. Entre partidas em que não se impôs e aquelas em que deixou a vitória escapar, somou 12 empates.

Embora no fim das contas Mano Menezes esteja quase levando o time à Libertadores do ano que vem, a marca negativa de igualar um feito que não era repetido há 53 anos pesa no balanço final de sua temporada de retorno ao clube. Em nenhum momento da campanha de 2014 a equipe empolgou. Pragmática, conseguiu diversas vitórias magras, contando sobretudo com o talento de Paolo Guerrero. O 5 a 2 deste domingo é um carimbo bastante negativo para um ano no mínimo contestável.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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