‘Humilhante’: Diretor destituído no Corinthians faz duras acusações contra Tuma, que quer processá-lo
Em e-mail enviado a Osmar Stábile, Ricardo Jorge, que ocupou a pasta administrativa, disse que presidente do Conselho tomou "medidas" de força durante a transição entre as gestões
Diretor administrativo do Corinthians nos últimos três meses, Ricardo Jorge foi destituído da função junto ao afastamento de Augusto Melo da presidência corintiana, na segunda-feira (26).
De todo modo, o dirigente formalizou a saída da função em um e-mail que foi encaminhado ao presidente em exercício Osmar Stábile. O conteúdo do texto traz duras acusações ao processo de transição administrativa iniciado nesta terça-feira (27) no Timão.
O ex-diretor classificou o movimento de passagem entre a gestão afastada e a provisória como “truculenta e profundamente desrespeitosa”. Ele também mencionou situações específicas que teriam acontecido com ele e outros funcionários.
–- Como administrador e defensor intransigente da saúde mental dos nossos colaboradores, dos nossos parceiros e de todos que convivem e constroem o dia a dia deste clube, não posso silenciar diante da forma truculenta e profundamente desrespeitosa com que foi conduzida a transição administrativa.
— Fui impedido de acessar minha própria sala, sob escolta de seguranças. Vi funcionários serem impedidos de trabalhar devido ao cancelamento da identificação facial. Situações humilhantes, absolutamente desnecessárias, que poderiam e deveriam ter sido evitadas com diálogo e respeito –- destaca Ricardo em trecho do e-mail que ficará à disposição na íntegra no fim da matéria.

Na mensagem, Ricardo Jorge cita nominalmente Romeu Tuma Júnior. Segundo o ex-dirigente, o presidente do Conselho Deliberativo corintiano “assumiu medidas de força” e “transformou um momento institucional delicado em um espetáculo de intimidação”.
–- É inadmissível que uma transição legítima seja tratada como se estivéssemos lidando com criminosos. A liderança do senhor Romeu Tuma, que assumiu medidas de força contratando seguranças particulares, entrando com aparato policial no Parque São Jorge e no CT, transformou um momento institucional delicado em um espetáculo de intimidação. Qual a pertinência de se tratar quem está trabalhando com dedicação como se fosse bandido? Essa é a pergunta que fica. E, sinceramente, isso fere qualquer pessoa séria – diz o ex-diretor de Augusto Melo.
E-mail de Ricardo Jorge causa misto de espanto e indignação no Corinthians
A Trivela apurou que a “denúncia” feita por Ricardo Jorge causou sentimentos distintos entre os dirigentes e pessoas que auxiliam na “administração tampão” do Corinthians.
Enquanto algumas se mostraram espantadas com o ocorrido e afirmaram de forma contundente que não presenciaram os episódios relatados pelo ex-diretor, outras até mesmo satirizaram as supostas situações mencionadas no e-mail.
–- Esse cara é louco –- disse uma das fontes à reportagem.
Autor das críticas à transição e postura de Romeu Tuma Júnior, Ricardo Jorge foi apresentado à torcida corintiana em entrevista coletiva realizada no dia 16 de maio.
No evento, o ex-diretor usou termos caricatos como “mendigo do Guarujá”, “vendedor de sorvetes” e “será que a política é cuidar da teta e não da vaca?”.
Quem definitivamente não achou graça alguma nas acusações feitas por Ricardo Jorge foi Romeu Tuma Júnior.
Pessoas próximas ao presidente do Conselho afirmaram à Trivela que ele ficou bastante revoltado com o conteúdo do e-mail e, inclusive, cogita tomar ações legais contra as afirmações do ex-diretor administrativo.

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Confira na íntegra o e-mail
“Senhor Presidente,
Venho por meio desta, de forma respeitosa e firme, apresentar oficialmente a entrega do meu cargo como Diretor Administrativo deste clube. Embora o Estatuto já disponha que, com o impeachment do Presidente eleito, toda a diretoria executiva se afaste, faço questão de registrar pessoalmente minha posição, não apenas como formalidade, mas como sinal de respeito à instituição, à sua história e aos seus associados.
Como administrador e defensor intransigente da saúde mental dos nossos colaboradores, dos nossos parceiros e de todos que convivem e constroem o dia a dia deste clube, não posso silenciar diante da forma truculenta e profundamente desrespeitosa com que foi conduzida a transição administrativa.
Fui impedido de acessar minha própria sala, sob escolta de seguranças. Vi funcionários serem impedidos de trabalhar devido ao cancelamento da identificação facial. Situações humilhantes, absolutamente desnecessárias, que poderiam e deveriam ter sido evitadas com diálogo e respeito. Agradeço a Vossa Excelência, Presidente Osmar Stabler, pela fineza de tentar minimizar os constrangimentos causados a este diretor, mas a verdade é que essa postura arbitrária foi imposta de forma unilateral, sem qualquer justificativa proporcional.
Durante os três meses em que estive à frente da Diretoria Administrativa, tive como objetivo maior o bem-estar do associado e a reestruturação do clube em sua essência. Reformamos o Parque São Jorge, resgatamos a dignidade dos espaços, valorizamos a zeladoria, a limpeza, a urbanidade, o respeito mútuo e principalmente restabelecemos a harmonia entre os funcionários. O clube voltou a ser clube, voltou a pulsar vida e pertencimento.
Por isso, é inadmissível que uma transição legítima seja tratada como se estivéssemos lidando com criminosos. A liderança do senhor Romeu Tuma, que assumiu medidas de força contratando seguranças particulares, entrando com aparato policial no Parque São Jorge e no CT, transformou um momento institucional delicado em um espetáculo de intimidação. Qual a pertinência de se tratar quem está trabalhando com dedicação como se fosse bandido? Essa é a pergunta que fica. E, sinceramente, isso fere qualquer pessoa séria.
De minha parte, deixo o cargo de cabeça erguida. Não teria qualquer problema em cumprir o curso natural da mudança, mas não consigo, em consciência, pactuar com injustiça, arbitrariedade, truculência e desconsideração com quem trabalha pelo clube. Minha moral e minha trajetória não permitem isso.
Saio com orgulho do que foi feito. Saio com a certeza de que deixo o clube melhor do que encontrei. Saio com amizade, respeito e gratidão por cada funcionário com quem pude dividir o cotidiano. Em três meses, fizemos justiça. E, acima de tudo, defendemos o Corinthians.
Encerro aqui meu ciclo com dignidade e serenidade, certo de que honrei cada dia de trabalho com integridade e compromisso. Que o futuro reserve melhores caminhos para o nosso clube.
Atenciosamente,
Ricardo Jorge
Diretor Administrativo”



