Brasil

Ídolo de uma geração, Cássio deixa lacunas no Corinthians

Da idolatria da torcida à liderança do elenco, saída do goleiro tem peso para além do campo

Quando um ídolo sai de um clube, deixa lacunas em vários sentidos. No caso do goleiro Cássio, após mais de 12 anos vestindo a camisa do Corinthians, são muitos os espaços que ele deixará vago, tanto para a Fiel quanto para o elenco. No entanto, existem dois pontos fundamentais que vão pesar muito nos próximos meses: a identificação com a torcida e a liderança de grupo.

Idolatria

O ciclo de Cássio chegou ao fim antes mesmo do encerramento de seu contrato com o Corinthians, que era vigente até dezembro deste ano. Por isso, uma parte dos torcedores sentiram ainda mais o peso da separação. Para boa parte da torcida, a sensação é de que um ente querido está indo embora.

— Um dos ensinamentos mais duros da vida é que ciclos se encerram. Mas a grande (ou gigante) da verdade é que quase nunca a gente está preparado pra esses momentos. Daí a tristeza com o adeus de um dos maiores jogadores da história do futebol. Sou grato por tudo o que Cássio fez pelo Corinthians. Por 12 anos se transformou em irmão, pai, filho, num ente querido pra mais de 30 milhões de pessoas. Cássio, definitiva e eternamente dentro dos nossos corações — afirmou Lucas Faraldo, apresentador do Meu Timão, em contato com a reportagem.

Na próxima semana, o goleiro deve ser apresentado pelo Cruzeiro, mas ficará alguns meses apenas treinando no clube mineiro antes de poder ser liberado para entrar em campo. Isso porque a próxima janela de transferências do futebol brasileiro só se abrirá a partir de junho. Aliás, o fato de Cássio vestir a camisa da equipe celeste não deve só impactar somente a vida do torcedor comum.

— Eu tenho muita admiração por ele, apesar de ser sósia, também sou corintiano, sou muito fã dele, é meu ídolo, um cara que representa muito pra mim. Agora, muda muito. Como eu sou corintiano, faço aquilo que eu amo, que é falar do Corinthians sendo sósia — disse Cássio Piracicaba, sósia do goleiro, em entrevista à Trivela.

— Hoje não vai ter mais isso. Vou continuar indo pro jogo do Corinthians (de sósia), mas não vou mais acompanhar ele nas outras equipes que ele for. Só espero que ele tenha uma boa sorte — acrescentou.

Liderança

Como o próprio Cássio disse em sua despedida: “Os poucos jogadores mais velhos que ficaram vão ter que se posicionar”. E isso é uma verdade nua e crua para o time do Corinthians. Durante o período em que assumiu o papel de líder, o camisa 12 do Timão fez questão de ser uma vidraça para impedir que as críticas respingassem nos companheiros. Quando as coisas iam mal, era ele quem sempre estava disposto a falar com a imprensa e responder às perguntas difíceis.

Por isso, em sua despedida, deixou claro que “será necessário” alguém tomar o posto nos próximos meses e ainda citou nomes.

— Sobre liderança, eu aprendi muito com um grupo que tinha muitos líderes em 2012. Eu era um menino e aprendi muito com eles: Alessandro, Paulo André, entre outros. Acho que liderança não é só se posicionar, é de treinamento, por exemplo, o Gil, não falava muito, mas não conheço ninguém que treina mais que ele. Então, liderança não é só o cara que fala, mas é o cara que demonstra, que se coloca para ajudar em situações de dificuldade e não se exime de situações assim — afirmou o goleiro em coletiva de imprensa.

— Acho que o Raniele, o Gustavo Henrique, o Félix são caras que podem mostrar isso. Os poucos jogadores mais velhos que ficaram vão ter que se posicionar também, será necessário — completou.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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