Copa do Brasil

Uma lembrança do América Mineiro x Palmeiras que valia sobrevivência na rodada final do Brasileiro de 1998

O duelo entre Palmeiras e América Mineiro possui amplo histórico favorável aos paulistas. Em 19 confrontos, os palmeirenses somam dez vitórias e apenas uma derrota. O único triunfo do Coelho aconteceu em 2013, ganhando pela Série B em São Paulo. Em compensação, a única classificação em mata-matas pende ao Palmeiras, seguindo em frente após superar os mineiros nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2018. E entre as histórias paralelas, outro duelo decisivo aconteceu em 1998. Os dois times se enfrentaram no Estádio Independência pela última rodada da fase de classificação do Campeonato Brasileiro. O América lutava pela manutenção na Série A, mas o empate por 1 a 1 não ajudou.

Aquele era um momento importante ao América Mineiro. O ano de 1997 foi um dos mais felizes à torcida nas últimas décadas, com a conquista da Série B e o retorno à elite do Brasileirão depois de cinco anos. Apesar das limitações, o Coelho montou uma equipe competitiva à Série A de 1998, entre figurinhas carimbadas e outros jogadores que explodiriam em pouco tempo. Entre os mais rodados estavam nomes como o goleiro Milagres, os volantes Dinho e Marco Antônio Boiadeiro, o meia Tupãzinho e os atacantes Celso e Robgol. Já a lista de jovens que dariam saltos maiores no futuro incluía o zagueiro Álvaro, os laterais Dutra e Evanílson, o volante Gilberto Silva, os meias Irênio e Fabrício, e os atacantes Geovanni, Dimba e Somália.

Apesar dos nomes, o América chegou à última rodada com a corda no pescoço e teria um compromisso bastante difícil. O Coelho precisava vencer o Palmeiras para não depender de outros resultados, com Paraná e Goiás em seu encalço. A missão era dura, por mais que os palmeirenses já tivessem confirmado a classificação aos mata-matas. O time de Luiz Felipe Scolari vinha embalado desde a conquista da Copa do Brasil naquele ano de 1998. O treinador se deu ao luxo de poupar jogadores para o compromisso em Belo Horizonte, mesmo com alguns medalhões entre os titulares. Marcos, Clébão, Rogério, Arílson e Almir apareciam no 11 inicial.

O América se deu o direito de sonhar. O Coelho contou com casa cheia no Estádio Independência, com direito a cerveja grátis oferecida pelos torcedores que lotassem as arquibancadas. E o time correspondeu em campo, criando as melhores chances durante o início do embate. Dimba abriu o placar aos 16 minutos, contando com uma falha do goleiro Marcos. O Palmeiras só melhorou no segundo tempo, quando Felipão acionou seu banco e mandou a campo três protagonistas: o lateral Júnior, o meia Alex e o atacante Oséas. Depois de alguns lances perigosos, Oséas deixou tudo igual aos 42 do segundo tempo, com um voleio na pequena área.

O empate por 1 a 1 não serviu ao América. A vitória do Paraná sobre o Flamengo salvou os tricolores. O Coelho caiu ao lado de Goiás, Bragantino e América de Natal à segundona de 1999. Já o Palmeiras encerrou a campanha na segunda colocação, mas não teria vida longa nos mata-matas. Caiu nas quartas diante do Cruzeiro, com a classificação celeste garantida graças a um épico terceiro jogo no Parque Antárctica. Os palmeirenses cumpriram ambições maiores em 1999, com o título inédito da Libertadores. Já o América se beneficiou da virada de mesa para subir à Copa João Havelange em 2000, embora aqueles tempos tenham guardado um título da Copa Sul-Minas em 2000 e um do Campeonato Mineiro em 2001 – quando Paulo Baier, Ruy Cabeção, Tucho, Zé Afonso e outros destaques tinham se somado ao Independência.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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