Copa do Brasil

Palmeiras se classifica, mas Abel mais uma vez se depara com grande dilema

Verdão fez 3 a 0, mas teve difiiculdade de criar chances claras no primeiro tempo

No que pode ter sido seu antepenúltimo jogo pelo Palmeiras no Allianz Parque, Estêvão resolveu pelo Palmeiras e abriu o caminho para o 3 a 0 que colocou o time nas oitavas de final da Copa do Brasil — dois de Estêvão, um de Flaco López.

Mas até o camisa 41 abrir o placar, aos 22 do segundo tempo, o confronto estava complicado para o Palmeiras. Mesmo precisando reverter o 0 a 1 sofrido em casa, o time visitante mais bloqueava o Alviverde do que atacava.

Exceto quando Pedro Henrique fez impedido, no fim da primeira etapa, o jogo nunca esteve em risco para o Verdão. Mas, embora tivesse a bola por quase 70% do tempo, o alviverde concluiu menos a gol do que tal volume de jogo poderia possibilitar.

O problema era o mesmo de sempre: com a faixa central e a entrada da área muito congestionadas, a maioria das chegadas do Palmeiras teve de ser pelos lados do campo e pelo alto. O que é complicado para um time cujo ataque titular é relativamente baixo.

Parece um contrassenso, mas a verdade é que, dependendo do jogo, mesmo com Vitor Roque tendo custado o que custou, e sendo, de fato, a melhor opção tecnicamente, Flaco López e seus quase 2 metros de altura podem acabar sendo uma opção mais efetiva.

Estêvão decidiu

Na segunda etapa, antes de o gol sair, o Verdão já estava conseguindo ajustar a questão para suprir essa dificuldade á frente. Tanto que o lance do pênalti sofrido por Estêvão sai de uma boa jogada pelo chão, na qual o camisa 41 invade a área pela direita e é derrubado. Na cobrança, o atacante perde o penal, mas faz o 1 a 0 no rebote.

O segundo gol, logo depois, teve também a marca do gênio. Pela esquerda, Estêvão entra na área, pedala e bate no ângulo direito de Fernando Miguel.

E, a partir daí, a história de sempre volta a acontecer: quando atrás no placar, os adversários se abrem e permitem o jogo pelo chão. Tanto que Flaco López entra e não faz gol de cabeça, mas sim com um chute rasteiro, após um giro no estilo futsal.

Não é à toa que o Palmeiras tem desempenho melhor quando joga fora de casa. É menos comum os adversários congestionarem tanto o jogo centralizado em seus territórios. E aí, o ataque rápido e de baixa estatura do Verdão aparece mais.

Essa é uma equação que Abel Ferreira vai ter que estudar com frequência, jogo a jogo, para entender quando valerá a pena perder técnica e ganhar força pelo alto com Flaco no lugar de Vitor Roque.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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