Em reunião com a Caixa, Corinthians discutiu retomar negociação através de precatórios
No entanto, declaração de Osmar Stábile sobre a participação de Andrés Sánches em reunião pode prejudicar a negociação entre o Timão e o banco estatal
O Corinthians voltou a discutir a possibilidade de assumir precatórios da Caixa Econômica Federal em substituição à dívida que o clube tem com o banco estatal referente ao financiamento da Neo Química Arena.
A Trivela apurou que, dentre as alternativas colocadas à mesa durante a reunião entre os representantes do clube alvinegro e do banco estatal que aconteceu nesta segunda-feira (23), em São Paulo, essa foi a que teve a maior aceitação.
A ideia é que o Corinthians assuma pendências que a Caixa tem a pagar, mas sem um prazo exato, em troca da dívida que o clube já possui com a instituição financeira referente ao estádio.
Neste contexto, a vantagem corintiana seria a redução do débito, que hoje gira em torno dos R$ 675 milhões.
Como assumiria dívidas sem previsão de pagamento, o Timão teria a seu favor o deságio, que é a diminuição do valor original do débito.
Esse projeto já havia sido discutido entre o Corinthians e a Caixa Econômica Federal no fim de 2023. Na época, trabalhava-se com a hipótese de redução em até 90% da pendência corintiana.
Para o banco, o discurso era que a vantagem estava em receber um pagamento até então descartado.
No entanto, a Caixa recusou a proposta no início de 2024 ao alegar que o Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), uma espécie de “seguro” após a quitação do financiamento, não serviria para o abatimento da dívida.
Além disso, o banco alegou que o Timão não poderia usar os valores de naming right a receber da Hypera Pharma, pois eles pertenciam à Arena Fundo de Investimento Imobiliário.
A ideia discutida à época era usar essa quantia como uma espécie de garantia de entrada, pagando o restante através dos precatórios.
Na prática, porém, o argumento usado pela Caixa Econômica Federal teve somente o intuito de minimizar as questões políticas que envolveram a negociação em um período próximo à eleição presidencial que aconteceria no Corinthians no fim de 2023.
A negociação foi conduzida à época pelo ex-presidente corintiano Andrés Sánchez, que apoiava a eleição de André Luiz de Oliveira, o André Negão, à presidência do clube entre 2024 e 2026. No entanto, o vencedor foi o candidato de oposição Augusto Melo.
Então, conforme apurado pela Trivela, os representantes da Caixa alegaram nos bastidores que não se sentiam seguros para prosseguir na negociação com a diretoria que foi eleita.
Andrés Sánchez é personagem central na negociação do Corinthians com a Caixa
Andrés Sánchez esteve presente no encontro desta segunda-feira (23), em São Paulo. Além dele, também estiveram no encontro os presidentes do Corinthians (Osmar Stábile) e da Caixa Econômica Federal (Carlos Antônio Vieira Fernandes). A ideia era que Andrés atuasse como um interlocutor entre as duas instituições.
No entanto, a presença do ex-presidente na reunião levou a uma forte pressão a Osmar Stábile. Nos últimos dias, o atual mandatário foi bastante cobrado por uma série de alas políticas no Parque São Jorge e também pela principal torcida organizada do Corinthians, a Gaviões da Fiel.
Em entrevista ao site “ge”, Stábile se defendeu dizendo que foi pego de surpresa com a presença de Andrés Sánchez no encontro e que não foi o autor do convite.
No entanto, a Trivela apurou que a declaração do presidente corintiano gerou desconforto aos representantes do banco, pois o encontro foi alinhado desde a última semana por Andrés com o Corinthians e a Caixa.
A reportagem tentou contato com Stábile, através da assessoria do presidente corintiano, e até o momento não obteve resposta. Também houve uma tentativa de contato com a assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal que não foi retornada até o momento da publicação.
Em ambos os casos a matéria será atualizada assim que esses retornos acontecerem.

Por conta do histórico na vida pública e das negociações movidas entre o clube e o banco estatal, Andrés Sánchez, que foi deputado federal por São Paulo entre 2015 e 2019, construiu boa relação com Carlos Antônio Vieira Fernandes, presidente do banco estatal.
Desta forma, a reunião realizada na segunda-feira (23) teve o intuito de construir uma relação de confiança entre a atual diretoria corintiana e a Caixa. O que passou diretamente pela intermediação de Andrés.
No entanto, conforme apurado pela reportagem, a declaração de Osmar Stábile prejudicou a imagem do dirigente corintiano em relação a Carlos Vieira. E até mesmo a continuidade das negociações foi colocada em questionamento pela direção do banco.
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Outras possibilidades de acordo entre Corinthians e Caixa foram discutidas em reunião com a presença de Andrés
A Trivela apurou que outras duas possibilidades de negociação foram discutidas, mas não tiveram a mesma adesão que a retomada do projeto referente a troca da dívida pelos precatórios. Até mesmo a possibilidade de Caixa assumir o naming rights da arena foi aventada, mas sem muita aceitação.
Por se tratar de um banco público, a tendência é que um movimento nesse sentido atraísse alguns embates políticos prejudiciais à marca. Também foi falado sobre a devolução do estádio a Caixa, com o Corinthians acertando um acordo de locação. Essa alternativa foi praticamente descartada.



