O papel decisivo na Copa do Brasil estampa de vez a estrela de Pedro no Flamengo
Pedro nem foi tão goleador na Copa do Brasil, mas teve lances inesquecíveis e contribuiu decisivamente de diferentes formas
A temporada do Flamengo em 2022 passa por um centroavante matador. A ascensão da equipe após meses de incerteza está diretamente atrelada ao alto rendimento de Pedro. A partir do momento em que o artilheiro se firmou no time titular, o funcionamento coletivo dos rubro-negros deslanchou. Pedro auxilia as engrenagens com o dinamismo, ao mesmo tempo em que se encarrega de colocar a bola para dentro. E se o desempenho do Fla nas últimas partidas caiu, a confiança no matador ainda faz a diferença. O gol na decisão da Copa do Brasil carimba o papel central do camisa 21 neste sucesso.
Em três anos no Flamengo, Pedro possui números dilatados com a camisa do clube. São 69 gols em 157 partidas pelos rubro-negros. A maneira como tantas vezes foi mantido no banco de reservas por diferentes treinadores freia o protagonismo do centroavante neste período, ainda que ele colecione diferentes títulos – o Brasileirão 2020, duas Supercopas do Brasil, dois Campeonatos Cariocas. Entretanto, é no atual momento que Pedro evidencia o poder decisivo no qual muitos torcedores rubro-negros apostavam desde antes. Agora ele se coloca como destaque numa grande taça.
A campanha de Pedro na Copa do Brasil nem é a mais avassaladora. Seus números são realmente espantosos na Libertadores. Pelo torneio nacional, o centroavante marcou três gols em dez aparições. Ainda assim, o camisa 21 contribuiu em vitórias marcantes e estampou a sua estrela. A reviravolta contra o Atlético Mineiro contou com a inteligência de Pedro para servir de garçom. A vitória no Maracanã começa com uma enfiada magistral do centroavante para Arrascaeta resolver. Depois, deu uma casquinha na bola e ficou com a assistência também no segundo tento. Não se sobressaiu como o uruguaio, mas ficou como o melhor ator coadjuvante da noite.
A pérola de Pedro aconteceu nas quartas de final, contra o Athletico Paranaense. Aquela bicicleta na Arena da Baixada serviu de cartão-postal numa classificação suada, também como momento mais bonito da caminhada do Flamengo na competição e, por enquanto, como maior símbolo da fase inspirada do centroavante. Teria outros lances naquele confronto, como a chaleira que só não culminou em assistência porque Gabigol parou na trave. A pintura referendava quem o pedia na Seleção.
Já na semifinal contra o São Paulo, Pedro foi mais transpiração na classificação impositiva do Flamengo. Dentro do Morumbi, o centroavante lutou muito. Prendeu a marcação, deu toques rápidos, abriu espaços. Facilitou a tarefa dos companheiros com um trabalho duro. Já no Maracanã, um passe de primeira desmontou a defesa tricolor para que a classificação se confirmasse. Estava claro como seria um nome visado na decisão contra o Corinthians.
Os 180 minutos de Pedro na final da Copa do Brasil não foram brilhantes. O centroavante fez uma exibição apagada em Itaquera. Era bastante acionado nas bolas longas, mas não fez a diferença. No Maracanã, especialmente durante o primeiro tempo, o camisa 21 teve mais espaço. E seria fatal. O lance do gol do Flamengo é treino. Repetiu exatamente a primeira chance de Pedro em São Paulo. De novo recebeu de Everton Ribeiro na infiltração, de novo escapou pela esquerda da área rumo à linha de fundo. Desta vez com um pouco mais de ângulo para bater na saída de Cássio e celebrar.
No gol anulado do primeiro tempo, Pedro ainda deu um passe sensacional que só não valeu por um impedimento milimétrico. Quando o Fla quis jogar, o matador aparecia. Acabou muito isolado na sequência da partida, quando a equipe recuou, mas quase entregou outro presente para Gabigol no segundo tempo. Pedro seria substituído e sua ameaça do outro lado fez falta na reta final do jogo, quando o Flamengo se entrincheirou em seu campo. Recebeu os aplausos da torcida e, do banco, assistiu à palpitação dos pênaltis. Mas pôde abrir o sorriso. O título passava diretamente por seus pés.
Pedro conseguiu se firmar como um diferencial num time do Flamengo tão bem estabelecido e com outras taças emendadas. O centroavante pode nem ser o primeiro nome na hierarquia de talentos da equipe. O que não se nega é que a sua entrada culmina num salto de produção dos rubro-negros. O time não impressiona como acontecia algumas semanas atrás, mas o centroavante continua decisivo para surfar na onda que ele mesmo ajudou a gerar. A Copa do Brasil cai em seu colo depois de lampejos sensacionais. E certamente aumenta a confiança do camisa 21 para, quem sabe, buscar também a sua Libertadores e disputar uma Copa do Mundo logo na sequência.



