O que vinha sendo uma grande noite de Copa do Brasil terminou em caos no Sergipe 1×1 Botafogo
O Sergipe ia se classificando, até que os longos acréscimos permitissem o empate do Botafogo - mas nada justifica as agressões que ocorreram depois

O que se prometia como uma linda noite de Copa do Brasil terminou de forma nefasta. O Batistão estava preparado para uma grande festa. E assim começou o encontro do Sergipe contra o Botafogo, com uma linda recepção nas arquibancadas e muito barulho da torcida. Os torcedores alvirrubros ofereceram energia ao time, no que quase se transformou em enorme surpresa. O Gipão sobrou no primeiro tempo, anotou um golaço de falta e esteve com a classificação nas mãos até os 54 do segundo tempo. Porém, o caos tomou conta da reta final. Primeiro, pelos longuíssimos acréscimos dados pelo árbitro Bráulio da Silva Machado, que geraram muitas reclamações. Com isso, os botafoguenses buscaram o empate por 1 a 1 com o relógio estourado e se classificaram – graças também ao contestável regulamento da Copa do Brasil. Apesar disso, nada justifica a reação dos anfitriões, com uma sequência de agressões para todos os lados.
O Sergipe indiciou que poderia aprontar desde o primeiro tempo. Foi claramente superior nos 45 minutos iniciais. Fechava os espaços com competência, tinha mais volume de jogo e deixava o Botafogo em apuros com suas rápidas trocas de passes. A desorganização pesava contra os alvinegros. As investidas alvirrubras se sucediam e, quando pintou uma chance clara aos 39, num contra-ataque, Ronan parou no goleiro Lucas Perri, mesmo sozinho na área. Os botafoguenses respiravam aliviados, mas não por muito tempo. O Sergipe fez por merecer a vantagem antes do intervalo. E foi um golaço nos acréscimos. Numa cobrança de falta frontal, Augusto Potiguar mandou o chute na gaveta, rente à trave, sem chances para Lucas Perri.
Apesar de todos os problemas, o Botafogo voltou para o segundo tempo sem mudanças. Quase tomou o segundo, mas Pedro Henrique e Ronan carimbaram Perri em batidas dentro da área. O abafa do Gipão era claro, até que o Botafogo conseguisse respirar e fizesse três alterações de uma só vez. Mas não que o time conseguisse criar muito para vencer. O Sergipe podia estar mais contido, mas seguia levando mais perigo, sobretudo nas faltas de Augusto Potiguar. O lateral exigiu uma defesaça de Perri aos 31, em bola que ainda bateu na trave. Já os botafoguenses tinham seus principais lances na bola aérea, mas sem precisão.
Os oito minutos de acréscimos davam uma sobrevida ao Botafogo. E foi na base do desespero que aconteceu o gol da classificação, aos 55, quando o tempo já tinha estourado mesmo depois que o árbitro deu um minuto a mais. Na cobrança de um escanteio marcado erroneamente, com Perri na área adversária, Adryelson anotou o gol. Ao apito final, a bronca do Sergipe era óbvia. Porém, a reação que se viu em campo depois disso é injustificável. Membros do Sergipe invadiram o campo para cobrar a arbitragem. Presidente do Sergipe, Ernan Sena desferiu um soco contra o árbitro Bráulio da Silva Machado. Depois, um dos assistentes de arbitragem acertou o mastro da bandeirinha no rosto de Sena. Além disso, torcedores tentaram agredir o técnico Luis Castro. Os responsáveis precisam responder por seus atos, assim como a CBF deve avaliar a arbitragem.
E, no fim das contas, o problemático regulamento da Copa do Brasil também tem sua falha mais exposta. Podem até existir razões para a vantagem do empate ao visitante, mas é difícil de engolir quando uma classificação, seja de quem for, acontece por ranking – não por aquilo que ocorreu nas quatro linhas, no 11 contra 11. O Sergipe teve grande atuação e até abusou das chances perdidas, mas paga o preço também pela decisão da CBF no regulamento. Era um time da Série D que estava prestes a fazer história contra um gigante da Série A, mas nem pênaltis tiveram para tentar a sorte. Tudo isso se agrava pelo contexto e pela arbitragem.
Nas demais partidas, seria uma quinta-feira proveitosa aos mandantes na Copa do Brasil. Outras três equipes de menor ranking se classificaram. O Águia de Marabá derrotou o Botafogo da Paraíba por 2 a 1, com o gol decisivo de Pablo aos 47 do segundo tempo. Os paraenses não passavam à segunda fase desde 2009. O Maringá também fez um resultadaço nos 2 a 1 sobre o Sampaio Corrêa, num jogo decidido por Gustavo Vilar aos 53 do segundo tempo. Já o Iguatu recebeu o América de Natal e despachou os favoritos com o triunfo por 1 a 0, gol de Talisson Calcinha. O único visitante a ganhar no dia foi o Criciúma, que anotou 3 a 0 sobre o Real Ariquemes. Os classificados abocanham uma premiação extra de R$900 mil, que faz a diferença para esses times de divisões inferiores.
Encerrada a primeira fase da Copa do Brasil, 11 mandantes se classificaram nos 40 confrontos. Fica abaixo dos 16 classificados em 2022, recorde desde que o atual formato foi adotado em 2017. Além disso, 11 visitantes se safaram com o empate nesta edição. Na segunda fase, ao menos, a vantagem deixa de existir e as igualdades são definidas depois nos pênaltis.



