Copa do Brasil

Vítor Pereira e Dorival Júnior mexeram as peças no tabuleiro e moldaram o segundo tempo da final

As trocas de Vítor Pereira influenciaram diretamente no resultado - enquanto as de Dorival teriam sido questionadas se o título tivesse sido perdido

Antes do jogo começar, Vítor Pereira deu entrevista ao SporTV dizendo que “final é final” e era importante ter pensamento estratégico, tentar surpreender o adversário. Ele até acrescentou que hoje em dia é difícil realmente armar uma surpresa. Estava nos sites que Lucas Piton entraria no lugar de Adson, com Fábio Santos fazendo uma espécie de terceiro zagueiro. Uma formação teoricamente mais defensiva para tentar resistir ao Flamengo no jogo de volta da final da Copa do Brasil no Maracanã.

O problema de todo plano é que nem sempre o adversário colabora. Se o Corinthians queria se segurar no início, talvez deixar o Flamengo nervoso diante de tanta expectativa e de casa cheia no Rio de Janeiro, o gol de Pedro aos sete minutos atrapalhou bastante. Quem ficou repentinamente mais confortável foi o time da casa, em vantagem na final, e os visitantes tiveram que sair em busca do empate.

E ofensivamente, a alteração não chegou a funcionar. Fagner teve uma ou outra chegada pela direita, Piton não apareceu tanto no ataque pelo outro lado. O Corinthians teve dificuldade para atacar – o que não é raro com qualquer formação. Recorreu a chutes de fora da área e algumas bolas cruzadas. Criou pouco e terminou o primeiro tempo com a sensação de que seria difícil retornar à final, pelo menos jogando daquele jeito.

Então Vítor Pereira decidiu mudar o jeito de jogar. Pode não ter se arrependido do que havia tentado fazer, mas desfez. Sacou Piton e devolveu Adson a campo. E desde a retomada, o Corinthians foi para cima. Conseguiu exercer pressão, levar perigo e encurralar o Flamengo. E Adson participou dos dois lances mais importantes. Deu o passe para Roger Guedes perder um gol incrível embaixo das traves e errou a finalização que terminou com o gol de empate de Giuliano – outro que entrou em campo no segundo tempo.

Dorival Júnior não teve tanta felicidade em suas trocas. A primeira foi a entrada do lateral Matheuzinho no meio-campo, no lugar de Vidal, como ele havia jogado no sábado contra o Atlético Mineiro. Aos 26 minutos, saiu o volante Thiago Maia e entrou mais um zagueiro, Fabrício Bruno, adiantando David Luiz ao meio-campo. Tudo isso em parte influenciado pela suspensão de João Gomes, que retirou uma opção para o setor. As decisões que realmente vão ser destacadas foram as saídas, ao mesmo tempo, de Pedro e Arrascaeta, a cerca de dez minutos do fim, por Victor Hugo e Cebolinha.

Além de serem jogadores mais cascudos que poderiam bater pênaltis, estão também entre os mais talentosos do time flamenguista. A entrada de Cebolinha provavelmente visava o contra-ataque, que estava mais disponível para os donos da casa, devido à pressão do Corinthians. Mas também sinalizou pouca intenção de mudar o panorama da partida, tentar recuperar o controle para vencer antes dos pênaltis.

É verdade que Pedro, apesar do gol, não fazia um jogo tão bom. E Cebolinha poderia ter justificado a alteração em um contra-ataque que puxou pela esquerda. Preferiu sair driblando para o meio e chutar para fora a passar para Gabigol, em uma das últimas chances que o Flamengo teve de evitar os pênaltis – nos quais o único flamenguista que errou foi o hiper-experiente Filipe Luis, então as trocas não influenciaram em nada nesse aspecto.

Com lógicas diferentes, as alterações dos dois treinadores – ambos fazendo bons trabalhos à frente de suas equipes – acabaram moldando o que foi o segundo tempo. As de Vítor Pereira foram mais efetivas, em parte porque a principal apenas reconstruiu uma formação à qual o Corinthians estava acostumado. As de Dorival não funcionaram. Mas no fim, também, não fizeram diferença no resultado final.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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