Brasil

Taças, aplausos e emoção: como foi a despedida de Cássio do Corinthians

Entre memórias e homenagens, goleiro deixa o Timão após 12 anos e cinco meses vestindo a camisa alvinegra

Cássio entrou na abarrotada sala de coletiva de imprensa do CT Joaquim Grava, se postou em pé ao lado do presidente Augusto Melo e deixou transparecer sua emoção pela primeira vez. Diante da mesa, as nove taças conquistadas pelo atleta estavam expostas. O mandatário fez um pequeno discurso, deixou seus agradecimentos ao goleiro, e entregou a camisa enquadrada em homenagem aos 712 jogos do ídolo. Em seguida, uma leva de aplausos.

— Obrigado por todas as homenagens, venho anunciar o fim do meu ciclo. São muitas lembranças e coisas boas que vivi aqui, sei que para muitos pode ser um dia triste, mas gosto de lembrar as coisas positivas. Quando cheguei, na minha coletiva tinha 5, 6 repórteres e agora a sala está cheia, então acho que minha trajetória foi boa — disse Cássio em um pronunciamento inicial antes de responder perguntas da imprensa.

Em geral, a despedida de Cássio, neste sábado (18), foi leve, com um clima amistoso e sem grandes polêmicas. No entanto, o arqueiro de 36 anos se embaralhou um pouco ao tentar explicar o que motivou sua saída do clube, ainda mais antes do fim do contrato, válido até dezembro de 2024. Ele citou palavras como “destino” e algumas frases-feitas, mas em resumo, a postura do goleiro não deixou transparecer qualquer tipo arrependimento.

— Eu acho que uma série de situações (motivaram a saída), e a gente entende quando nosso ciclo acabou. Você olha para trás, vê o que conquistou, e no começo do ano tinha uma oportunidade de sair, naquele momento achei que não era a oportunidade de sair. Agora eu acho que é o momento, com uma boa oportunidade da carreira — afirmou o atleta.

— Conversei com o Fabinho (Soldado), com o presidente, com todos. A condução foi boa, não teve briga em momento algum, são pessoas sérias. Encerrar um ciclo de 12 anos e cinco meses não é fácil. Preciso encarar novos desafios, passar por outros clubes, é uma coisa nova. Eu já estava adaptado aqui, mas é legal sair também, sair bem e acho que chegou esse momento — acrescentou.

Cássio, ex-goleiro do Corinthians, em coletiva de despedida (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

Emoção

Por outro lado, Cássio não conteve a emoção. Motivado pelas memórias citadas em depoimentos de jornalistas, que conviveram com ele ao longo do período superior a uma década. Ao contar as histórias de bastidores, que remetiam à nostalgia das conquistas, o goleiro agregava informações enquanto esfregava os olhos para evitar o choro.

— Quando cheguei, tinha muita desconfiança sobre meu potencial e com ajuda dos meus companheiros, sem eles não seria nada, eu consegui. Nos últimos dias tenho refletido sobre minha carreira, não tenho a noção de tudo que consegui aqui no Corinthians, mas você olha para trás e vê, eu fiz meu melhor, me dediquei e saio feliz pelo que construí.

— Mais para frente falarei para onde eu vou, agora é o momento de falar sobre o Corinthians, tudo que vivi e tudo que me foi proporcionado, não é só o Cássio que proporcionou ao Corinthians, o time me proporcionou muito. Vi muitos vídeos de gente chorando e isso é legal, foi grandioso o que fiz por essa instituição.

Busto do ídolo no Parque São Jorge

Entre as homenagens anunciadas, o Corinthians prometeu um busto para o goleiro no Parque São Jorge, ao lado dos lendários jogadores que passaram pelo clube, como Sócrates, Baltazar Rivelino e Ronaldo. No entanto, todos esses atletas receberam a honraria somente após a aposentadoria.

— Acho que tudo que vivi aqui foi de máximo respeito de ambos os lados, só tenho a agradecer a todos que trabalharam, até mesmo nessa situação da minha saída. É bom receber homenagem agora, porque é normal fazer quando morre, né? Então é legal ver essa homenagem vivo, e estou muito vivo! Então fiquei muito feliz e é um reconhecimento de tudo, será marcante para mim — analisou o goleiro entre alguns risos.

Eternizado no memorial

Além do busto, Cássio também será eternizado no memorial do Parque São Jorge. O goleiro cravou as mãos em cimento para serem expostas na “calçada da fama” do clube.

Saída pela “porta da frente”

Em várias de suas respostas ao longo da coletiva que durou mais de 1h30, Cássio afirmou que ainda não tem a dimensão do que representa para a Fiel, mas agradeceu o carinho dos torcedores pelas despedidas calorosas. Isso porque, desde que concebeu a ideia de deixar o clube, ele se viu em uma posição difícil, com medo de ter a saída definida por desgastes ou polêmicas. Muito pelo contrário do temor, hoje o camisa 12 sai pela porta da frente e ovacionado.

— Honestamente, todas as festas feitas, todas as homenagens, não tenho dúvida que saí pela porta da frente. Jogo de despedida é para quem vai se aposentar, na minha opinião. Não tenho dúvida que saio pela porta da frente, não é o que muitos imaginavam, mas não controlamos o futuro.

— Até brinquei com alguns funcionários, achava que eles iam sair antes. Agora saio em paz, com tranquilidade, olha todo o carinho que recebi, não tive atrito com ninguém, foi tudo conversado. O pessoal daqui defendeu o Corinthians também e mesmo assim não teve atrito. Tenho a tranquilidade de falar que saio pela porta da frente, saio em paz, com tudo bem acordado.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
Botão Voltar ao topo