Brasil

Após criança entrar só de cueca na Neo Química Arena, Corinthians modifica atuação da PM em revistas

Assim como outros clubes, Corinthians adotou segurança privada nas revistas, após Polícia Militar adequar protocolo de segurança para esse fim; entenda

O caso do menino de três anos que foi obrigado pela Polícia Militar a entrar só de cueca em uma partida da Seleção Feminina criou um debate em torno da atuação dos policiais na segurança dos estádios. Há mais de uma década, a PM tem auxiliado os clubes na revista preventiva, mas pela rigidez dos protocolos adotados pelos profissionais de segurança pública, os torcedores podem ser vítimas de situações vexatórias no processo. O que aconteceu com o pequeno Leonardo foi um exemplo claro disso.

No último domingo (25), como informou o colunista Ricardo Perrone, do UOL, o Corinthians reduziu a atuação da PM na revista de vários setores do estádio. A única área que ficou destinada aos policiais foi onde havia a concentração de torcedores organizados. Para as demais entradas, a organização da Neo Química Arena contratou uma empresa de segurança privada para realizar a inspeção do público.

Na partida Brasil e Japão, em dezembro de 2023, vários torcedores foram barrados de entrar na Neo Química Arena com camisas de times. Segundo a própria PM, o protocolo aplicado para a revista foi o de torcida única, em vigor no estado desde 2016. O menino Leonardo estava todo uniformizado e precisou tirar a camisa e o calção, ficando apenas de cueca. No entanto, como se tratava de uma partida amistosa entre duas seleções, não cabia a aplicação do tal procedimento destinado às torcidas dos quatro grandes clubes de São Paulo.

Pouco tempo depois, as mães de Leonardo entraram com uma ação para responsabilizar a Arena Itaquera e a CBF pelo constrangimento sofrido. O processo por danos morais pede uma indenização de R$ 120 mil.

— Essa decisão do Corinthians aconteceu, por “coincidência”, após a repercussão da ação. Eu penso que, em parte, foi por causa dela (a ação), já que tudo começou porque a PM não permitiu a entrada. Se fossem seguranças privados (naquele dia), a comunicação, em teoria, seria mais rápida com o organizador do evento, no caso, a CBF, evitando essa confusão — disse o advogado Higor Maffei Bellini, que representa as mães, Beatriz e Bruna, no processo.

— A autoridade é a mesma para o dono de uma casa de espetáculos e para o dono de um estádio. Ou seja, se um segurança particular pode te revistar e não deixar entrar no show, o mesmo vale para um jogo de futebol — acrescentou.

Vale ressaltar que a segurança privada em estádios tem sido uma tendência no Brasil e no mundo. Em resposta aos questionamentos da Trivela, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e a PM informaram que a “revista é determinada de acordo com cada contexto”.

Questionado pela reportagem, o Corinthians disse que a medida foi adotada na intenção de “aprimorar a operação que envolve o quesito segurança”.

Leia a nota enviada pelo Corinthians na íntegra:

No sentido de aprimorar a operação que envolve o quesito segurança, em um processo que já é adotado em diversos estádios do Brasil e do mundo, o procedimento de revista preventiva de segurança nos portões da Neo Química Arena nas partidas oficiais de futebol, passou a ser realizado pela segurança privada, sob supervisão da Polícia Militar, onde apenas os portões que recebem as torcidas organizadas e as torcidas visitantes serão realizadas 100% pela Polícia Militar. Cabe salientar que o fato da revista preventiva de segurança estar sendo realizada em alguns portões, através de segurança privada, não significa que esteja sendo feita sem a participação do poder público, onde, em cada portão, há sempre a presença de policiais supervisionando a atividade dos seguranças privados.

Leia a nota enviada pela SSP na íntegra:

A Polícia Militar informa que a revista preventiva de segurança em determinados portões é definida pelos organizadores do evento, que podem optar pela contratação de seguranças privados, desde que cumpram as orientações da PM para eventos de grande capacidade e multidões. Ou os organizadores também podem solicitar o auxílio da PM, a partir da taxa estabelecida, conforme a Lei nº 15.266.

Este processo não se limita exclusivamente à Neo Química Arena. A PM mantém a segurança em todos os setores dos estádios, com a revista preventiva sendo realizada por profissionais privados apenas em portões específicos, com antecedência comunicada ao clube para ajustes operacionais.

É importante ressaltar que as adequações atuais dizem respeito somente à revista preventiva de segurança. A PM segue um protocolo de atuação em estádios, incluindo a gestão de multidões, onde a decisão sobre quem realizará a revista é determinada de acordo com cada contexto.

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