Corinthians não envia notas fiscais ao MP e corre risco de responder por desobediência
Timão encaminhou apenas faturas dos cartões corporativos entre 2018 e maio de 2025, restando os relatórios de despesas do período
O Corinthians não enviou com totalidade os documentos financeiros solicitados pelo Ministério Público do Estado de São Paulo para investigação de possíveis utilizações indevidas dos cartões corporativos do clube durante as gestões dos últimos três ex-presidentes: Andrés Sánchez, Duílio Monteiro Alves e Augusto Melo.
A Trivela apurou que foram entregues somente as faturas dos cartões corporativos do período, restando os relatórios de despesas.
Essa relação é vista como fundamental para não emperrar a investigação conduzida pelo MP/SP, pois revela a procedência das notas fiscais recebidas pelo Timão no período entre 2018 e maio de 2025.
Nesta segunda-feira (8), o Corinthians emitiu uma nota em que afirma ter protocolado os materiais solicitados pelo Ministério Público e entregue eles à Justiça.
O clube ressaltou que a demora em reunir as informações se deve à subtração de documentos após a invasão ocorrida na sala da presidência corintiana no dia 31 de maio, quando o ex-presidente Augusto Melo tentou retomar a condição através de uma manobra estatutária.
Em contato com a Trivela, o Corinthians reforçou que vai colaborar dentro dos trâmites judiciais legais com as investigações e a única preocupação é não expor o clube para situações que prejudicam a imagem insistucional.
A reportagem soube que esses documentos foram enviados à Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores e, após solicitação do promotor Cássio Roberto Conserino, encaminhada ao Ministério Público.
Cássio teve acesso a esses documentos nesta terça-feira (9), quando identificou a ausência dos relatórios financeiros.
Corinthians pode responder por desobediência
Frente a ausência dos relatórios financeiros, o Ministério Público de São Paulo estuda quais medidas serão tomadas para prosseguir com a investigação.
Existe a possibilidade de que seja solicitada a abertura de um inquérito policial contra o Corinthians por desobediência, já que a investigação se diz a respeito dos cartões corporativos e os relatórios de despesas, e somente os primeiros foram encaminhados.
As medidas a serem tomadas serão discutidas nos próximos dias.
A Trivela apurou que internamente o entendimento das autoridades responsáveis pela investigação é que o clube não tem se comportado como vítima uma vez que dificulta o encaminhamento de documentos fundamentais para o prosseguimento da investigação em que é parte lesada.
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Entenda o caso
No dia 21 de agosto, o promotor Cássio Roberto Conserino enviou ao Departamento de Inquérito Policial (DIPO) solicitando o afastamento cautelar dos últimos três ex-presidentes do Corinthians, Andrés Sánchez, Duílio Monteiro Alves e Augusto Melo, que são investigados e um deles réu por crimes contra o próprio clube.
Através da medida cautelar no qual a reportagem teve a os possíveis, averigua-se os possíveis delitos:
- Apropriação indébita agravada;
- Furto qualificado pelo concurso de agentes e abuso de confiança e/ou estelionato;
- Falsidade ideológica;
- Associação criminosa;
- Suposta lavagem de dinheiro, em um momento investigativo posterior.
Andrés Sánchez e Duílio Monteiro Alves são alvos de Procedimento Investigatório Criminal (PIC), enquanto Augusto Melo foi denunciado pelo Ministério Público por crimes de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro em relação ao caso “Vai de Bet”.



