Copa do Brasil

O Remo viveu uma noite especial pela virada contra o Cruzeiro e, sobretudo, pela arrepiante atmosfera no Baenão

Com direito a pênalti defendido por Vinícius, o Remo venceu o Cruzeiro e deu motivos para que as arquibancadas incendiassem no Baenão

A terceira fase da Copa do Brasil diminui a margem às surpresas, com partidas de ida e volta. Porém, a terça-feira seria dura às equipes de divisão superior, com dificuldades nos jogos de ida. Apenas o América Mineiro cumpriu sua missão com sobras, ao derrotar o CSA por 3 a 0 em Alagoas. O Bahia só empatou com o Azuriz por 0 a 0 na Fonte Nova, enquanto o Fluminense transformou um vexame em virada agônica com os 3 a 2 arrancados diante do Vila Nova no Maracanã. Apesar de tantos sustos, a única equipe de divisão inferior ao seu adversário a vencer foi o Remo, que derrotou o Cruzeiro de virada por 2 a 1. Seria uma noite especial aos remistas pela emoção de sobra no segundo tempo e, sobretudo, pelo ambiente trepidante proporcionado nas arquibancadas do Baenão.

O primeiro tempo começaria a acender o Baenão. O Remo era melhor e mais agressivo durante os primeiros minutos, até que o Cruzeiro passasse a responder com o passar do tempo. Porém, o duelo pegou fogo mesmo na segunda etapa. Logo aos quatro minutos, os cruzeirenses ganharam um pênalti. A cobrança acabou concedendo mais um motivo para consagrar Vinícius como ídolo remista, ao defender o tiro de João Paulo. Logo depois, quando a Raposa tentou se recuperar, Vinícius fez uma defesa ainda mais impressionante contra Daniel Júnior.

A partida era lá e cá, com Rafael Cabral também acionado na meta do Cruzeiro. Mas os mineiros eram melhores na sequência do segundo tempo e marcaram seu gol aos 20 minutos. Daniel cruzou e Rodolfo entrou com tudo para finalizar às redes. Se o gol trazia certa comodidade aos celestes, o Remo precisou de cinco minutos para responder com o empate. Numa cobrança de falta, Willian Oliveira marcou contra. Já a virada também não tardou, de novo na bola parada. O cruzamento de Marlon seria desviado por Anderson Uchoa, até Daniel Felipe completar para as redes. Havia reclamação de impedimento na jogada, mas, sem VAR, o lance não foi revisado.

A reta final da partida ficaria tensa, na temperatura certa para o segundo tempo emocionante. Vinícius voltaria a aparecer na meta do Remo para evitar o empate de Marcelinho, mas Rafael Cabral também impediria um estrago maior quando Vanílson tentou o terceiro gol. Já nos acréscimos, João Paulo teve a grande chance de empate para o Cruzeiro, mas mandou para fora. O apito final confirmou a apoteose remista, naquelas noites em que torcedor nenhum deseja deixar o estádio. A festa com os jogadores durou por bons minutos.

O resultado é revigorante para o Remo, pensando nas dificuldades do clube dentro das competições nacionais, após o recente rebaixamento na Série B. Ganhar do Cruzeiro, mesmo que a fase dos adversários seja ruim, garante um motivo para os remistas proclamarem sua grandeza. Depois da emocionante conquista do Campeonato Paraense, é outro épico para semanas movimentadas. E as cenas do Baenão também exaltam um pouco mais o fervor que costuma acompanhar o clube em suas jornadas. Agora, é ver como essa energia será aproveitada na volta em Belo Horizonte, com os cruzeirenses pressionados pela reação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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