Os quatro encontros anteriores de Grêmio e São Paulo no passado da Copa do Brasil
Grêmio e São Paulo começam a decidir nesta quarta-feira uma vaga na final da Copa do Brasil. O histórico na competição é bastante distinto para os dois clubes: enquanto os gremistas estão entre os maiores campeões, com cinco taças, os são-paulinos ainda buscam o troféu inédito que tanto faz falta em sua galeria de conquistas. O passado do confronto, entretanto, é equilibrado. Nas quatro vezes em que Grêmio e São Paulo se pegaram pela Copa do Brasil, cada lado se classificou duas vezes. Abaixo, relembramos esses embates:
Copa do Brasil de 1990
O São Paulo foi o responsável por encerrar o sonho do bicampeonato, após o título do Grêmio na primeira edição do torneio em 1989. As duas equipes se encararam nas oitavas de final em 1990. Treinado por Pablo Forlán, o São Paulo tinha à disposição no elenco nomes como Gilmar, Cafu, Ronaldão, Antônio Carlos, Bernardo, Raí e Diego Aguirre. Já o Grêmio era dirigido por Evaristo de Macedo, protagonizado por Mazarópi, Jandir, Assis, Nílson e Paulo Egídio. E o empate por 1 a 1 em Porto Alegre acabou se tornando decisivo para a classificação dos paulistas.
Por conta de uma interdição no Olímpico, o jogo curiosamente foi disputado dentro do Beira-Rio. Forlán armou um forte esquema defensivo e o São Paulo ia segurando o ímpeto do Grêmio, mesmo com os gaúchos saindo em vantagem no placar. Após uma bola alçada na área, o zagueiro Wilson mandou para dentro. O empate do São Paulo aconteceu no início do segundo tempo, graças a uma bicicleta de Aguirre. Bernardo ajeitou de cabeça para o centroavante emendar a pedalada.
Com o gol qualificado em Porto Alegre, os são-paulinos jogaram com o regulamento e garantiram a classificação graças ao 0 a 0 no Morumbi. Os gremistas atuaram com um atleta a mais em parte do segundo tempo, após a expulsão do meia Bentinho. Contudo, não aproveitaram a vantagem e Nilson ainda seria expulso nos minutos finais, por uma agressão sobre Antônio Carlos. O São Paulo parou nas quartas de final, eliminado pelo ascendente Criciúma. Além disso, já treinados por Telê Santana, os paulistas também despacharam o Grêmio na semifinal do Brasileiro de 1990, antes da derrota na final contra o Corinthians.
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Copa do Brasil de 1995
O troco do Grêmio diante do São Paulo na Copa do Brasil aconteceu em 1995. Os são-paulinos estavam entalados nas gargantas gremistas, também com classificações recentes na Supercopa da Libertadores de 1993 e na Copa Conmebol de 1994. A revanche aconteceria nas quartas de final da Copa do Brasil, graças ao incensado time de Luiz Felipe Scolari – que meses depois conquistou a Libertadores. Danrlei, Arce, Adílson, Roger, Dinho, Goiano, Carlos Miguel, Paulo Nunes e Jardel foram alguns dos ídolos gremistas utilizados naqueles embates. Já o São Paulo de Telê Santana mantinha poucos remanescentes do bicampeonato mundial, com a presença cada vez maior de garotos do expressinho. Zetti, Júnior Baiano, Alemão, Juninho Paulista, Denílson e Caio Ribeiro participaram do duelo.
O São Paulo teve a iniciativa no jogo de ida, dentro do Pacaembu. O time de Telê Santana começou mais em cima, mas o goleiro Danrlei adiava o gol. Os paulistas abriram o placar aos 32 minutos, numa cobrança de falta. Juninho rolou para Bentinho e o chute tocou a trave antes de entrar. O Grêmio respondeu no segundo tempo, com suas fortes bolas paradas. Arce cobrou escanteio, Adílson desviou na primeira trave e Paulo Nunes apareceu na pequena área para empatar. O zagueiro Luciano ainda foi expulso com o segundo amarelo, deixando os gaúchos com um a menos. Assim, o empate por 1 a 1 parecia um bom resultado aos visitantes, antes do reencontro no Olímpico.
Em Porto Alegre, o Grêmio completou o dever de casa com a vitória por 2 a 0. O primeiro tempo seria aberto, com chances aos dois lados, embora Zetti tivesse mais trabalho na meta do São Paulo. Os gremistas saíram em vantagem aos 23 do segundo tempo. Numa sobra dentro da área, Arílson driblou Zetti para abrir o placar. Jardel ampliou dez minutos depois, ganhando uma disputa pelo alto com Zetti e cabeceando antes que o goleiro fizesse a defesa. Dinho e Alemão ainda terminaram aquela partida expulsos. Classificado, o Grêmio superou o Flamengo na semifinal, mas perdeu a chance do terceiro título no torneio durante a decisão contra o Corinthians.
Copa do Brasil de 1998
Três anos depois, mais uma vez São Paulo e Grêmio voltaram a se encarar pela Copa do Brasil – agora pelas oitavas de final. As mudanças nos dois elencos eram relativamente profundas, entre o desmanche do elenco gremista multicampeão nos anos anteriores e os são-paulinos tentando se reconstruir num período sem tantas glórias além dos limites estaduais. Dirigidos por Nelsinho Baptista, os paulistas tinham entre suas referências Rogério Ceni, Márcio Santos, Serginho, Denílson, Dodô, Aristizábal e França. Já o Grêmio estava sob as ordens de Sebastião Lazaroni. Danrlei, Roger e Goiano eram os campeões de outrora, acompanhados por Scheidt, Beto Cachaça, Tinga, Guilherme e o novato Ronaldinho.
A Lei do Ex fez a diferença logo na primeira partida, com a vitória do São Paulo por 2 a 0 no Morumbi. Vestindo a camisa são-paulina estava Carlos Miguel, referência dos gremistas na série de títulos recente. E o meia abriu o placar naquela ocasião, aos 14 do segundo tempo: após grande jogada de Serginho, Carlos Miguel apareceu na área como elemento surpresa para completar o cruzamento e não teve problemas para comemorar. O gaúcho também iniciou o lance do segundo gol, em enfiada para Aristizábal, que cruzou para França só escorar. O resultado tranquilizaria a situação aos paulistas, antes da nova vitória dentro do Olímpico.
O São Paulo definiu o confronto logo cedo em Porto Alegre, sem se intimidar com o Olímpico lotado para celebrar a vitória por 2 a 0. O volante Alexandre anotou o primeiro logo aos dez minutos, num chutaço de fora da área. Nove minutos depois, seria a vez de Dodô assinar uma de suas costumeiras pinturas, encobrindo Danrlei com um leve toque de fora da área. Na sequência do primeiro tempo, os são-paulinos ainda perderam várias chances ao terceiro, enquanto Goiano foi expulso aos 40. Com um a menos, o Grêmio não teve forças para a reação. O São Paulo caiu diante do Vasco nas quartas de final, mas teve seu consolo naquelas semanas com o título do Paulistão, garantido pela volta triunfal de Raí na decisão contra o Corinthians.
Copa do Brasil de 2001
O último confronto entre Grêmio e São Paulo pela Copa do Brasil até esta quarta-feira marcou o equilíbrio no confronto, bem como uma doce lembrança aos gaúchos. Os gremistas venceram as duas partidas, com direito a um épico no Morumbi, em sua arrancada até o quarto título na competição nacional. Tite era o comandante da equipe naqueles tempos, em time que contava com Danrlei, Mauro Galvão, Anderson Polga, Tinga, Zinho, Luis Mário e Marcelinho Paraíba. O São Paulo na época era dirigido por Vadão, numa equipe jovem na qual começavam a aparecer Kaká, Júlio Baptista e Fábio Simplício, além de contar com Rogério Ceni e França entre os mais rodados. Os paulistas haviam levado o Torneio Rio-São Paulo semanas antes.
O Grêmio encaminhou a classificação nas quartas de final com a vitória por 2 a 1 em Porto Alegre. A equipe da casa era melhor desde os primeiros minutos e abriu o placar aos nove: Zinho cobrou falta e Rogério Ceni realizou uma boa defesa, mas o rebote bateu em Warley e acabou entrando. Cinco minutos depois, o São Paulo até empatou com França, arrematando na linha da pequena área. Só que os gaúchos foram melhores durante a maior parte do tempo e, depois de muito criarem, arrancaram o triunfo aos 38. Após cobrança de escanteio, a zaga do São Paulo até salvou em cima da linha o chute de Eduardo Costa, mas o zagueiro Marinho estava ao lado da trave para concluir o rebote.
A segunda partida guardou um festival de gols no Morumbi, com nova vitória do Grêmio, agora por 4 a 3. Em grande fase na época, Marcelinho Paraíba aterrorizou o ex-clube. Mais ofensivos desde os primeiros minutos, os gaúchos abriram a contagem aos 27. Marcelinho puxou o contragolpe e Rogério Ceni até rebateu o chute de Warley, mas o paraibano completou no rebote. O São Paulo virou antes do intervalo. Carlos Miguel sofreu pênalti para França empatar aos 30. Já aos 44, depois de dois milagres de Danrlei, o próprio França aproveitaria um escanteio para (após dominar com o braço) acertar o chute cruzado e virar.
O Grêmio retomou a vantagem antes dos 15 do segundo tempo, com mais dois gols de Marcelinho. O atacante cobrou uma falta no canto para empatar e recolocou os gaúchos na frente roubando a bola da defesa, antes de driblar Rogério Ceni e mandar às redes vazias. Alexandre voltou a deixar tudo igual aos 23, numa pancada de fora da área. E a situação pareceu piorar ao Grêmio quatro minutos depois, com Marcelinho expulso por reclamação. Mesmo assim, com os são-paulinos desesperados pelos dois gols necessários, os gremistas arrancaram o triunfo aos 39. Luis Mário sofreu falta fora da área, mas o árbitro Wilson de Souza Mendonça marcou pênalti. Zinho fechou a contagem.
Um detalhe curioso sobre aquele jogo é que ele aconteceu durante a tarde, por conta do racionamento de energia que o Brasil enfrentava na época. E o Grêmio pegou embalo rumo ao título. Os tricolores eliminaram o Coritiba nas semifinais, antes da vitória sobre o Corinthians na decisão.



