Copa do Brasil

Palmeiras deu um presente de Natal ao América, que defendeu bem para sair com o empate

Em defesa de Emerson Santos, nós estamos a dois dias do Natal. O Palmeiras embrulhou e entregou de presente um gol ao América Mineiro no jogo de ida das semifinais. Até conseguiu o empate, e Luiz Adriano perdeu a grande chance da virada, mas não teve muita sorte em furar o sistema defensivo do Coelho no segundo tempo, em outra boa atuação nesta Copa do Brasil, e agora precisará vencer no Independência caso queira chegar à decisão.

Do jeito que o jogo começou, parecia que estávamos prestes a ver um grande clássico para os anais da Copa do Brasil. Ademir disparou pela direita e rolou para a entrada da área. Geovane chegou batendo de canhota no canto de Weverton, que caiu para fazer a defesa. Novamente lançado, Ademir dominou entre os zagueiros, estava se preparando para tomar velocidade e invadir a área quando Gustavo Scarpa o desarmou. O Palmeiras respondeu com Rony. Boa defesa de Matheus Cavichioli. O relógio marcava três minutos.

Durante os próximos 17 minutos, ficou claro que não, não seria um grande clássico para os anais da Copa do Brasil, com os dois times errando muitos passes e nenhuma chance de gol. Os ingredientes para uma boa partida, no entanto permaneciam. Como o fato de que o América Mineiro é uma equipe muito madura. Tem paciência, não se afoba, não foge do seu plano, está sempre concentrada. Fora de casa contra o Corinthians, esperou os instantes finais para marcar. Fora de casa contra o Internacional, abriu o placar logo no começo e defendeu bem até o fim.

Fora de casa contra o Palmeiras, ganhou um presente. Aos 20 minutos, Weverton saiu jogando com Emerson Santos. Ele parou, pensou, ou não pensou, e tentou atravessar a área com um passe por cima. E… errou o passe. Ademir interceptou e tocou no canto para fazer 1 a 0.

Ademir, do América Mineiro (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images/One Football)

O desafio do Palmeiras ficava mais difícil. As características dos seus principais jogadores favorecem um jogo mais direto e de velocidade. Agora, teria que furar um sistema defensivo muito bem organizado por Lisca, o pilar da campanha que trouxe o Coelho à semifinal da Copa do Brasil, e que se intensificaria. Não fez um grande trabalho. Gabriel Menino, o que mais e melhor tentava, bateu de fora da área, à esquerda do gol de Cavichioli. Raphael Veiga teve um desvio de cabeça, muito para fora.

Mas algo importante de destacar é que Gabriel Verón é muito bom. Ele invadiu a área em jogada individual pela direita e tocou para o meio. A defesa do América afastou. Verón, então, decidiu chutar em cima de Cavichioli, que caiu para dentro do gol fazendo a defesa. O goleiro do Coelho foi muito bem ao conseguir controlar a bola para evitar que ela entrasse, embora estivesse desequilibrado e certamente bem desesperado.

Nos acréscimos, Menino deu um bom passe para encontrar Marcos Rocha pela direita da grande área. Outro cruzamento rasteiro, espalmado por Cavichioli. Rocha tentou de novo. A bola subiu, após o desvio, e Verón cabeceou por cima. Quando parecia que mais nada aconteceria antes do intervalo, Rocha cobrou lateral para dentro da área. Entre dois defensores, Gustavo Gómez conseguiu tocar de cabeça e empatou a partida.

E aí, tudo começou do zero. Mas o América Mineiro seguiu se defendendo muito bem, embora tenha lhe faltado um pouco mais de escape no contra-ataque. A finalização de Ademir no primeiro minuto e o gol foram as únicas finalizações certas do Coelho na partida. A única mais perigosa na etapa final saiu aos 21 minutos, com Felipe Augusto, bem por cima.

O Palmeiras criou mais, mas não tanto quanto deveria o time da casa e teoricamente favorito no confronto. Rony teve outra arrancada pela esquerda, e acertou a rede pelo lado de fora, e Willian cabeceou na primeira trave para fora. Cavichioli mostrou que estava esperto para evitar um gol olímpico de Scarpa, e depois a defesa cortou o chute rasteiro de Verón que se direcionava ao canto esquerdo.

A melhor chance de virada saiu aos 34 minutos do segundo tempo. Viña cruzou da esquerda, Messias errou o corte, e a bola sobrou para Luiz Adriano, cara a cara com Cavichioli. Foi aquele lance em que ficamos tentando encontrar o equilíbrio entre criticar o atacante pela chance perdida e elogiar o goleiro pela defesa. Vamos tentar: Luiz Adriano perdeu um gol que não poderia perder; Cavichioli fez uma grande defesa.

O primeiro tempo foi melhor do que o segundo, especialmente os minutos iniciais e finais. Sem os gols fora de casa como critério de desempate, o América também precisará vencer no Independência para passar direto à sua primeira final de Copa do Brasil. A ausência da torcida diminui sua vantagem, mas pelo menos estará em um ambiente mais familiar para tentar manter uma caminhada tão marcante. O Palmeiras tem que esperar um panorama muito parecido e encontrar a melhor maneira de usar os seus recursos para funcionar melhor no ataque na próxima partida.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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