Como Sampaoli pode usar tempo livre para ter um Flamengo forte na Copa do Brasil
Treinador terá mais semanas completas à disposição para treinos em um mês do no restante de seu trabalho inteiro no Rubro-Negro
Sampaoli ganhou momento de trégua em meio à chuva perene que permeava o ambiente do Flamengo, após garantir a classificação para a final da Copa do Brasil. Agora, o treinador argentino terá um mês para arrumar a casa e trazer o Rubro-Negro ao rumo da competitividade mais uma vez em uma temporada tão turbulenta. Para isso, ele terá um período de maior tranquilidade e, especialmente, tempo.
Durante os 30 dias de preparação visando a Copa do Brasil, o Flamengo terá apenas as partidas do Campeonato Brasileiro. Embora tenha sido ruim para o planejamento financeiro, e pior ainda para o esportivo, a queda precoce na Libertadores acabou colaborando para que Sampaoli tivesse mais semanas livres do em todo o restante do seu trabalho. A Trivela analisa como o comandante pode otimizar esse tempo.
Mais tempo de trabalho é solução para Sampaoli?
Pelo protagonismo adquirido nos últimos anos, não é comum que o Flamengo tenha uma queda tão precoce na Libertadores, tanto que chegou à final nas últimas duas edições. Já que ela veio, que tal ver o copo meio cheio e usar as semanas livres para sua vantagem? É exatamente isso que Sampaoli deve fazer, se quiser que o Rubro-Negro ter chances de conquistar a Copa do Brasil.
Ao todo, Sampaoli terá três semanas com jogos apenas no fim de semana, pelo Campeonato Brasileiro. Para ter uma noção da maratona que vivia o Rubro-Negro, isso é mais do que ele teve ao longo dos outros quatro meses em que esteve no comando da equipe profissional. Uma dessas paradas, inclusive, foi por conta da Data Fifa, ou seja, na prática, o argentino teve apenas um período desses, completo, sem compromissos no meio de semana, para trabalhar.
Apesar disso, a boa notícia pode se tornar má, quando se analisa as atuações que o Flamengo teve após as paradas. No primeiro compromisso pós Data Fifa, em que Sampaoli teve 11 dias seguidos para treinar, a equipe sofreu uma goleada por 4 a 0 para o Bragantino, em Bragança Paulista. Depois, no segundo período, o Rubro-Negro empatou em 1 a 1 com o América-MG, que era o lanterna da competição, no Maracanã. O argentino entrou com os titulares em ambas as partidas.

- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Prioridades para devolver a competitividade ao Flamengo
Antes de iniciar o processo, é necessário fazer um elogio ao sistema defensivo do Flamengo, tão criticado, que foi tão bem na partida diante do Grêmio. Matheus Cunha voltou ao nível que vinha apresentando antes da eliminação para o Olimpia, e a dupla de zaga, formada por Fabrício Bruno e Léo Pereira, tirou tudo nas jogadas aéreas. Até Varela e Matheuzinho foram bem, mas a defesa precisa ter o mais foco nesse período.
O Flamengo havia sofrido sete gols em apenas três jogos antes da semifinal da Copa do Brasil, uma média de mais de dois por jogo, que aumentou, também, a média de gols por partida da equipe com Sampaoli para 1.12 por partida. São números muito altos para uma equipe que deseja ser campeã e salvar a temporada de mais um fracasso retumbante.
O espaçamento da equipe também deve ser algo a ser visto, mesmo que a volta de Pulgar facilite as coisas. Sem o chileno, o Rubro-Negro vinha tendo muitos problemas na saída de bola. Thiago Maia é um jogador de características mais defensivas, enquanto Allan, por mais que tenha sido contratado para isso, ainda não atingiu seu melhor nível. É com o camisa 5 que o jogo vertical de Sampaoli funciona melhor.
O ataque também precisa de uma chacoalhada. Por mais que Bruno Henrique esteja bem, a fase de Gabigol é péssima, e o camisa 10 acertou chutes na meta adversária em um dos últimos cinco compromissos. Pedro, por sua vez, marcou contra o São Paulo e é o artilheiro do time na temporada. Luiz Araújo tem entrado muito bem e também pede passagem. Por mais decisivo que seja, o centroavante titular não está em boa fase, e foi vaiado ao ser substituído na quarta-feira (16).

Clima vai melhorar?
Parece muito, mas não é. Os problemas do Flamengo dentro das quatro linhas estão longe de serem a maior fonte de preocupação dos torcedores. É justamente o clima pesado que assolou o Ninho do Urubu o principal fator, que poderia ter terminado totalmente com a temporada do Rubro-Negro de maneira precoce. Não terminou e pareceu ter dado uma trégua.
Depois de conversar e fazer as pazes com Pedro nos bastidores, após o primeiro episódio de socos, que envolveu o preparador físico Pablo Fernandez, Sampaoli esteve nos braços do elenco. O treinador celebrou o gol de Arrascaeta com seus comandados, que deram muitos tapas – de brincadeira, claro – na careca de seu treinador. Gerson e Varela trocaram mensagens nas redes sociais e reforçaram o desejo pela tranquilidade.
A pressão por resultados, no entanto, nunca vai parar no Flamengo. Ainda que a classificação para a Copa do Brasil, uma derrota para o Coritiba neste domingo (20), no Couto Pereira, recolocaria Sampaoli em situação chata com a torcida. O respaldo de Landim e alguns membros da alta cúpula da diretoria também vai até certo ponto. É hora de um “tudo ou nada” para o Rubro-Negro.
A equipe vai disputar quatro partidas antes do primeiro jogo da final da Copa do Brasil, diante do São Paulo, com mando ainda a ser definido via sorteio. O Flamengo terá uma espécie de laboratório contra Coritiba, Internacional, Botafogo e Athletico Paranaense e também não precisará viajar muito, já que três duelos serão no Rio de Janeiro. São as últimas chances de Sampaoli de colocar esse time na história mais uma vez.
- Entre 20 (jogo vs Coritiba) e 26 (jogo vs Internacional) de agosto – 5 ou 6 dias de treinos no Ninho
- Entre 27 de agosto e 2 de setembro (jogo vs Botafogo) – 6 ou 7 dias de treinos no Ninho
- Entre 3 e 13 de setembro (jogo vs Athletico Paranaense) – 10 dias de treinos no Ninho
- 17 de setembro – Primeiro jogo da final da Copa do Brasil vs São Paulo



