Copa do Brasil

O Vitória rugiu alto no Beira-Rio e, numa partida eletrizante, conseguiu uma épica reviravolta para eliminar o Inter

Depois da derrota por 1 a 0 em Salvador, o Vitória se aproveitou da vantagem numérica para fazer 3 a 1

Os clubes do Nordeste atravessaram uma semana praticamente perfeita na Copa do Brasil. Tirando o 4 de Julho e o Ceará (que pegava o rival Fortaleza), todos os outros representantes da região avançaram às oitavas de final. E o Vitória proporcionou uma surpresa enorme nesta quinta, durante sua visita ao Beira-Rio. É fato que o Internacional vive péssimo momento e vê a pressão sobre Miguel Ángel Ramírez se tornar cada vez maior. Ainda assim, o Leão da Barra conquistou um triunfo maiúsculo – não apenas porque é de uma divisão inferior, mas também porque vinha de uma sequência de cinco partidas sem ganhar e trocou de técnico durante a semana. Os colorados tinham feito 1 a 0 em Salvador. Já em Porto Alegre, o início do duelo também pendia aos gaúchos. Contudo, uma expulsão no Inter mudou o cenário e os rubro-negros partiram para cima. Num segundo tempo eletrizante, os baianos ganharam por 3 a 1 e passaram de fase.

A cobrança no Inter já era grande, pela goleada por 5 a 1 sofrida diante do Fortaleza. Mas não que o Vitória viesse em situação tão tranquila, com a demissão de Rodrigo Chagas por conta da série negativa e o anúncio de Ramón Menezes como novo comandante. Ex-jogador dos rubro-negros, o novo treinador fazia sua estreia no Beira-Rio. Enquanto isso, Miguel Ángel Ramírez se ausentou na casamata colorada, recuperando-se da COVID-19. Mesmo longe, o espanhol apostava num Inter diferente, com dois atacantes e um padrão de jogo distinto.

O início da partida não indicava o desastre. O Inter começou melhor e poderia ter saído em vantagem no Beira-Rio. Yuri Alberto, Taison e Patrick assustaram antes dos 15 minutos, mas não conseguiram acertar o pé. Claramente, era uma equipe mais agressiva do que nos compromissos anteriores. Todavia, aos poucos o Vitória evitou a sangria. Os rubro-negros não criavam tanto, mas deram seu aviso aos 35, quando Ygor Catatau arriscou uma batida fechada e carimbou a trave.

Já no fim do primeiro tempo, o Internacional retomou o abafa. Parou no goleiro Lucas Arcanjo. O arqueiro faria três boas defesas em sequência, duas delas contra Yuri Alberto e outra contra Taison. Em minutos animados, Daniel também seria exigido do outro lado e defendeu a tentativa de Guilherme Santos. De qualquer maneira, os colorados foram superiores e até mereciam a vitória parcial. O último lamento seria de Moisés, que bateu forte uma falta e carimbou a trave. Por mais que tenha apostado num estilo de jogo veloz, saindo rápido ao ataque, o Inter manteve 63% de posse de bola. E teria mais que o triplo de finalizações, sem aproveitar.

O Vitória retornou ao segundo tempo com duas mudanças, mas era o Internacional que permanecia em cima e começaria criando. Lucas Arcanjo apareceu de novo, pegando uma cabeçada de Galhardo. O problema dos colorados viria aos seis minutos, quando o zagueiro Pedro Henrique foi expulso – o que já tinha acontecido contra o Fortaleza pelo Brasileirão. O jovem deixou o pé sobre Guilherme Santos e recebeu o vermelho. Com isso, Galhardo seria sacado para que os anfitriões recompusessem a zaga. Ainda assim, permaneciam mais agressivos e Saravia exigiria uma boa intervenção de Lucas Arcanjo. Porém, a partida sairia do controle em pouco tempo e passaria ao domínio dos rubro-negros.

O Vitória abriu o placar aos 25 minutos. Dinei arriscou de fora da área e Daniel defendeu parcialmente, desviando a bola contra o travessão. Samuel estava atento no rebote e apareceu sozinho na pequena área para marcar. Com o placar agregado igualado, a decisão ia para os pênaltis. A pressão do Leão aumentou e Daniel evitaria o segundo, de David, antes de Dinei errar o alvo. Neste momento, Caio Vidal e Maurício entraram para dar sangue novo ao Inter. O time da casa até reviveu aos 33, quando Johnny empatou. Depois de uma cobrança de falta, Cuesta ajeitou para o tento do volante. Só que o alívio dos gaúchos mal durou.

O Vitória retomou a dianteira logo aos 35. E seria um golaço de Eduardo, que aproveitou o espaço na intermediária para enviar um míssil de primeira e acertar o ângulo do goleiro Daniel. Com um a menos, o Inter precisaria seguir lutando. Todavia, a desvantagem pesaria diante da fome do Leão da Barra. A pá de cal surgiu aos 40, com o terceiro gol dos baianos, suficiente à classificação direta. Raul Prata cruzou e Guilherme Santos completou de cabeça. Neste momento, os colorados precisavam de um gol a qualquer custo e tentavam o abafa, mas a zaga rubro-negra conseguia afastar. Lucas Arcanjo apareceu de novo para evitar o tento de Moisés. E, nos acréscimos, Boschilia enterraria as esperanças dos anfitriões ao ser expulso por matar um contra-ataque. Com nove, seria impossível imaginar qualquer reação.

Esta é apenas a terceira vez que o Vitória passa às oitavas de final da Copa do Brasil nos últimos dez anos, refletindo as dificuldades do clube no período. Em compensação, a maneira como o triunfo no Beira-Rio aconteceu pode marcar um ponto de virada. Sem muitas dúvidas, é um dos resultados mais significativos aos rubro-negros em sua rica trajetória na competição nacional – mesmo já tendo eliminado o Inter no certame em 2004 e em 2018. Por fim, o triunfo ainda se insere num contexto maior da Copa do Brasil. É o desfecho perfeito a uma semana tão marcante aos clubes nordestinos, com a inédita participação de seis representantes da região nas oitavas de final.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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