Copa do Brasil

Sinceridade de Rogério Ceni sobre Everton Ribeiro liga alerta no vestiário do Bahia mesmo após vaga na Copa do Brasil

Ao longo de sua carreira como técnico, Rogério Ceni teve problemas em São Paulo, Cruzeiro e Flamengo pela forma como expõe jogadores

Depois de um susto com direito a muito drama, finalmente o alívio veio para o Bahia. Na última terça-feira (12), o Tricolor de Aço penou, mas conseguiu se classificar na Copa do Brasil. Após um empate por 2 a 2 no tempo regulamentar, o time só conseguiu bater o Caxias nos pênaltis, após ganhar por 6 a 5, no Estádio Centenário. Mas uma coisa chamou atenção nas cobranças. Principal referência técnica da equipe neste ano, Everton Ribeiro só participou das cobranças alternadas, em que inclusive marcou um dos gols.

Após a partida, o técnico Rogério Ceni deu uma explicação sincera sobre o motivo do meia ter feito apenas a sétima cobrança do Bahia, mesmo sendo um dos principais nomes do plantel.

— O Everton, ontem, nos treinos, de pênaltis, não foi tão bem. E quando eu falei da lista com todos ele passou calado. Eu acho que ele não estava tão confortável para bater. Mas confesso que, analisando com calma, poderia ter colocado ele entre os cinco primeiros. Em uma próxima oportunidade com certeza ele estará entre os cinco. O Yago bate bem, acho que é o primeiro que ele perde na carreira, de oito pênaltis. O Arias eu olhei muito, e ele tinha gols de pênalti. Bateu muito bem ontem, hoje infelizmente errou, faz parte.

Histórico de cobranças é pequeno, mas importante

A sinceridade de Rogério pode não soar tão bem de forma pública, mas de fato Everton Ribeiro não tem um histórico recente. Ele chegou a ser o principal batedor de pênaltis durante a sua passagem pelo Cruzeiro, de 2013 a 2014, tendo feito 4 gols e perdido 2 cobranças. Mas no Flamengo, gradualmente ele foi sendo preterido por Gabigol. Em 2017, ele acertou um pela da Copa Sul-Americana contra o Palestino, mas perdeu um contra a Chapecoense. Em 2019, Everton Ribeiro converteu um pênalti contra o Fluminense, pela Taça Rio. Mas certamente a principal cobrança convertida por ele foi em 2022, na final da Copa do Brasil contra o Corinthians. O camisa 7 fez o seu gol no quarto pênalti, ajudando o Flamengo a sair campeão nas alternadas.

Sinceridade em coletivas pesa contra Rogério

É possível que com a classificação e a boa campanha no Campeonato Baiano, o episódio passe desapercebido ao longo dos próximos dias. Mas mesmo assim, o sinal de alerta já fica ligado para o vestiário do Bahia. Isso porque desde que começou sua carreira como treinador, em 2017, Rogério Ceni já teve alguns problemas ao longo dos anos em vestiários, seja pela forma como cobra jogadores, seja por como fala sobre eles publicamente.

O caso mais recente aconteceu no ano passado, quando ele estava no São Paulo. No meio de todo o elenco, o treinador pediu para Marcos Paulo explicar uma postagem que o atleta havia feito, que parecia criticá-lo de forma indireta em suas redes sociais. No ano anterior, o meia Patrick foi quem teve um desentendimento com Ceni, durante o intervalo de um jogo contra o Fluminense. O jogador teria ofendido o treinador, que expôs o jogador em entrevista coletiva.

— O atleta teve uma reação que não é condizente com um profissional. Então conversamos, ontem pediu desculpas ao grupo e a comissão técnica. Sempre falo: jogador que não está pronto para sair não pode fazer parte de grupo. Já vi gente bem importante, já vi Raí, Müller, Careca, França, Dodô, Lucas Moura, todo mundo ser substituído. Ou a gente tem um comportamento profissional mais adequado, ou tem que fazer escolhas na nossa vida. Já conversamos e segue trabalhando – explicou o técnico, à época. Na janela de transferência seguinte ao entrevero, o atleta foi negociado com o Atlético-MG.

No Flamengo, Rogério se irritou com Pedro

Em 2021, Rogério Ceni teve um imbróglio com Pedro. O atacante havia reclamado no banco após ser substituído por Rodrigo Muniz, mostrando muita irritação com o técnico, em jogo contra o Fortaleza. Na entrevista coletiva, Rogério foi direto e reto para condenar a atitude do seu centroavante.

— Fico triste. Acho desrespeitoso não só comigo, mas com o atleta que vai entrar. Não é da característica do Pedro, que é bom menino. Acho que essa coisa de seleção mexe com a cabeça do garoto. Acho uma cena lamentável, que não cabe mais no futebol.

Passagem curta no Cruzeiro por confusão com veteranos

E isso não aconteceu apenas no São Paulo, em que ele é considerado um dos maiores ídolos da história do clube, e nem no Flamengo, onde foi campeão brasileiro. Sua passagem pelo Cruzeiro, em 2019, durou menos de 2 meses, também por problemas com jogadores do elenco, que seria rebaixado para a Série B naquele mesmo ano.

Após um empate sem gols contra o Ceará, Rogério Ceni chegou a deixar o vestiário e sair da Arena Castelão antes que o restante da delegação, após o zagueiro Dedé questionar Ceni por não escalar Thiago Neves para a partida. O episódio foi essencial para evidenciar o racha que alguns dos principais jogadores do plantel cruzeirense à época tinham com a metodologia do técnico. Antes do embate com Dedé, Rogério havia explicado o motivo de deixar Thiago Neves no banco para o jovem Mauricio, com uma mensagem indireta.

— Todo mundo pede o garoto. Eu estou aqui para tentar dar oportunidade para quem tem mais brilho no olho, para mim é quem vai ter mais oportunidade. Levo muito em conta o treinamento da semana, o último jogo, levo muito em consideração tudo isso.

O histórico de Rogério Ceni em coletivas pode prejudicar o seu elenco, e também o próprio trabalho do treinador, pela forma como ele expõe os atletas. Mas a mentalidade de Everton Ribeiro, que além de ser um dos mais experientes do elenco e já ter trabalhado com Rogério no Flamengo, pode ajudar a enterrar esse pequeno ruído. É o que esperam os torcedores do Bahia, que veem o ano bastante promissor após terem garantido a vaga no Brasileirão de 2024 somente na última rodada, após muito sofrimento.

Foto de Vanderson Pimentel

Vanderson Pimentel

Jornalista formado em 2013, e apaixonado por futebol desde a infância. Em redações, também passou por Estadão e UOL.
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