Copa do Brasil

Palmeiras e Ceará possuem uma rica história de confrontos pela Copa do Brasil nos anos 1990

Palmeiras e Ceará se reencontram na Copa do Brasil com um passado de tradicionais duelos pela competição nacional. Num intervalo de cinco edições, as equipes se pegaram três vezes nos anos 1990. Os alviverdes possuem vantagem no embate, com goleadas e duas classificações – uma delas no início da caminhada ao título em 1998. Em compensação, os alvinegros também têm sua lembrança inesquecível, quando derrubaram o supertime da Parmalat e caminharam até a decisão em 1994. Abaixo, relembramos essas histórias:

Copa do Brasil 1994

O Palmeiras tinha acabado de ser bicampeão paulista quando aconteceu o primeiro jogo pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Os alviverdes sobraram na campanha do estadual, com seis pontos de vantagem sobre Corinthians e São Paulo. Três dias depois do término do campeonato, o time de Vanderlei Luxemburgo pegava o Ceará. E se os palmeirenses estavam na crista da onda, o Vozão encarava uma séria crise. A equipe treinada pelo eterno Dimas Filgueiras terminou o primeiro turno do Campeonato Cearense numa modestíssima oitava colocação, entre 11 concorrentes. O favoritismo era óbvio àquele confronto.

O Ceará tinha eliminado o Campinense na fase anterior, enquanto o Palmeiras não encontrou problemas para despachar os piauienses do 4 de julho. Entretanto, Luxa não contaria com força máxima. Zinho e Mazinho já tinham se juntado à seleção brasileira que se preparava à Copa de 1994, enquanto Rincón também rumou à delegação colombiana. Mas não era uma equipe fraca. Nomes como Evair, César Sampaio, Edílson, Roberto Carlos, Clébão, Amaral e Gato Fernández viajaram ao Ceará. Já o Vozão contava com a experiência do meio-campista Elói, além de algumas figuras muito queridas na história do clube – como o goleiro Chico, o zagueiro Aírton Tanque de Guerra e o artilheiro Sérgio Alves, além do próprio Dimas Filgueiras, técnico onipresente em diferentes décadas pelos alvinegros.

O resultado da primeira partida, no Castelão, não pareceu tão alarmante ao Palmeiras. A equipe não teve uma boa atuação, com erros de marcação e dificuldades em conectar o ataque, mas o empate por 0 a 0 ainda deixava a situação tranquila para o reencontro em São Paulo. O Ceará fez uma ótima partida, igualando o confronto e criando boas chances. Durante o primeiro tempo, Evair viu uma bola por cobertura salva em cima da linha pelo lateral Jaime, enquanto o Vozão respondeu com uma cabeçada de Vitor Hugo que bateu no travessão. Já na etapa complementar, enquanto Amaral teve um tento anulado por impedimento, Gato Fernández salvou os alviverdes no fim com uma sequência de duas ótimas defesas diante de Sérgio Alves.

O reencontro no Parque Antárctica aconteceu uma semana depois, com as escalações praticamente mantidas por Vanderlei Luxemburgo e Dimas Filgueiras. O único desfalque do Palmeiras era Edílson: durante a folga, o atacante rompeu o músculo da coxa jogando futevôlei em Salvador. Luxa, que escalou Jean Carlo no lugar, exigia uma punição ao Capetinha. Já o Ceará prometia uma atuação com pegada, em busca dos contra-ataques. Aírton Tanque de Guerra era dúvida, mas entraria em campo.

Pois a surpresa se cumpriu em São Paulo, com a classificação do Ceará. O Vozão arrancou o empate por 1 a 1 e, pelo gol fora de casa, avançou às quartas de final. Os cearenses abriram o placar aos 19 minutos, num chutaço de Jaime. O lateral arriscou do meio da rua e encobriu Gato Fernández. Quatro minutos depois, Evair até empatou cobrando pênalti. Contudo, os alvinegros jogariam com o regulamento e fechariam a casinha no restante do tempo. Durante a segunda etapa, até houve outro pênalti para os alviverdes, mas o goleiro Chico defendeu a tentativa de Evair. O arqueiro, aliás, faria defesas fundamentais à classificação. Os palmeirenses também desperdiçaram boas chances, que custaram a eliminação.

Aquele jogo foi marcado por protestos. A torcida do Palmeiras estava descontente com Vanderlei Luxemburgo, depois que o treinador afastou Edmundo por indisciplina. Luxa ameaçaria sair, mas ficaria para ser bicampeão brasileiro com o Animal. Já o Ceará protagonizaria uma campanha excelente no restante da Copa do Brasil. O Vozão eliminou ainda o Internacional nas quartas e o surpreendente Linhares na semifinal. Sucumbiu apenas na decisão, em conquista apertada do Grêmio de Felipão.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Copa do Brasil 1997

O Palmeiras teve sua chance de revanche contra o Ceará três anos depois, nas quartas de final da Copa do Brasil. O Vozão havia superado Fluminense e Santa Cruz nas fases anteriores. Já o Verdão despachara River e Coritiba. Sob as ordens de Márcio Araújo, os alviverdes atravessavam um período de crise. Mesmo assim, contavam com uma equipe fortíssima, estrelada por Djalminha, Luizão, Viola, Rincón, Galeano, Velloso, Júnior e outros grandes nomes. Do lado alvinegro, Airton e Jaime eram os remanescentes de 1994. Edu Lima, Dema e Nildo serviam como referências, mais rodados. E o técnico Arnaldo Lira aproveitava o bom momento, com uma invencibilidade de 28 jogos na temporada.

O Palmeiras pôs fim ao embalo do Ceará dentro do Castelão, e sem grandes dificuldades, com a goleada por 5 a 2. Com um míssil de longe, Eron até abriu o placar ao Vozão, que era melhor. Os anfitriões não aproveitariam suas chances e, em duas bobeiras da zaga, Viola virou com dois gols antes do intervalo. O centroavante completou sua tripleta no início do segundo tempo, antes que Rincón deixasse o seu. Eron voltou a descontar, mas haveria tempo para Viola assinalar seu quarto tento na noite.

A volta guardaria uma goleada ainda maior do Palmeiras. O técnico Márcio Araújo preferiu poupar grande parte de seus astros e, mesmo com vários garotos, atropelou por 5 a 0. Fernando Rech e Edmílson Matías balançaram as redes no primeiro tempo. Já a segunda etapa teria tentos de Marquinhos e Rogério, além de outro de Fernando Rech. Seria uma partida marcada ainda pelas expulsões, com Wender e Aldemir indo para ao chuveiro pelo Vozão, além de Sandro Blum recebendo o vermelho direto entre os paulistas. O Palmeiras cairia na fase seguinte, com duas derrotas diante do Flamengo nas semifinais.

Copa do Brasil 1998

Por fim, a Copa do Brasil de 1998 guardaria mais um embate entre Palmeiras e Ceará, logo na primeira fase. Os alviverdes tinham mudado um bocado ao longo dos meses anteriores. Arce, Paulo Nunes, Oséas e Alex já integravam a equipe, agora treinada por Felipão. O Ceará, ainda com Dema e Airton Tanque de Guerra, via a ascensão de Bechara no setor ofensivo. Mas esteve longe de repetir 1994.

Uma vitória por dois gols de diferença no Castelão poderia dar a classificação automática ao Palmeiras. E os alviverdes até esboçaram antecipar o serviço, com Paulo Nunes abrindo o placar aos nove minutos. Entretanto, o placar mínimo se manteria, em noite com um expulso para cada lado – o alvinegro Mário César e o alviverde Arílson. No apagar das luzes, o Vozão arrancaria o empate por 1 a 1. Edson Vieira cobrou uma falta frontal com perfeição e Velloso sequer se mexeu.

Na volta, porém, o Palmeiras não deu qualquer margem às dúvidas. Os alviverdes golearam por 6 a 0. De volta à equipe após se juntar à seleção, Zinho foi um dos grandes nomes da noite no Parque Antárctica. O meia anotou os dois primeiros gols, aos 17 e aos 38 – este, numa bela cobrança de falta. Já no segundo tempo, Paulo Nunes faria mais dois, enquanto Alex e Cris completariam a contagem. Ninguém conseguiria parar o Palmeiras naquela campanha. A equipe superou Botafogo, Sport e Santos, antes de conquistar o título em cima do Cruzeiro.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo